Cinema e Direitos Humanos: Mostra homenageia Eduardo Coutinho

O cineasta Eduardo Coutinho é o homenageado da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, cuja etapa ludovicense acontece entre os dias 25 e 30 de novembro, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Os documentários Santo forte, Cabra marcado para morrer e O fio da memória, de Coutinho, integram a programação, completamente gratuita, que circula por todas as capitais brasileiras. Em São Luís a produção local é de Francisco Colombo. Agende-se: programação completa para a ilha.

Uma passadinha rápida pra lembrar

Hoje tem Celso Borges no Sarau Cerol:

E avisar que ele estará acompanhado, além de Beto Ehongue, por Alê Muniz e Luiz Cláudio, repetindo assim a formação do espetáculo de abril passado, maiores informações sobre aquele e o de hoje nos links do post anterior.

Sarau Cerol no Odeon: poemúsica com Celso Borges e Beto Ehongue

Amanhã (30), 22h, de graça, no Odeon. Aqui o que disse do Sarau Cerol que ou/vi em abril passado no Odylo, ocasião em que Andréa Oliveira, esposa do poeta, fez o clique acima.

Livro com inéditos de Itamar Assumpção será lançado em SP

Uma coletânea de textos, letras de música e poemas inéditos de Itamar Assumpção será lançada quinta-feira (1º./11) em São Paulo. Fruto de parceria do Instituto Itaú Cultural e Editora Terceiro Nome, Itamar Assumpção – Cadernos Inéditos reúne, em 240 páginas, extratos de 60 cadernos de anotações, de entre 1986 a 2003 (ano de seu falecimento), deixados pelo compositor.

A organização ficou a cargo das filhas Anelis e Serena Assumpção, da viúva Elizena Assumpção e de Marcelo del Rio, um vizinho que acompanhou os últimos anos do autor de PretoBrás. (Com informações do Itaú Cultural)

Tássia Campos: da periferia ao universo

Sobre Trilha sonora do universo, show de Tássia Campos, ontem (27), no Cine Roxy, na programação da 7ª. Mostra SESC Guajajara de Artes

Numa época em que só se ouve falar em política, Tássia Campos aponta a poesia na nossa cara

Tássia Campos sobe ao palco acompanhada apenas do DJ Franklin e sob uma base posta por ele manda ver num reggae em inglês. O músico – sim, em seu caso DJ é músico! – havia tocado antes de Trilha sonora do universo, o show da cantora na 7ª. Mostra SESC Guajajara de Artes, em cartaz pela cidade até o próximo 1º. de novembro.

O espetáculo aconteceu ontem, no Cine Roxy. Antes de entrar, comentávamos, minha esposa, eu e o amigo Celso Serrão – que há tempos não via – que este era um daqueles espaços cujo novo nome – Teatro da Cidade de São Luís – não vai pegar. A cidade está cheia de exemplos: a Escola Técnica (hoje IFMA, depois de ser CEFET), a RFFSA (Plantão Central da Beira Mar), o Circo da Cidade (Circo Cultural Nelson Brito) – esse não pega mais nem o velho nem o novo.

O público era bom, embora o Roxy não estivesse completamente lotado, mesmo com toda a programação da mostra sendo gratuita. Após o duo com o DJ, a banda atacou. E que banda!: Edinho Bastos (guitarra), Jesiel Bives (teclado), João Paulo (contrabaixo) e Moisés Mota (bateria).

Aos incautos, Trilha sonora do universo, o título do show, pode soar pretensioso. Não é: tem a medida exata de quem conhece o talento que tem sem soar arrogante, sua trilha sonora e seu universo particulares.

O repertório vai de Novos Baianos (A menina dança), Bob Marley (Is this Love?) e Sérgio Sampaio (Que loucura! e Cada lugar na sua coisa), artistas que ela homenageou este ano com tributos, em shows diferentes, a André Lucap (Intervalo), Celso Borges (Persona non grata, poema dele musicado por ela, que o apresentou acompanhada de Edinho Bastos ao teclado), Kléber Albuquerque (Logradouro, primeira gravação dela que tocou no rádio e lhe valeu o troféu de artista revelação no Prêmio Universidade FM ano passado), João Donato (A rã) e George Gershwin (Summertime, no bis), entre outros.

Nada óbvio, portanto. Nem na escolha, nem nos arranjos, que Tássia e banda se preocupam em mostrar cada música, mais ou menos conhecida, com uma nova cara, um novo som, um novo coração. Como disse quando, ao avistar um de seus compositores na plateia, ao cantar sua música: “Desculpa, Lucap, mas essa música é minha!”. É isso: Tássia é uma recompositora.

Nela, tudo é sinceridade. Ela que faz poucos shows por preferir se manter afastada do esquema “pires na mão” praticado por nossos órgãos de cultura, agradeceu ao SESC a oportunidade de estar ali e elogiou o alto nível de profissionalismo de toda a equipe envolvida para que a Mostra aconteça – apesar de este blogue ter ficado sabendo do show pelo Facebook da própria cantora, a assessoria de comunicação (do SESC? Da Mostra?) ou não está funcionando ou nos ignora.

“Eu tenho até camarim. Eu perguntei a um dos músicos: “será que isso tudo é pra mim mesmo?”. Um camarim com flores, frutas… a gente é tão acostumado a ser maltratado, que até estranha, se espanta quando é bem tratado”, revelou, entre a sinceridade e a ironia, sempre apertando o dedo em nossas feridas. “E eu ainda tou recebendo pra fazer isso aqui; geralmente eu pago [para fazer shows]”, riu.

Emocionada chegou a chorar ao lembrar o saudoso mestre Leonardo, uma das maiores personalidades do bumba meu boi do Maranhão, oriundo da Liberdade natal da cantora, bairro sempre mais lembrado pelo estigma e pelas estatísticas da violência que por sua riqueza cultural. “É um bairro pobre, mas é tão rico. Só na rua em que nasci, tem um boi, um cacuriá, um tambor de crioula, uma quadrilha”, enumerou. “Leonardo para mim era [como] meu avô. Eu era uma das poucas pessoas de que ele lembrava, já acometido pelo Alzheimer [lágrimas interrompem a fala]. Depois de 26 anos eu deixei a Liberdade, mas por causa dele [Leonardo] é que eu vou ser sempre periferia!”, anunciou antes de mandar os “ó aqui pra vocês!” no Punk da periferia de Gilberto Gil.

Sobrou até para a tal da lei seca: “Eles fazem merda e roubam quatro anos e nós é quem temos que ficar sem beber?”, perguntou, anunciando que iria, dali, caçar canto para infringi-la. Se os que já saíram de lá embriagados de tanto talento, beleza e poesia mereciam, imagina ela, que nos proporcionou aquela hora e pouco de muita magia.

p.s.: obrigado, Celijon, pela info do batera. Hora dessas quito minha ausência com a Satchmo.

p.s.2.: obrigado, Fafá, pela foto do Gleydson Nepomuceno que ilustra o post, roubada de teu facebook. 

p.s.3.: CB, depois que o Souza inchou no bucho não rolou estica, foi mal aê! Terça ‘tou no Odeon pra te ver/ouvir, o que ainda direi por aqui.

Os verdadeiros laranjas

Hoje, no trajeto de casa até o trabalho, a bordo de meu um ponto zero popularíssimo comprado em suaves (e infinitas) prestações, vi dois ônibus atrapalhando o trânsito. Leitores mais apressados podem me pedir que conte uma novidade. Mas não eram ônibus comuns, digo, não de linhas, estes que os candidatos, desde o primeiro turno, vêm prometendo modernizar, renovar a frota. Eram ônibus, como os da frota que cotidianamente serve (?) a cidade, velhos, caindo aos pedaços. Carregavam carregadores de bandeiras e aqui não importa de que candidato, já que, também neste aspecto, ambas as candidaturas, neste segundo turno, em São Luís, são iguais. Um dos ônibus parou antes de um retorno, do lado do canteiro central e um grupo saltou para o meio da pista, dando a volta por trás do coletivo, pelo asfalto, até alcançar a calçada. Outro, próximo de um semáforo, parou do lado correto, mas os bandeiristas correram desesperadamente para atravessar a rua até o canteiro central, já de bandeiras em punho. Em seus subempregos, os carregadores de bandeiras certamente não têm plano de saúde ou seguro de vida. O que, aliás, pouco importa aos patrões. Carregadores de bandeiras são como laranjas. Não no sentido em que a fruta passou a ser reconhecida no cenário político, a metáfora mais próxima da origem vegetal: passada a eleição, o suco-suor dos carregadores de bandeiras lavando as ruas sob o sol a pino, restará o bagaço, a ressaca, a angústia, talvez o arrependimento, talvez algum atrasado por cobrar dos agora ex-patrões.

Fernando Mendonça inaugura exposição logo mais na Galeria Hum

Carranca pontilhada em azulejos, uma das peças da exposição

FM é rádio, mas são também as iniciais de Fernando Mendonça, artista plástico maranhense radicado no Rio de Janeiro desde a década de 1980. Aos 50 de idade o artista, que nunca perdeu os laços com a terra natal, inaugura exposição em que homenageia a capital maranhense por seus controversos 400 anos.

“É uma mostra para marcar a data. É a minha parcela de contribuição com o movimento cultural da cidade. Além de tudo, completo 50 anos de vida, sendo mais de 30 dedicados à pintura”, diz o artista sobre o caráter comemorativo da exposição.

FM Upaon Açu + 400 será aberta hoje (25), na Galeria Hum (Rua Um, 167, São Francisco), às 19h. As cercas de 60 peças que compõem a exposição, entre nanquins, aquarelas e acrílicos, começaram a ser concebidas em maio passado, especialmente para esta ocasião.

A notícia

Eu era um molecote que sequer tinha idade para tomar cerveja e, portanto, não bebia. Mas estava no bar, o saudoso Giovani, saudoso o bar, o ex-proprietário ainda está entre nós, em Rosário/MA, acompanhado de uns tios. Fran Gomes, atração da casa entre o fim de tarde e início da noite, certamente não lembra do episódio e nem teria por que.

Ele se apresentava, voz e violão, no local. Nossa mesa era próxima do palco. Eu, regado a refrigerante e com um conhecimento razoável de música brasileira para um garoto de minha idade, 14 anos?, 15?, 16?, adivinhava compositores e intérpretes das músicas com que ele agraciava o público presente, além de pedir-lhe músicas, algumas atendidas, outras não.

Talvez já “invocado” com minha “saliência”, a certa altura Fran Gomes lançou-me uma espécie de desafio: disse que ia tocar uma música que eu não conhecia. Duvidei. Dito e feito. Cantou a música abaixo, de Celso Viáfora e Vicente Barreto, pela qual apaixonei-me à primeira audição e, à época, não sosseguei até tê-la em disco em minha modesta coleção.

Um hino em tempo em que índios já não são salvos por guardas marinhos, muito pelo contrário.

Músico maranhense, Tião Carvalho está internado no Hospital das Clínicas

O cantor e compositor Tião Carvalho está internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, acometido de malária. O quadro do artista ainda inspira cuidados, mas ele já deixou a UTI.

Segundo Cacau Amaral, percussionista que acompanhou o músico na banda Mafuá, Tião Carvalho estava em Maputo, Moçambique, onde fez shows e ministrou oficinas de danças populares brasileiras entre o fim de setembro e início de outubro.

Maranhense de Cururupu, Tião Carvalho vive em São Paulo há cerca de 30 anos. Na capital paulista é responsável pela difusão da cultura popular maranhense no Morro do Querosene, o que lhe rendeu o título de cidadão paulistano, honraria concedida pela Câmara de Vereadores. Gravou com os grupos Mafuá e Boi de Cupuaçu, além de discos solo, o mais recente Tião canta João (2006), em que interpreta a obra do conterrâneo João do Vale. É autor de Nós, sucesso de Cássia Eller.

A ‘milícia 36’ é a nova camisa do sequestrador?*

Não se sabe de onde partiu um vídeo que está garantindo gozos coletivos à blogosfera suja do Maranhão. E do Brasil, já que também entrou na onda Reinaldo Azevedo, da Veja, tido por seus alunos por estas bandas como “democrata” e apontado como o blogueiro mais lido do Brasil.

Não vou postar o vídeo aqui nem linkar ninguém: já o fiz em redes sociais (expressão que detesto, pois é exatamente o contrário). Leitores que se interessarem podem procurá-los, vídeo e links, em minhas contas no tuiter (grafia abrasileirada intencionalmente) e no facebook. Ou mesmo direto na blogosfera suja do Maranhão, o noticiário infectado infelizmente sempre liberado para banho.

Aos fatos. Acusam o candidato à prefeitura de São Luís Edivaldo Holanda Júnior (PTC) de montar uma milícia, um grupo paramilitar para “tocar o terror” contra o candidato João Castelo (PSDB). O vídeo tem coisas estranhas. A começar por quem filma. Quem o faz? Por que em alguns momentos filma sem interferência e mostra rostos e noutros concentra a câmera (um celular ou máquina digital) em pés ou na total escuridão, como se o fizesse às escondidas?

O vídeo é tosca e bizarramente editado: terão todos os seus momentos sido captados durante o mesmo evento? Por que foi postado por um fake (usuário apócrifo, anônimo) no youtube e encaminhado por e-mail (fake idem, milicia36@bol.com.br) a alguns internautas (conforme relataram a este blogueiro via tuiter)?

É possível imaginar a baba escorrendo nos teclados no momento exato em que alguns blogueiros faziam repercutir o vídeo, já assistido por mais de cinco mil pessoas no exato instante em que escrevo este texto, direto no painel do blogue.

Não digo nem que um candidato nem que outro seja culpado ou inocente, mas o vídeo mostra o nível a que chegou a política maranhense. De qualquer forma um episódio ridículo em se comprovando o envolvimento de qualquer candidato, de um lado ou de outro.

Uma coisa não deixa de ser engraçada: os mesmos blogueiros que condenam “a formação de uma milícia” filmada no vídeo que agora faz sucesso na internet costumam elogiar o trabalho da “briosa” (adjetivo que eles adoram) polícia militar e seu serviço velado.

O serviço velado, apelidado de “inteligência” da PM, age cotidianamente, tortura e extermina sobretudo a juventude da periferia de nossa capital. Nunca li uma linha de qualquer destes blogueiros criticando esta praga incrustada no seio da corporação.

A ação criminosa do serviço velado, protegida pela impunidade reinante, merece discussão séria e profunda. As polícias deveriam preparar uma ação para coibir a compra de votos e outras práticas espúrias nessa reta final de campanha, no dia da eleição, inclusive apurar e punir quem quer que tenha responsabilidades e lucre com o citado vídeo.

*Em 1989 os sequestradores do empresário Abílio Diniz (grupo Pão de Açúcar) apareceram na televisão vestindo camisas de Lula (à época a Justiça Eleitoral ainda permitia a distribuição de brindes como camisas a eleitores), então candidato do PT à presidência da República; o fato, junto da edição pela Rede Globo do debate entre os candidatos, ele e Fernando Collor (então no PRN), deu no que deu.

Lauande Aires entre o chão e o tablado

Lauande Aires lança amanhã (19), às 18h30min, na Galeria de Artes do SESC (Praça Deodoro), Entre o chão e o tablado – A invenção de um dramaturgo, livro que ainda não tive a oportunidade de ver/ler, o que não me impede de recomendá-lo, já que reconheço em seu autor um dos grandes nomes de nossa dramaturgia contemporânea.

Leio no release enviado pelo SESC/MA, que apoia a publicação da obra, que Entre o Chão e o Tablado já foi lançado em Macapá, Manaus, Rio Branco, Porto Velho e Belém, por ocasião do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz e projeto de circulação Teatro nos Passos do Boi: no miolo da Floresta; e que além disso, em 2013, a Santa Ignorância Cia de Artes, integrada por Lauande Aires, irá representar o Maranhão no projeto Palco Giratório, numa programação que inclui apresentação do espetáculo O miolo da estória, workshops, o lançamento do livro e debates em 37 cidades brasileiras.

Amanhã espero dar-lhe meu abraço e colher um autógrafo em meu exemplar do livro.