Música: substantivo feminino

Cantoras do Brasil, série que estreou hoje no Canal Brasil, é agradável de verouvir. No primeiro programa Tulipa Ruiz interpretou canções eternizadas na voz de Dalva de Oliveira.

É um programa curto: duas músicas apenas. E aí reside seu maior pecado: por que não logo um show inteiro, hora e meia de boa música?

Gravado em preto e branco nos estúdios YB, o mesmo em que, por exemplo, Zeca Baleiro gravou parte de O coração do homem bomba, exatamente a parte em p&b do dvd.

As cores, ou a falta delas, garantiram ao programa de hoje um ar de coisa antiga, certo saudosismo, a memória afetiva de que fala ligeiramente Tulipa ao comentar uma das faixas que escolheu para inaugurar a série. O comentário é breve e não aborrece o telespectador com qualquer tentativa de aula, explicações, notas de rodapé ou coisas que o valham. É uma pausinha entre música e outra, jogo rápido.

Impossível simplesmente Tulipa reler Dalva de Oliveira. É sua leitura particular. Moderniza-a sem desconstruí-la, sem descaracterizá-la. O clima “afastem as navalhas” é mantido no tango Fim de comédia (Ataulfo Alves), a segunda da noite. “Que será/ da luz difusa do abajur lilás/ se nunca mais vier a iluminar/ outras noites iguais?”, atire a primeira pedra quem nunca assobiou a primeira, Que será? (Marino Pinto e Mário Rossi). Esta ganha ares de forró, demonstrando a devoção de Tulipa pela homenageada e sua versatilidade.

Do forró ao tango passeia também a magistral sanfona de Daniel Grajew, destaque da Tulipa band. Nas próximas quintas-feiras, sempre às 18h45min desfilarão ainda, entre parênteses as homenageadas, Lulina (Ademilde Fonseca e Miriam Batucada), Tiê (Celly Campelo), Roberta Sá (Carmem Miranda), Nina Becker (Dolores Duran), Mariana Aydar (Clara Nunes), Gaby Amarantos (Clementina de Jesus), Camila Pitanga (Maysa), Lurdez da Luz (Nara Leão), Mallu Magalhães (Elizeth Cardoso), Luísa Maita (Elis Regina), Andreia Dias (Aracy de Almeida) e Blubell (Sylvia Telles), não sei se nessa ordem.

Portanto, se os queridos e queridas leitores e leitoras têm preferência por uma ou outra entre as que homenageiam e as homenageadas, a dica é não perder nenhum programa. Cantoras do Brasil começou com os dois pés, que só o direito da superstição é pouco! Aliás, dois pés, não: dois olhos, dois ouvidos e um coração.

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

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