Uma flauta que faz falta

Semana corrida, o blogue acabou não prestando as merecidas homenagens ao carioca Altamiro Carrilho, que subiu aos 87 no último dia 15, vítima de câncer nos pulmões, logo eles, que tanto nos deram alegrias, ao permitirem-no soprar seu instrumento desde a infância, fossem eles de lata ou bambu, fabricados pelo próprio ou, depois, os profissionais, “de verdade”, inicialmente comprados com o dinheiro arrematado com prêmios em programas de calouros.

É conhecida a história em que o flautista Benedito Lacerda, parceiro principal de Pixinguinha, ao ouvir uma flauta no rádio, confundiu-a com seus trinados, chamando a esposa para tirar-lhe a dúvida. Era Altamiro Carrilho, que viria a substituí-lo nalgum regional.

Não seria exagero dizer que Altamiro Carrilho tocou com todo mundo. Sua flauta está em O mundo é um moinho, Sala de recepção, As rosas não falam e Cordas de aço, de Cartola (1976); Pelos olhos, de Caetano Veloso, no disco Jóia (1975); A flor e o espinho, Notícia, Palhaço e outras de Nelson Cavaquinho (1974); Maura, de Luiz Melodia (1991); Pai e mãe, de Gilberto Gil, no disco Refazenda (1975); em Lindo blue, Criaturas e Plenitude, de Walter Franco, no disco Respire fundo (1978); Os cafezais sem fim e Choro de Mãe, de Wagner Tiso (1978); Passo a passo, de Moraes Moreira, no disco Estados (1996); Carimbó do Moura e Dia de comício, de Paulo Moura, em Confusão urbana, suburbana e rural (1976); no disco Pixinguinha de novo (1975), que dividiu com o flautista Carlos Poyares, lançado pela Marcus Pereira (por exemplo o Sarravulho que abre este post); e em vários discos do Palhaço Carequinha, que era acompanhado pela bandinha do flautista.

O parágrafo acima ficou grande, mas poderia ser ainda maior, se citássemos tudo em que Altamiro Carrilho colocou sua flauta e talento, em discos seus ou alheios, tocando choro ou qualquer outro gênero. Para fechar, citemos duas músicas que todo mundo conhece, duas introduções de flauta que todo mundo assobia: Meu caro amigo, de Chico Buarque (1976), e Detalhes, de Roberto Carlos (1971). Inconfundíveis. Puro Altamiro Carrilho.

A julgar por seu vasto legado, os versos de Roberto e Erasmo bem cabem aqui como homenagem ao saudoso mestre: “Não adianta nem tentar me esquecer/ durante muito tempo em sua vida eu vou viver”. Altamiro Carrilho permanece vivo na eternidade de sua divina flauta.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

3 comentários em “Uma flauta que faz falta”

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