O Dondon do Araçagy

Chegamos ao local meio que por acaso, como quase sempre quando resolvemos descobrir lugares novos. É na doida, mesmo. “Vamos comer num lugar diferente”, decidimos, sem nunca ter lido nada a respeito ou sequer ouvido a indicação de qualquer amigo ou conhecido.

Assim rodamos um pedaço da Raposa até baixar no Bar e Restaurante O Dondon. Cantarolei o refrão “no tempo que Dondon jogava no Andaraí”, pagode que pesco numa k7 imaginária, com “clássicos do pagode” escrito a mão na lombada, tudo na minha cabeça. Troco o Andaraí da letra original por Araçagy.

O Dondon, o bar e restaurante, é uma espécie de megaquintal onde, em dias como ontem, é possível estacionar o carro na sombra das muitas palmeiras que ornam o local – a cada touceira, samambaias aos pés. Um brejo ao fundo termina de completar o frescor do lugar, garantindo uma temperatura agradável em meio ao calorão ilhéu. Acima dele se ergue uma espécie de flutuante, embora a estrutura seja fixa, com um tablado de madeira.

Sentamos sob uma das muitas barracas e pedimos uma cerveja enquanto a garçonete nos apresentava o cardápio, de preços muito bons. Por exemplo, uma peixada por 35 reais ou 40, no caso, acrescida de camarões. Ficamos na pescada frita, cuja satisfatória porção nos saiu pela bagatela de 25 reais, acompanhada de baião de dois, farofa e vinagrete. A porção de pirão, por fora, sai por menos que a cerveja, esta a cinco, aquela a apenas três reais.

Um senhor magro e de bigode aparece e comento que “aquele deve ser o Dondon”, ao que minha mulher retruca que “não tem cara”. Era ele. Atencioso – deve ser o tipo de dono de bar que conhece os fregueses pelo nome –, foi cumprimentar o casal que nunca havia visto. Conversamos um pouco. Elogiei-lhe o ambiente superagradável, perguntei se ele morava ali mesmo. “Sim, ali na frente”, respondeu, apontando uma casa ao lado do longo portão por onde entramos e já havíamos visto crianças correndo, brincando.

Dondon diz achar estranho o pouco movimento àquela hora, “aos domingos é sempre mais movimentado”. Eu já havia perguntado à garçonete o horário de funcionamento, “de terça a domingo, segunda é o descanso”, sempre do almoço “até coisa de seis, seis e meia”.

O nome de batismo de Dondon eu descobriria depois, num cartão que ele me deu, ilustrado com pequeníssimas fotografias da paisagem e de algumas iguarias servidas em seu estabelecimento.

De acordo com o cartão, a especialidade da casa é a galinha caipira ao molho pardo, mas é outra iguaria que Adonias Brasil, o Dondon, anuncia, quando perguntei se ele não fazia festas no local. “No último domingo de maio a gente faz o Festival do Peixe Serra”, diz, anunciando as bandas Tropical, Digital e Andréia Alves como atrações da grande seresta. “O ingresso é dez, dez”, diz, repetindo o valor, anunciando os preços pagos por homem e mulher. “Você paga o ingresso e a cerveja: o peixe é de graça, de meio dia à meia noite”, afirma.

Quando voltar por lá, levarei a máquina fotográfica para mostrar aos poucos-mas-fieis leitores deste blogue o espaço e as delícias. A quem não quiser esperar, taí o endereço: o Dondon fica na Rua São Sebastião, 47, Araçagy, Raposa/MA. Dica: vão lá. Sabor e brisa ainda não podem ser fotografados.

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

4 comentários em “O Dondon do Araçagy”

  1. Olha, não conheço…mas essa Raposa…só pode ser mágica…oferece cada surpresa.Também já tive o meu tempo de comer um peixe gostoso num desse lugares que a gente acha ‘na doida’. E o passeio? Já fez? Muito bonito esse lado de lá. Um dia compro um pedaço de terra e um barco. Vou morar na Raposa!

  2. Adoro peixe serra frito no azeite de côco,acompanhado de arroz de feijão verde e vinagrete,,,hummm! Vou fazer essa proposta a Jaques, amante de carne indo e voltando. Quem sabe o lugar aprazível aguce sua curiosidade. “Brigada” pela dica,Zema,

  3. cinthia, o forte de lá é o peixe e o ambiente agradável, mas acho que também rola um filé com fritas, ou seja, agrada a todo mundo. vai que vale a pena. essa semana te levo os livros (tá virando lenda, ahah)

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