Dá-lhe, Criolina!

[Antes um aviso: isso não é jornalismo: é tietagem! Ah, o tempo: impediu-me de transcrever e publicar uma entrevista-lenda-inédita com o duo, para engrossar o caldo de sua torcida. Rolará em breve, fiquem ligados, poucos mas fieis leitores]

Confesso que não sou o cara mais crente em grandes prêmios tipo o Oscar, Grammy ou o de Música Brasileira. Não consigo não ver com desconfiança. Primeiro que o número excessivo de categorias sempre parece querer justificar alguma premiação sem merecimento. Quantos filmes, diretores, atores e compositores antológicos passaram em brancas nuvens nesta ou naquela edição do Oscar? Quantos escritores geniais morreram sem o Nobel de literatura? Por que Vargas Llosa demorou tanto a recebê-lo? O que justifica até hoje Saramago ser o único autor de língua portuguesa a ter recebido um? E nenhum brasileiro? A meu ver faltam critérios. Rabugice minha? Não creio.

Bom, mas hoje é dia de deixar ranzinzices de lado e torcer pelo “casal mais charmoso da música brasileira”, já saudado por Zeca Baleiro (olha aí um excelente nome que não figura entre os finalistas do Prêmio da Música Brasileira de 2011, do que era mesmo que estávamos falando?) como “o melhor acontecimento da música maranhense nos últimos vinte anos”, o Criolina (foto).

Não que o Criolina precise da chancela de algum prêmio, grande ou pequeno. A seleção de Telê Santana de 1982 não ficou para sempre nas memórias e corações dos brasileiros que assistiram ou não aquela fatídica copa?

O Criolina concorre em duas categorias e entre seus concorrentes/finalistas não há nada melhor que seu trabalho: original, sincero, autêntico, talvez até mesmo por ser gestado sem pressa e/ou preocupações com mercado, prêmios e quetais. O páreo é duro: mesmo a, er, “crítica”, er, “especializada”, é, às vezes, de um terrível mau gosto.

Torço pelo Criolina, mas não serei pego de surpresa se em vez de seu Cine Tropical, o melhor álbum escolhido for Cabaret do Rossi, de Reginaldo Rossi, ou 30 anos ao vivo, do Roupa Nova. Ou se a melhor dupla, em vez do Criolina, for Victor e Léo. Ou, pasmem, eles ainda estão vivos e ainda concorrem, Zezé Di Camargo e Luciano.

A premiação acontece hoje. Detalhes e lista completa de categorias e finalistas aqui.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

4 comentários em “Dá-lhe, Criolina!”

  1. O Zeca Baleiro ganhou o GP da Música Brasileira no ano passado. Neste ano, ele não teve significância nem para ser estar entre os indicados, mas estou dentro da torcida pelo Criolina. Abraço, querido!

    1. não acho que zeca deva ser indicado ou ganhar todo ano. gosto de concerto e trilhas (mas mais uma vez fala aqui o fã, não o jornalista) e eles poderiam, sim, figurar na lista de indicados. e não dá pra negar que baleiro é melhor cantor que qualquer dos três indicados a essa categoria em 2011 (fora outras onde ele poderia figurar). torçamos, ,mas, pena, dificilmente o criolina leva essa. abração!

  2. tb acho que Zeca deveria estar nesse prêmio.
    Tanto o Concerto como o Trilhas são primorosos.
    Salve Criolina!!!!!

    1. sou um grande fã de zeca, portanto suspeito, como sempre digo. mas discordo dos que dizem que zeca nunca mais conseguiu fazer um disco bom. concerto e trilhas são lindos. mesmo sendo o segundo uma coletânea (que pega o melhor de dos ótimos geraldas e avencas e de cubo, além de músicas inéditas em disco, de trilhas outras, para cinema e teatro). viva zeca! e viva o criolina!

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