Paródia é coisa séria

Com um terceiro CD no forno, Alberto Trabulsi concedeu entrevista a O Imparcial. Falou de seus trabalhos e abordou assuntos espinhosos.

ZEMA RIBEIRO
ESPECIAL PARA O IMPARCIAL

À redação de O Imparcial chegou o boato: Alberto Trabulsi (foto) estava com o baú cheio de novas paródias. Era preciso conferir. Sinal dos tempos, via Facebook, pegamos o seu contato de Messenger, por onde ele concedeu entrevista ao jornal. O boato não se confirmava, mas não íamos interromper a entrevista.

Cantor e compositor formado em Educação Física – e atualmente também acadêmico do 5º. período de Direito – Trabulsi completa 40 anos neste maio. Por cerca de uma hora e meia ele conversou com O Imparcial sobre arte, políticas públicas, gestão cultural e… paródias.

Paródias – “Eu faço todo ano, duas ou três, em média, para o bloco [Herdeiros do Aldemir] desfilar no carnaval. Mas só nesse momento. Tudo ficou mais conhecido depois do sucesso nacional de Wilson Vai [versão dele para I Will survive]. O público em geral não conhece. Só os integrantes do bloco. Tem pelo menos umas 20 que são desconhecidas de todos. São paródias de músicas conhecidas. Só troco a letra e às vezes dou um toque mais animado pra gente poder desfilar e dançar no carnaval, mas conservo o mais original possível.

Por exemplo: Você tinha…, em cima de Burguesinha, e Biba do cunovíneo, em cima de Mina do condomínio, de Seu Jorge fizeram sucesso, pois estavam em voga ano passado. São sempre músicas que estão fazendo sucesso, principalmente na TV, ou clássicos da música brasileira. Mas é preciso perceber uma coisa: todas têm duplo sentido porque a gente sai travestido sempre de mulheres. Outra que fez sucesso esse ano foi Eu quero é mostrar meu bofe na rua, em cima do clássico Eu quero é botar meu bloco na rua [do capixaba Sérgio Sampaio]”.

Trabalho sério – “As paródias são meu lado folião irreverente… que só funciona quando o carnaval se aproxima. O resto do ano faço minhas canções. São dois discos lançados [Antes que a poesia acabe, de 1998, e O silêncio, de 2002] e um no forno, precisando ser lançado”.

Maranhão: carnaval e São João – “Esses eventos [os períodos carnavalesco e junino] se transformaram numa corrida ao ouro. Há pessoas que se alimentam exclusivamente desses períodos e passam o ano inteiro reclusas, sem produzir nada de interessante em benefício da música e das pessoas que ainda querem a música como um alento prazeroso da vida.

Eu ando triste em pensar no destino dos artistas autorais do Maranhão, que se resumem apenas ao Maranhão, pois essa nem de longe é a mais viável via para o tão almejado sucesso”.

Os artistas e os poderes públicos – “O que acontece é que se vive na expectativa de o poder público fazer tudo pelo artista, mas o poder público deve estar em beneficio da população como um todo e apenas inserir a música, a arte, em um projeto maior. Não ficar apadrinhando uns e outros, porque isso exclui tanto o artista que está por vir, como o público que anseia por diversidades. Penso, utopicamente, num momento em que depois de tantas reviravoltas, a gente vai poder voltar às rádios, às praças, aos teatros”.

Uma paródia aos gestores, pelos 400 anos da Ilha – “Eu teria que fazer uma paródia de Geni e o zepelim [de Chico Buarque]ou mesmo de Faroeste Caboclo [da Legião Urbana, cita referindo-se ao tamanho das letras das músicas] para citar tudo que quero. Mas estou num projeto maior e mais audacioso, participando de um livro de fotografias de Meireles Jr., que irá retratar a cidade sobre todos os ângulos merecidos através de fotos e textos”.

Os 8 milhões da Beija-Flor – “Essa grana poderia ser aplicada em vários projetos, separadamente, com muito mais resultado social, que um dia de desfile. Mas o que acontece, e assim até concordo, é que se quisermos ser homenageados, temos que pagar. O carnaval é a festa mais popular do Brasil, logo é o maior outdoor também. Nós merecemos várias outras homenagens. Se parar por essa aí, vai ser um fiasco”.

[O Imparcial, 6/5/2011]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

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