EXIGÊNCIA DE DOCUMENTO COM FOTO PARA VOTAR CRIA NOVO CLIENTELISMO NO MARANHÃO

ELVIRA LOBATO
ENVIADA ESPECIAL AO MARANHÃO

DA FOLHA.COM

A exigência de apresentação de um documento com foto, além do título eleitoral, para votar criou um novo mercado para o clientelismo eleitoral no interior do país.

No Maranhão, cabos eleitorais pagam o transporte para jovens de famílias de baixa renda tirarem a carteira de trabalho, e ficarem aptos para a votação. A oferta pressupõe o compromisso de voto nos candidatos que bancam a viagem.

A reportagem da Folha ouviu relatos dessa compra indireta de votos nos municípios de Cachoeira Grande e de Morros, situados a cerca de 100 Km da capital maranhense, na região conhecida como Vale do Munin, em referência ao rio que corta as localidades.

A estudante Silmara Cruz, 18, contou que ela e a irmã Cecília, 19, tiraram carteira de trabalho dessa forma, na semana passada. Ela disse que viajou com mais sete jovens a Axixá, um município vizinho, para obter o documento, com passagem paga por pessoa ligada ao grupo de Roseana Sarney (PMDB).

A jovem é aluna do segundo grau do Centro de Ensino Tancredo Neves, uma escola pública estadual com 580 alunos. A diretora adjunta da escola, Marizete Santos, disse que a maioria dos estudantes não tem carteira de identidade, nem CPF, o que, inclusive, impede a participação deles nos exames do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Dos 68 alunos que concluíram o ensino médio na escola, no ano passado, 30 ainda não retiraram o histórico escolar por falta de carteira de identidade, o que dá uma dimensão do problema.

Aleff Oliveira Reis, 17, aluno do 2º ano do ensino médio, também viajou a Axixá, para tirar carteira de trabalho, com passagem custeada pelo PMDB.

O jovem disse que não conseguiu o documento no próprio município, porque a prefeitura alegou que estava sem o material para a emissão da carteira de trabalho.

Davi Teixeira, 18, mora com a avó, um prima, um irmão e um sobrinho, a 5Km de Morros. Ele e a avó plantam milho, mandioca e feijão para subsistência da família. O jovem cursa o 3º do ensino médio e não tem carteira de indenidade, nem a de trabalho, mas defende a exigência de um documento com voto para votação, para evitar fraude.

Disse que a situação financeira da família é muito difícil, e ele não pode gastar R$ 35 para ir a São Luís tirar a carteira de identidade. Disse que daria o voto para presidente a Dilma Rousseff, por causa de Lula, e que está indeciso em relação à eleição para governador.

Em Cachoeira Grande, estudantes contaram que os cabos eleitorais pagaram viagem até São Luís para a obtenção de carteira de identidade, e que enviavam uma pessoa na véspera para obter as senhas par agilizar o atendimento ao grupo.

Outro lado – A assessoria da governadora Roseana Sarney, que disputa a reeleição numa coligação de 16 partidos, negou que haja dificuldade para obtenção de carteira de identidade e CPF no Estado.

Segundo a assessoria, o governo mantém 20 ônibus equipados com material necessário para emitir os documentos, circulando pelos municípios, e não haveria “demanda reprimida”.

[Grifos do blogue]

ROSEANA SARNEY EM DOSE DUPLA (E NEGATIVA) NO ESTADÃO

Duas matérias recentes dO Estado de S. Paulo citando o nome da candidata da oligarquia ao governo do Maranhão.

EM DOIS ANOS, 70 ATENTADOS CONTRA A LIBERDADE

28 de setembro de 2010

Flávia Tavares
O Estado de S.Paulo

A imprensa brasileira teve 70 casos de atentado contra a liberdade de informação nos últimos dois anos, segundo relatório concluído ontem pela A Associação Nacional de Jornais (ANJ). O levantamento sobre a Liberdade de Imprensa no País lista casos de censura, ameaças, agressões a jornalistas e outras formas de pressão contra o direito à informação no período de agosto de 2008 a 27 de setembro de 2010. “É uma situação preocupante, pois todos os casos representam flagrante desrespeito à Constituição do País, afirma Ricardo Pedreira, diretor executivo da ANJ. Em anos anteriores, a ANJ chegou a constatar casos de morte de jornalistas brasileiros em decorrência do exercício profissional.

O relatório destaca a quantidade preocupante de censura por medida judicial: dos 70 casos, 26 correspondem a decisões do Poder Judiciário, sendo 10 medidas restritivas determinadas pela Justiça Eleitoral. Em quatro delas, membros do próprio Judiciário foram responsáveis pelas ações contra reportagens que os envolviam.

O levantamento da ANJ destaca o aumento de decisões judiciais proibindo jornais de publicar reportagens sobre determinados temas ou com certo tipo de conteúdo, em período eleitoral ou não. “Nesses dois anos, foram 20 casos denunciados pelo Comitê de Liberdade de Expressão como episódios de censura, em flagrante desrespeito pelo espírito e letra da Constituição Federal”, aponta a ANJ.

Entre eles, estão os dois episódios de censura ao Estado. O primeiro é o da publicação de reportagens sobre a Operação Boi Barrica, em vigor desde 1º de agosto de 2009. A operação da Polícia Federal investiga Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney, suspeito de fazer caixa 2 na campanha de Roseana Sarney na disputa pelo governo do Maranhão em 2006. O segundo é a da liminar do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, que proibiu 84 meios de comunicação de divulgar notícias sobre uma investigação do Ministério Público de São Paulo envolvendo o governador do Tocantins e candidato à reeleição, Carlos Gaguim (PMDB).

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ROSEANA É ALVO DE SETE REPRESENTAÇÕES POR ABUSO DE PODER POLÍTICO E ECONÔMICO

Em duas, Ministério Público Eleitoral (MPE) já instaurou procedimento administrativo investigatório

27 de setembro de 2010

Wilson Lima, de O Estado de S.Paulo

SÃO LUIS – A governadora do Estado do Maranhão e candidata a reeleição, Roseana Sarney (PMDB), já é alvo de sete representações no Ministério Publico Eleitoral (MPE) por indícios de abusos de poder político, econômico e captação ilícita de sufrágio.

Destas sete representações, seis foram impetradas pela coligação “Muda Maranhão”, do candidato ao governo do Estado Flávio Dino (PCdoB) e a outra pelo PSDB, integrante da coligação “O Povo é Maior”, do ex-governador Jackson Lago. Duas destas representações (uma do PCdoB e a do PSDB) já foram acolhidas pela procuradora eleitoral maranhense Ana Carolina da Hora Hörn e transformadas em procedimento administrativo do MPE.

Um dos procedimentos administrativos instaurados pelo MPE investiga uma denúncia feita pelo PSDB, de que a governadora teria utilizado, dia 05 de setembro, o campus da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), como ponto de encontro de uma carreata. O PSDB realizou gravações da carreata e denunciou o fato no horário político do partido. Conforme o PSDB, a conduta infringe o artigo 37 da lei 9.504/1997. O governo do Estado negou a utilização irregular do espaço da Universidade.

O outro procedimento do MPE já instituído diz respeito a possíveis irregularidades no uso da propaganda institucional adotada pelo governo Roseana Sarney desde abril. Os comunistas alegam que a propaganda institucional foi utilizada para atingir adversários, não para promover ações do governo. O governo do Estado também negou desvirtuamento de propaganda institucional.

A coligação de Flávio Dino também denunciou a governadora por ter implementado, em ano eleitoral, um programa de doações de casas à pessoas carentes, sem projeto de execução orçamentário aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado. Na representação da coligação comunista, a governadora implementou o programa, chamado “Viva Casa”, apenas por meio de decreto. O programa recebeu recursos, conforme a coligação de Dino, da ordem de R$ 62,8 milhões. Esse crime, até ontem, ainda não havia se transformado em procedimento administrativo do MPE.

Os advogados de Dino alegam que esse projeto de distribuição de casas é um crime eleitoral similar ao cometido pelo ex-governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). Lima foi acusado de ter distribuído R$ 3,5 milhões em cheques para eleitores dentro de um projeto assistencial em ano eleitoral.

BATUQUE MARANHENSE NOS STATES

Materinha que saiu n’O Debate de hoje. Luiz Cláudio (percussão) já toca hoje no Battery Park Gardens, com Rubens Salles (piano) e Jon Delucia (saxofone). Entre 10 e 13 de outubro, ele grava no disco de Salles and Artmann Quartet.

LUIZ CLÁUDIO IN USA

Percussionista brasileiro mostrará nos EUA ritmos maranhenses como o bumba-meu-boi e o tambor de crioula

POR ZEMA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Paraense de nascimento, maranhense de paixão, o percussionista Luiz Cláudio é dos grandes nomes da arte dos batuques e tambores no Brasil. Nascido lá em 1964 e morando cá há mais de 30 anos, chegou ao Maranhão como tradutor, atividade que desenvolve até hoje, em paralelo com sua grande paixão: a percussão.

Reconhecidamente um dos melhores do país, em cuja seleção tranquilamente figuraria ao lado de craques como Naná Vasconcelos, Marcos Suzano e o saudoso argentino-brasileiro Ramiro Musotto, entre muitos outros, o bamba já tocou com grandes nomes da música brasileira e internacional, em discos e/ou shows: Celso Borges (XXI e Música), Cesar Teixeira (Shopping Brazil), Ceumar (Dindinha), Chico Maranhão, Layne Redmond, Lena Machado (Samba de Minha Aldeia), Lopes Bogéa (Balançou no congá), Marcos Suzano, Nelson Ayres (com quem gravou na trilha do longa Meninas do ABC, de Carlos Rosembach), Naná Vasconcelos, Robin Eubanks, Rubens Salles (Munderno), Swami Jr., Toninho Ferragutti e Zeca Baleiro (Vô imbolá), para citar apenas alguns.

A convite do pianista Rubens Salles, Luiz Cláudio viajou para os Estados Unidos. O Debate conversou rapidamente com o percussionista por e-mail. Ele respondeu as perguntas já na América do Norte.


[O percussionista Luiz Cláudio durante a mais recente edição do Lençóis Jazz e Blues Festival. Foto: Amanda Freitas]

O Debate – Como surgiu o convite para a viagem, dar oficina em Berkeley?

Luiz Cláudio – O convite veio do pianista Rubens Salles para gravar o cd de seu quarteto e fazer algumas gigs aqui [nos Estados Unidos]. Vou fazer uma oficina na Juilliard School of Music em Manhantan, mas a Berkeley ainda não está confirmada, estou aguardando a confirmação esta semana.

O Debate – O que significa para você tocar ao lado destas feras, em palcos fora do Brasil?

LC – É uma experiência rara e inenarrável. Eles estão curtindo os ritmos do Maranhão, ficaram impressionados com a polirritmia do bumba-meu-boi e do tambor de crioula, por exemplo. Os músicos que fazem partem do quarteto são bastante conhecidos na cena do jazz americano e internacional. Pra você ter uma ideia, o batera que iria tocar no cd seria o Antonio Sanches, do Pat Metheny, mas devido a sua agenda, foi substituído por outro do mesmo porte, que toca com Jamie Baun e Madelain Perroux, entre outros. O nível é muito alto.

O Debate – Quanto tempo vais ficar fora?

LC – Uns 20 dias, com possível prorrogação, quem sabe.

O Debate – Além da participação nos Estados Unidos, que outros projetos tu estás desenvolvendo atualmente?

LC – Estou começando este projeto de intercâmbio com Nova York. Possivelmente levarei músicos daqui [dos Estados Unidos para o Maranhão] para conhecerem nossa música, ritmos, costumes etc. E tenho vontade de apresentar alguns trabalhos daí [Maranhão] para produtores americanos.

PERCUSSÃO: LUIZ CLÁUDIO

Cinco discos em que o percussionista aparece na ficha técnica, comentados brevemente pelo próprio.

Vô imbolá (2000), Zeca Baleiro
“Sensação de euforia, de pisar em grandes palcos e turnês”

Dindinha (2000), Ceumar
“Realização, pois participei dos arranjos”

Balançou no congá (2008, póstumo), Lopes Bogéa
“Saudosismo de um tempo que não volta mais na nossa música. Um mestre de importância suprema para a nossa música”

Samba de Minha Aldeia (2010), Lena Machado
“Prazer em trabalhar com ela e o Luiz Jr. dirigindo”

Munderno (2010), Rubens Salles
“Possibilidade de usar os ritmos maranhenses e mistura-los com o jazz, clássico e outros gêneros. É o trabalho que me trouxe até Nova York”

MARANHÃO NA TELA PODE NÃO ACONTECER EM 2010

Sem recursos, festival corre risco de não acontecer em 2010. O Debate entrevistou Mavi Simão, sua idealizadora e produtora

POR ZEMA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Ao tempo em que tem um dos mais antigos festivais de cinema e vídeo do Brasil, o Guarnicê, com 33 edições realizadas, São Luís do Maranhão padece com a falta de espaços para a exibição de filmes de arte – ou ao menos fora do padrão comercial americano. Resiste bravamente o Cine Praia Grande, encravado no bairro homônimo, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. Apesar da inauguração de mais meia dúzia de salas em um shopping recém-instalado na capital, estas somam-se às de outro na missão de quase sempre reproduzir o padrão hollywoodiano, raras exceções para filmes nacionais de gosto duvidoso – exceções há – e, em voga agora, documentários sobre times (e suas torcidas) de futebol – nada contra.

Realizado em São Luís desde 2007, o festival Maranhão na Tela vinha, ano após ano, somando-se ao Guarnicê de mais de três décadas, na trincheira de mostrar ao público maranhense produções que não costumam frequentar as salas comerciais. O Maranhão na Tela, aliás, não se resumia às sessões de exibição de filmes: atividades de formação e fóruns de debates, somadas a presença de diversos realizadores em geral longe de holofotes mais novelescos, ajudavam a mostrar seu diferencial.

Os verbos no pretérito nos parágrafos acima apenas traduzem a real situação por que passa hoje o Maranhão na Tela: anualmente o festival acontece em dezembro, mas todo o segundo semestre é movimentado por ele, em atividades prévias – oficinas de produção, por exemplo, tinham o resultado exibido durante o festival. Hoje, sua produção se vê às voltas com o fantasma da possível não-realização em 2010.

O projeto da edição deste ano do Maranhão na Tela tem aprovados para captação pela Lei Rouanet no Ministério da Cultura R$ 700 mil. Nas edições anteriores captou 315 mil reais (2009), 245 mil (2008) e 125 mil (2007). De acordo com a produção, “ao menos 100 mil reais são necessários para não deixar de realizar o festival este ano e ganhar tempo para correr atrás para o ano que vem”.

O Debate conversou com Mavi Simão, sua idealizadora e produtora. Do Rio de Janeiro, onde mora, ela respondeu às perguntas por e-mail.


[A produtora Mavi Simão luta para realizar o Maranhão na Tela em 2010. Foto: divulgação.]

O Debate – O Maranhão na Tela 2010 está aprovado na Lei Rouanet, podendo captar até 700 mil reais. Quanto, de fato, é necessário para a realização da quarta edição do festival, mantendo a qualidade e o nível da programação dos anos anteriores?

Mavi Simão – Se pudéssemos contar com um recurso de 250 mil reais dava para manter parte das ações, com a mesma qualidade ou até melhor, já que procuramos sempre evoluir com o aprendizado dos anos anteriores. Mas como estamos praticamente no mês de outubro, algumas ações já foram inviabilizadas por conta do pouco tempo que temos para produzir. Algumas oficinas, por exemplo, já foram inviabilizadas, pois há todo um processo de envolvimento dos jovens e seleção de personagens, produção, edição, enfim. Geralmente essa produção começa em agosto para filmarmos em outubro. Dá para envolver jovens egressos das oficinas anteriores em todas as demais ações e também homenagear os mestres que já participaram da série. Realizar quatro edições dos cursos teóricos também não é mais possível. Com o prazo que temos hoje, conseguiríamos fazer dois cursos, no máximo.

O Debate – Que contatos a produção do Maranhão na Tela já fez? Quem já deu “nãos”?

MS – Os contatos ao longo do ano foram com a Vale, que nos patrocinou em 2007 e 2008. Deixou de patrocinar por causa do ECAD [o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais], pelo menos é isso o que alegam. O ECAD nos cobra R$ 8,5 mil e como entramos na justiça questionando a cobrança, eles enviam notificações aos patrocinadores, cobrando o pagamento. Na MPX/EBX elogiaram muito o projeto, o relatório com os resultados, o retorno de mídia, mas não renovaram porque os mais altos diretores não aprovaram nenhum investimento em projetos sócioculturais no Maranhão. Explorar os recursos naturais do estado eles fazem com muito gosto! Na hora de devolver, pelo menos um pouquinho… O Sebrae Maranhão já confirmou a continuidade do patrocínio, ainda que pequeno [cerca de R$ 50 mil, com o risco de interrupção ano que vem, por conta de uma provável mudança de gestão]. O Sebrae Nacional também prometeu apoiar, com um recurso pequeno [aproximadamente R$ 30 mil. O projeto está sendo analisado pela equipe de marketing e a resposta deve sair na primeira quinzena de outubro]. Na Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão nosso diletíssimo secretário [Luiz Henrique de Nazaré Bulcão] nem ao menos me recebeu. E olha que tentei muito! Depois de um longo namoro, iniciado em 2007, com o SESI/FIEMA, finalmente ia sair o casamento. Tudo aprovado [R$ 150 mil], mudou a presidência da FIEMA e a área de cultura foi integrada à de esporte. O diretor do SESI e a coordenadora de cultura não estão mais lá [não sabe dizer se foram exonerados] e tudo foi por água abaixo. Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia/Univima: disseram que vão apoiar com material gráfico, por conta de terem dado o cano na gente ano passado. Na gestão do professor Othon [Bastos, ex-secretário de estado de Ciência e Tecnologia] eles eram grandes parceiros, agora ‘tá meio complicado. A Cemar também ia apoiar [entre R$ 10 e 15 mil], mas nosso contato também saiu de lá. O Ministério da Cultura poderia nos apoiar [cerca de R$ 50 mil] via FNC [o Fundo Nacional de Cultura], mas a solicitação tem que ser feita por uma ONG e não consegui um parceiro para isso, o que é meio complicado por conta da responsabilidade que a ONG assumiria sobre o recurso liberado. Inscrevi o projeto no edital da Petrobrás, mas não rolou. Pelo que vi na lista dos festivais selecionados, eles só patrocinam projetos consolidados, com mais de 10 edições. Mas como a gente se consolida sem patrocínio? Na Eletrobrás, idem. A FUNC [Fundação Municipal de Cultura de São Luís], sem recursos, a Secretaria Municipal de Turismo também.

O Debate – Você acredita que o fato de estarmos num ano eleitoral ajuda ou atrapalha? Por quê?

MS – Atrapalha muito! Tudo passa a girar em função disso. O projeto perdeu totalmente a importância e a prioridade, além do fato de que a campanha eleitoral inflaciona o mercado de serviços.

O Debate – E o fato de você morar no Rio de Janeiro, ajuda ou atrapalha?

MS – Ajuda e atrapalha! Ajuda na questão do conteúdo do projeto, pois daqui podemos ter contato direto com diretores, produtores, atores, professores, oficineiros, diretores de festivais, canais de televisão etc. Isso amplia e fortalece nosso raio de ação, além de promover uma troca mais intensa e de boa qualidade. E atrapalha na questão da captação de recursos locais, pois sou vista como uma pessoa “de fora” tentando “tomar” espaço de quem mora aí, o que não é verdade! Se tivéssemos regularidade de recursos, editais, políticas e mecanismos claros, a distância não seria problema, pois temos uma equipe ótima aí e ela poderia passar a ser fixa, com base própria e tudo mais, o que é o ideal.

O Debate – Que planos-b estão sendo pensados pela produção do Maranhão na Tela?

MSOu conseguimos recursos para essa edição ou o projeto acaba. Se rolar só o recurso do Sebrae, vamos focar na realização do festival, enxugando o possível e o impossível para ganharmos fôlego pra recomeçar a batalha no ano que vem, quando o projeto completará cinco anos, com nova Lei Rouanet, sem eleições, enfim, com um cenário mais estável e favorável. Nossas intenções sempre foram as melhores e mais sérias, nunca pensei em fazer um projeto pra inglês ver. Sou apaixonada pelo Maranhão na Tela, acredito fortemente que o Maranhão tem um potencial enorme para virar pólo de produção cinematográfica regional. Vibro com os resultados e o envolvimento dos jovens, dos alunos, do público do festival. Esse projeto tem sido minha vida há quatro anos e estou muito, muito triste em vê-lo nessa situação. O Maranhão merece o Maranhão na Tela e vou continuar lutando até o último instante.

[O Debate, hoje]

SESI BONECOS NOVAMENTE EM SÃO LUÍS

Festival SESI de bonecos acontece na Praça Maria Aragão dias 25 e 26 de setembro

POR ZEMA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Muitos ludovicenses ainda lembram da primeira vez em que viram aqueles caminhões estacionados nos arredores da Praça Maria Aragão. Seja pelos bonecos, seja pelo show da hoje saudosa Cordel do Fogo Encantado, a banda pernambucana então comandada por Lirinha, um acontecimento inesquecível o Festival SESI de bonecos, realizado então pela primeira vez na capital maranhense.

A Praça Maria Aragão torna-se novamente seu palco: dias 25 (sábado) e 26 (domingo), São Luís recebe o Festival SESI Bonecos do Brasil 2010. Serão 17 espetáculos gratuitos encenados por 13 companhias de nove estados. As apresentações acontecem entre 16h30min e 20h e são gratuitas. Manaus/AM, Belém/PA e Teresina/PI já receberam o evento este ano e ele ainda passará por Boa Vista/RR.


[Espetáculo durante a passagem do festival por Manaus/AM]

A curadoria do festival é de Lina Rosa Vieira, que o idealizou. O Festival acontece de forma ininterrupta, percorrendo diversas cidades brasileiras, desde 2004, somando mais de 1,5 milhão de espectadores. Do Maranhão, o Grupo Laborarte integra a programação de 2010.

Engana-se quem pensa que a contação de histórias por meio de bonecos visa apenas o público infantil. O Festival SESI prova o contrário e este é um dos grandes trunfos para reunir tanta gente. Além disso, equipamentos de última geração são usados para garantir a qualidade dos espetáculos, que passam por criteriosa seleção antes de integrar as caravanas.


[Bonecrônicas, da Animasonho (RS)]

Além do Laborarte (MA), participam da etapa ludovicense do festival as companhias Catibrum (MG), Terno Teatro (MG), XPTO (MG), Ateliê ao Vivo dos Mestres Mamulengueiros (PE/RN), Mamulengo Presepada (DF), Mão Molenga (PE), Contadores de História (RJ), Anima Sonho (RS), Trip Teatro de Animação (SC), Pia Fraus (SP) e Truks (SP).

Saiba mais – No site do festival é possível acessar toda a programação, ler as sinopses dos espetáculos, conhecer um pouco mais da história das companhias, além de outras notícias.

[DO Debate de hoje. Fotos: SESI/Divulgação]

SEIS ÀS SEIS

Materinha que saiu nO Debate de ontem. Acabou assinada, embora eu mesmo só tenha (re-)escrito os dois primeiros paragrafinhos. As datas já estão corrigidas, para quem (só) lê aqui (e hoje).

UFMA EM SEIS TÍTULOS

UFMA lança amanhã primeira metade dos volumes da coleção CCSo Teses e Dissertações previstos para 2010

POR ZEMA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Com o lançamento de nada menos que seis títulos a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) inaugura hoje (23) a Coleção CCSo Teses e Dissertações 2010. A noite de autógrafos coletiva acontece a partir das 18h, no Palácio Cristo Rei (Praça Gonçalves Dias, Centro), e dela participarão os professores/as-autores/as Maria do Socorro Sousa de Araújo, Maria José Cardozo, Francisco Gonçalves da Conceição, Marilete Geralda da Silva, Carlos Agostinho Macedo Couto e Silvana Vetter.

A seleção das publicações aconteceu por meio de edital e ainda este ano mais seis títulos serão publicados. Entre os lançamentos de amanhã temas como política, sociedade, pobreza, educação, comunicação e terceira idade. A Editora da UFMA (Edufma), que publica todos os títulos, passou recentemente por melhorias.

Títulos
Veja abaixo um breve resumo das obras*

Fome de pão e de beleza: pobreza, filantropia e direitos sociais, da Profª. Dra. Maria do Socorro Sousa de Araújo – A partir de uma perspectiva que busca dar conta da fronteira entre filantropia e direitos sociais, a autora nos conduz por uma análise do denominado Fome Zero como expressão do movimento pendular entre políticas estruturais, ações emergenciais e mobilização social. A diferença entre filantropia e direitos sociais é percebida, não através de binarismos, mas como sugere Hall, como place de passage e significados que são posicionais e relacionais, sempre em deslize ao longo de um espectro sem começo nem fim.

Reforma do Ensino Médio, da Profª. Drª. Maria José Cardozo – A obra situa-se no contexto da atual crise do capital, num momento em que a chamada acumulação flexível vem provocando mudanças significativas no emprego, no mercado de trabalho, nas formas de representação sindical e política dos trabalhadores e nos perfis de qualificação e formação dos trabalhadores.


[O Dissídio das Vozes – A política dos jornais segundo os manuais de redação Folha, Estado e Globo. Capa. Reprodução]

O Dissídio das Vozes – A política dos jornais segundo os manuais de redação Folha, Estado e Globo, do Prof. Dr. Francisco Gonçalves da Conceição – O livro é resultado de pesquisa desenvolvida sobre a racionalização das práticas discursivas dos jornais, aqui entendidos como instituições e produtos, e a regulação de espaços públicos na sociedade brasileira. Para efeito desta investigação, o autor tomou como referência específicos processos de racionalização empreendidos pelos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, a partir dos anos 1980 e 90. Nesse período, os jornais produziram e disponibilizaram para o grande público, através da venda em rede de livrarias, seus manuais de redação e estilo, que podem ser classificados por tecnologias de produção discursiva.

Crianças Diagnosticadas com TDA/H, da Profª. Dra. Marilete Geralda da Silva – A autora focaliza as relações entre as expectativas dos pais e a sua participação na escola, analisando a complexidade dessas relações. O interesse deste trabalho é fornecer indicações para os pais das crianças que estão, geralmente, muito sensibilizados pela situação. Estão tão mobilizados pela agitação e imprevisibilidade do cotidiano, que têm dificuldades de avaliar suas expectativas e de como podem participar da escolarização sem atrapalhar a aceitação de seus filhos. Permite aos professores entender melhor seus alunos e as respectivas famílias. Efetivamente, para os professores, as crianças com TDA/H não correspondem aos alunos ideais, mas a seu exato contrário. São desatentos, irrequietos, não conseguem ficar parados, nem sentados. Apesar de poder aprender e, geralmente, não apresentar atrasos intelectuais, eles perturbam a situação escolar clássica. Às vezes, são considerados alunos muito mais difíceis que crianças deficientes mentais, com menos possibilidades de aprendizagem, mas bem mais sossegadas.


[Estado, Mídia e Oligarquia. Capa. Reprodução]

Estado, Mídia e Oligarquia, do Prof. Dr. Carlos Agostinho Macedo Couto – O trabalho que aqui se desenvolve pretende expor a relação dos meios de comunicação de massa com o mundo da política, com os partidos políticos, com o Estado e com as possibilidades de conquista e/ou manutenção do poder a partir da utilização desses meios, tendo como base as relações do poder instituído e de grupos político-partidários com veículos de comunicação do estado do Maranhão.


[Memórias de leitura de pessoas idosas. Capa. Reprodução]

Memórias de Leitura de Pessoas Idosas, da Profª. Ms. Silvana Vetter – Investigar as memórias de leitura de pessoas idosas é reviver o passado. Para isso a autora recorreu à História Oral com o intuito de buscar o entendimento das memórias de leitura dessas pessoas, organizando as diferenças, ausências e conquistas relatadas por elas, através de categorias como: história cultural, oral e de vida; aspectos sociais da memória; aspectos sócio-históricos e memória da educação; leitura e pessoas idosas.

Serviço

O quê: Noite de autógrafos coletiva: Coleção CCSo Teses e Dissertações 2010.
Quem: os professores/as-autores/as Maria do Socorro Sousa de Araújo, Maria José Cardozo, Francisco Gonçalves da Conceição, Marilete Geralda da Silva, Carlos Agostinho Macedo Couto e Silvana Vetter.
Onde: Palácio Cristo Rei (Praça Gonçalves Dias, Centro).
Quando: quinta-feira (23), às 18h.
*As sinopses dos livros são da assessoria. O valor de venda dos mesmos não foi informado.

MÉDICA É PRESA SOB SUSPEITA DE TROCAR CONSULTAS POR VOTOS PARA ALIADOS DE ROSEANA

SILVIA FREIRE
DE SÃO PAULO
Da Folha.com

A Polícia Federal prendeu hoje em flagrante uma médica suspeita de realizar consultas em troca de votos em uma casa em um bairro de classe média alta de São Luís (MA).

No local onde eram realizados os atendimentos, a PF encontrou material de campanha dos candidatos a deputado estadual e federal Manoel Ribeiro (PTB) e Luciano Moreira (PMDB), ex-secretário da Administração da governadora Roseana Sarney (PMDB).

Foram encontrados também medicamentos de uso exclusivo em hospitais, com venda proibida no varejo, e títulos de eleitor.

Os muros e as paredes da casa onde estavam sendo realizadas as consultas tinham colados cartazes da governadora Roseana Sarney, que disputa a reeleição, e do candidato a deputado estadual Ricardo Murad (PMDB), cunhado de Roseana e ex-secretário da Saúde.

Uma paciente que estava sendo atendida no momento da ação e a dona da casa onde as consultas eram realizadas também foram presas em flagrante, segundo a PF.

A denúncia de compra de votos em troca de consultas médicas chegou à Procuradoria Regional Eleitoral do Maranhão, que solicitou a investigação à PF. O nome da médica presa não foi divulgado pela PF.

A assessoria da candidata ao governo disse que não tinha informação sobre a prisão e que há cartazes dela por toda a cidade. A Folha não conseguiu localizar os candidatos Ribeiro e Moreira.

2010: O ANO BALEIRO

Zeca Baleiro lança dois discos, dois livros, realiza programa de rádio na internet e estreia espetáculo infantil em pacote que comemora 13 anos de carreira

POR ZEMA RIBEIRO
DA REDAÇÃO


[Baleiro em Concerto, o show. Foto: divulgação]

Fugindo das efemérides das datas redondas, o maranhense Zeca Baleiro ousa mais uma vez: lançou, mês passado, dois discos: Concerto, gravado ao vivo com apenas três músicos – ele próprio (voz e violões), Swami Jr. (violão de sete cordas e vocais) e Tuco Marcondes (violão, guitarra, bandolim, gaita e vocal) – e Trilhas – Música para cinema e dança, coletânea de trilhas sonoras que tem composto para cinema e balés.

Os lançamentos integram o pacote com que Zeca Baleiro comemorará os 13 anos de carreira, em 2010, considerado por ele o “ano Baleiro”. Além dos discos, o cantor e compositor vem apresentando desde abril o programa Biotônico, quinzenal, na Rádio Uol, ao lado dos amigos Celso Borges, poeta e jornalista, e Otávio Rodrigues, jornalista e dj. Ainda este ano serão lançados Bala na Agulha (Reflexões de boteco, pasteis de memória e outras frituras) e Vida é um Souvenir made in Hong Kong – Livro de Canções. Artista workaholic, as comemorações dos 13 anos de carreira incluem ainda a estreia do espetáculo infantil Quem tem medo de Curupira? O pacote tem o singelo título Vocês vão ter que me engolir.

“Havia vários projetos que estavam guardados na gaveta e com a chegada dos 13 anos de carreira, nesse ano de 2010, achei que esse seria um bom pretexto pra fazer disso uma pequena celebração. Não tenho um grande fetiche por números mas o número 13 é um número que me atrai, assim como o número 17. Como eu não gostaria de esperar até os 17 anos de carreira, eu já resolvi fazer agora”, explica Baleiro ao ser indagado sobre o porquê de lançar tanta coisa ao mesmo tempo.


[Concerto. Capa. Reprodução]

Concerto – Ele explica ainda que o show e o disco nasceram da vontade que ele tinha de fazer um show basicamente de violões. “Juntei dois músicos que eu admiro muito, que eu gosto bastante, são músicos de técnicas declaradamente de origens diferentes, mas que têm afinidades”.

Aparecem em menor número as composições autorais em Concerto: A depender de mim, Canção pra ninar um neguim (regravação da homenagem a Michael Jackson já lançada por Renato Braz), Milonga del mejor (parceria com Vanessa Bumagny), Armário (bem humorada sobre o universo gay), Bangalô (parceria com Vander Lee em que brincam com palavras estrangeiras) e a faixa-bônus, gravada ao vivo em estúdio Mais um dia cinza em São Paulo.

As demais faixas são regravações, que bem traduzem suas influências e preferências: entre outras, Autonomia (Cartola), “a mais bela melodia dele”, Eu não matei Joana D’Arc (Marcelo Nova e Gustavo Mullem), “clássico do punk rock brasuca em versão medieval”, Respire fundo (Walter Franco), “escolhida entre tantas composições geniais de sua lavra”, Tem francesa no morro (Assis Valente), “com nuances de afrobeat e gospel”, e Best of you (Foo Fighters), “quando ouvi este rock melodioso e pesado logo imaginei uma versão mais acústica e suave”, entre aspas as opiniões e observações de Baleiro sobre suas escolhas.

Concerto foi gravado ao vivo no Teatro Fecap, em São Paulo, após test-drives em Belém/PA e Recife/PE. Na capital paulista o espetáculo permaneceu em cartaz por três semanas consecutivas. O show chega à São Luís no próximo dia 8 de outubro, com hora, local e valor dos ingressos a confirmar.


[Trilhas – Músicas para cinema e dança. Capa. Reprodução]

TrilhasTrilhas – Música para cinema e dança funciona (e assim deve ser) como uma coletânea de raridades. Parte do que se ouve no disco não tinha registro e outras o tinham em discos de tiragem limitada. Das 12 faixas, quatro são instrumentais. Apenas Cunhataiporã (Geraldo Espíndola) não leva a assinatura de Baleiro.

O público poderá ouvir trechos das trilhas de dois filmes e três espetáculos: Flores para os mortos (1999), dirigido por Joel Yamaji, Carmo (2008), dirigido por Murilo Pasta, Mãe gentil (2000), Cubo (2005), do grupo Lúdicadança, e Geraldas e avencas (2007), do Grupo 1º. Ato.

“Eu sempre tive um interesse muito grande por trilhas, tanto como ouvinte como fazedor. Eu comecei fazendo trilhas para espetáculos infantis, diversas montagens, ainda em São Luís do Maranhão”, lembra Zeca Baleiro. Tanto as faixas de Trilhas quanto as de Concerto mostram toda a versatilidade, seja enquanto compositor, intérprete ou arranjador.

Os livros de Zeca Baleiro devem ser lançados ainda este mês: o de canções sai pela Editora da Universidade Federal de Goiás, com ilustrações do artista Roger Mello, em tiragem limitada. A designer Andréa Pedro, há um bom tempo responsável pelo tratamento visual do trabalho do autor de À flor da pele, assina o projeto gráfico do pacote Vocês vão ter que me engolir.

[O Debate, ontem]

NO MARANHÃO, GASOLINA GRÁTIS PARA IR À CARREATA DE ROSEANA SARNEY

POR EVANDRO ÉBOLI
DE O GLOBO


[No Maranhão, motoqueiros com bandeira de campanha do deputado estadual Ricardo (Murad), cunhado de Roseana (Sarney) e um dos coordenadores de campanha, abastecem no posto Jeanne, em Codó/MA. Foto: Evandro Éboli]

CODÓ (MA) – Duas horas antes da chegada de Roseana Sarney – ou apenas Roseana – a Codó, no domingo, havia um congestionamento de motos numa fila desorganizada em frente a uma bomba de gasolina no Auto Posto Alencar. Cada motoqueiro recebeu, de graça, três litros de gasolina. Em troca, eles teriam que engrossar a “carreata da vitória” de Roseana, pendurando uma bandeira da candidata na garupa. O carona poderia ir balançando a bandeirola também. (Leia também: Na campanha pelo governo do Maranhão, Roseana deixa de ser Sarney e cola em Lula e Dilma )

“Se não estiver na carreata, vai devolver o dinheiro”

Um fiscal acompanhava de perto cada abastecimento, anotava placa da moto, o nome do motoqueiro, dava instruções aonde ir e alertava a militância remunerada:

“Se não estiver na carreata, vai ter que devolver o dinheiro. Vamos atrás”, avisou um dos fiscais ao grupo.

Perguntado quem estava pagando, respondeu seco:

“Um deputado aí, pessoal da Roseana”, disse, desconfiado.

No posto, a gasolina acabou.

“Nunca vendeu tanto aqui. Nesses dias, foram umas 3 mil motos e carros abastecendo, por conta dos homens”, calculou o frentista.

Sobrou motoqueiro em busca da gasolina. Cada litro, na cidade, custa R$ 2,67.

“Com essa gasolina, dou as voltinhas que pediram e ainda sobra (gasolina) para eu andar mais uma semana”, disse Alexandre da Silva, um dos beneficiados, lembrando que uma moto pequena faz de 40 a 50 quilômetros por litro de gasolina.

Em outro posto, o Jeanne, também formaram-se filas. Os motoqueiros já chegavam com a bandeira de Ricardo Murad pendurada na garupa. O cunhado de Roseana é candidato à reeleição como deputado estadual e um de seus principais cabos eleitorais.

Candidato, cunhado também tira o sobrenome: é só Ricardo

Murad foi secretário de Saúde da cunhada e tem o maior comitê eleitoral em Codó, de onde as motos saíam para o posto. Como a governadora, ele não usa o sobrenome na campanha, e se apresenta apenas como Ricardo.

As motos abriam a carreata. Atrás, iam dezenas de carros. Roseana estava numa caminhonete, protegida do sol. A seu lado, estavam os candidatos a senador Edson Lobão e João Alberto.

A assessoria de Roseana negou ter financiado a gasolina dos motociclistas, e informou não autorizar qualquer aliado a adotar o procedimento.

“A campanha de Roseana prima pela lei, pelo cuidado com esse tipo de coisa, porque sabe que é uma vitrine”, disse Sérgio Macêdo, chefe de Comunicação da campanha.

Leia a matéria na página de O Globo.

RICARDO MURAD FAZ PROPAGANDA; CRIANÇAS MORREM

Deu no UOL: eis o que, de fato, Ricardo Murad fez pela saúde do Maranhão: enquanto o ex-secretário de saúde de Roseana Sarney alardeia aos quatro ventos a construção de 72 novos hospitais, além de diversas unidades de pronto atendimento (UPAs), crianças morrem por falta de UTIs, em Impeatriz/MA, cidade que não tem sarneys e murads entre seus prediletos nas urnas. Os óbitos – já são 40 em 2010 – eles escondem. Provavelmente atrás da porta em que deixam os sobrenomes ao sair de casa.


[O ex-secretário de saúde roseanista Ricardo Murad recebe correligionário não-identificado no conforto do Hotel Luzeiros (detalhe), na Ponta do Farol, em São Luís/MA – não à toa o empreendimento tem como slogan “seus negócios à beira mar”. O fotógrafo preferiu o anonimato. A foto é exclusiva do blogue]

FALTA DE LEITOS CAUSA 40 MORTES EM IMPERATRIZ/MA

Do UOL

São Paulo – Quarenta crianças morreram neste ano em Imperatriz (MA) à espera de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Em menos de nove meses, o número de mortes se aproxima do total de 2009: 43.

Segundo o promotor João Trovão, houve poucas mudanças após as primeiras denúncias relacionadas à falta de leitos. Apenas sete leitos foram instalados no Hospital Municipal de Imperatriz, e os recursos do Ministério da Saúde prometidos para ajudar na reestruturação da saúde nunca foram alocados, segundo ele. “Somos obrigados a ajuizar liminares para conseguir atendimento a dezenas de crianças, mas nem sempre as ações são deferidas a tempo. Acho que o número de mortes em 2010 será maior que em todo o ano passado”, afirmou Trovão.

A Secretaria Estadual de Saúde, porém, não concorda com os números apresentados. “É preciso fazer um estudo mais preciso sobre essas mortes. Nem todas são fruto realmente da falta de UTI”, disse o secretário de saúde, José Márcio Leite.

Em abril, o ministério aprovou um plano de estruturação da saúde de Imperatriz que previa investimento de R$ 11,3 milhões. Desses, R$ 4,1 milhões para infraestrutura e R$ 7,2 milhões para ampliação do atendimento e abertura de leitos de UTI. Além da instalação de leitos de UTI no Hospital Municipal, esses recursos também previam a criação de 27 leitos de UTI neonatal no Materno Infantil de Imperatriz.

O secretário de Saúde do Maranhão informou que o espaço físico da UTI neonatal em Imperatriz está pronto, mas o governo federal ainda não repassou recursos para equipá-la. “Acredito que até outubro isso esteja equacionado. Existem problemas burocráticos que impediram esse repasse”, explicou Leite.

Defesa – O Ministério da Saúde informou que repassou em maio e em agosto recursos para a instalação de dez leitos de UTI adulto e dez de UTI pediátrica no Hospital Municipal de Imperatriz. E informou que começou a entregar 28 leitos de UTI neonatal no Hospital Regional de Imperatriz, mas confirmou que não recebeu da Secretaria Estadual de Saúde a habilitação dos novos leitos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ONTEM, HOJE E SEMPRE

A notícia do pré-lançamento da Caixa Preta, que reúne a obra musical completa de Itamar Assumpção (mais dois discos inéditos), que recebi há alguns dias, por e-mail, da amiga Lena Machado, mexeu muito comigo. Tenho reouvido toda a obra do negão, entre discos originais e cópias que tenho em casa, aliás, coisa que sempre faço.

Não vejo a hora de poder acessar um site qualquer e clicar no botão comprar e pedir a minha (momento consumista deste blogueiro: pra ser sincero, tenho até sonhado com isso). Logo eu, um fodido cujo limite no cartão de crédito (cuja fatura está atrasada) sei que não pagará a caixa completa. Mas não é a minha pindaíba de fazer gosto que me desanima: tão logo saia, comprarei a Caixa Preta. De um jeito ou de outro.

Minha felicidade é feita de coisinhas assim. E coisinhas é apenas um jeito carinhoso de falar. Itamar Assumpção é um de meus maiores ídolos na música e qualquer coisa que lhe diga respeito sempre me interessa.

Abaixo, texto que publiquei nO Debate de ontem-hoje: um nariz-de-cera enorme e bastante pessoal, de coisas que eu lembrava de cabeça, e nada de novo sobre a “black box”. Que os poucos-mas-fieis leitores deste blogue não enjoem sua superexposição por aqui. Mas olha Itamar Assumpção aí mais uma vez, gente!

CAIXA PRETA

Lançamento do Selo SESC reúne obra completa de Itamar Assumpção. Dois discos inéditos integram o pacote.

POR ZEMA RIBEIRO
DA REDAÇÃO


[Foto: Vange Milliet]

O paranaense Itamar Assumpção (1949-2003) é um dos mais geniais compositores brasileiros em todos os tempos. Sua obra, no entanto, é pouco conhecida, e seu séquito de fãs, embora não tão numeroso, é fiel. Autor de diversas músicas de sucesso na voz de Zélia Duncan, parceiro de Paulo Leminski, Chico César e Zeca Baleiro, lançou nove discos em vida: estreou com Beleléu, Leléu, Eu (1980) e, postumamente, pelas mãos do parceiro maranhense, do produtor Paulo Lepetit e de Naná Vasconcelos, com quem dividiu o trabalho, foi lançado Isso vai dar repercussão (2004).

Depois a Ediouro lançou Pretobrás – O livro de canções e histórias de Itamar Assumpção (2006), em dois volumes, e o pesquisador Fábio Henriques Giorgio publicou Na boca do bode – entidades musicais em trânsito, que tratava da efervescente cena musical paranaense-paulista da época em que surgiam nomes como o próprio Itamar Assumpção e seu parceiro Arrigo Barnabé – outro gênio ainda infelizmente pouco conhecido dos brasileiros. Estas iniciativas vêm ajudando a preservar a memória do autor de Vou tirar você do dicionário.

Parênteses: em Pretobrás – por quê que eu não pensei nisso antes?, seu disco de 1998, Itamar Assumpção havia dedicado a Arrigo Barnagé a música Amigo Arrigo, cuja letra diz: “Tenho um amigo chamado Arrigo/ o resto depois eu digo”. Em 2006, era a vez de Arrigo retribuir o carinho do amigo então já falecido: dedicou-lhe um disco inteiro, Missa in memoriam Itamar Assumpção. Miriam Maria (voz) e Sérgio Molina (músicas) também o tributaram em Sem pensar nem pensar – ela, uma das vozes das Orquídeas do Brasil, banda feminina que acompanhou o compositor nos três volumes de Bicho de Sete Cabeças; ele musicou as letras inéditas do disco.

Caixa Preta – A grande novidade, em 2010, passados sete anos de seu falecimento, em decorrência de um câncer de estômago, é o lançamento da Caixa Preta: o Selo SESC reuniu a obra completa de Itamar Assumpção, além de dois discos inéditos. O pré-lançamento aconteceu quarta-feira passada no SESC Pompéia, em São Paulo. Uma série de shows movimentará a unidade em outubro, reunindo as filhas-cantoras de Itamar, Anelis e Serena Assumpção, e amigos-fãs como Jards Macalé, Tom Zé, Elza Soares, Ney Matogrosso, Lenine, Zélia Duncan, Arrigo Barnabé, Elke Maravilha, Tetê Espíndola, Andréia Dias e Arnaldo Antunes, entre outros.

Entre os nomes da nova cena brasileira que puseram a mão na massa para realizar os inéditos Pretobrás II e III, nomes como BNegão, Céu, Curumim, Iara Rennó, Marcelo Jeneci, Pupillo, Rodrigo Campos e Thalma de Freitas, além das irmãs Assumpção, elas que assinam a direção artística de um dos volumes inéditos.

A Caixa Preta era um sonho antigo de fãs de Itamar, principalmente os que tinham sua coleção de discos incompleta. Resta esperar e saber, além de tiragem, por quanto ela chegará ao mercado, sobretudo o ludovicense.

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Bônus do blogue: Relax não é fax não (Itamar Assumpção)

DESESPERO DE ROSEANA SARNEY TIRA DO AR PROGRAMAS DO PSTU

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) nasceu em 1994. Há 16 anos – o número da legenda – portanto, vem concorrendo sistematicamente às eleições. Para a Oligarquia Sarney, “nunca fedeu nem cheirou”. O grupo político que domina o Maranhão há quase meio século, que monopoliza os meios de comunicação no Estado, sempre tratou das campanhas eleitorais como se as mesmas tivessem apenas dois ou três candidatos: um preposto do grupo Sarney e um ou dois que lhe poderiam fazer frente e levar as eleições para o segundo turno e vencê-las.

Nunca o PSTU recebeu tantos pedidos de direito de resposta ou suspensão de seus programas no horário eleitoral gratuito como na campanha de 2010. Dois programas de seus candidatos ao senado – Noleto e Claudicéa Durans –, que defendem a extinção da casa hoje presidida por José Sarney, já foram retirados do ar. E mais recentemente o programa do candidato a governador Marcos Silva, em que o mesmo afirma que “é inconcebível a ideia de que para governar o Maranhão tenha que ter sangue do Sarney ou a sua bênção”.

Os números das notícias são generosos com aquele senador que pede aos eleitores que votem primeiro no outro: o juiz Jorge Moreno, hoje aposentado compulsoriamente pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, então na comarca de Zé Doca, lembra que só naquele município a Operação Tigre matou 60 pessoas em seus cerca de três meses de operação.

Há muito sem vencer as eleições do Maranhão no voto, a oligarquia Sarney apela. Nos pedidos de direitos de resposta, os advogados da coligação O Maranhão não pode parar alegam que a propaganda do PSTU estaria denegrindo a imagem do senador João Alberto. O Tribunal Regional Eleitoral concede os direitos de resposta e os candidatos da oligarquia sequer tocam no assunto.

As promessas repaginadas, a entrevista do marqueteiro considerando a real possibilidade de segundo turno, a horrenda propaganda da voz da consciência, os ataques a blogueiros e tuiteiros e ao PSTU têm tradução: Roseana Sarney e sua parentalha estão desesperados com a possibilidade de segundo turno. E mais: com a possibilidade de novamente serem derrotados nas urnas. Resta a nós, eleitores, provar-lhes que o desespero não é infundado: e, já que estamos falando em possibilidades, após a derrota sarneysta nas urnas não permitir que nossos destinos sejam decididos apenas por um punhado de juízes.

CANDIDATA DA OLIGARQUIA SARNEY TENTA POSAR DE VÍTIMA

Os adversários de Roseana agora apelam para a baixaria como sempre fizeram. Mas desta vez estão indo longe demais e você, maranhense, precisa saber disso. Além do horário eleitoral, agora eles também estão usando a internet para ofender e fazer falsas denúncias contra Roseana e sua família. Com isto, os adversários estão criando ao mesmo tempo um clima de revolta de milhares de brasileiros contra o Maranhão. Vejam estes comentários, tirados hoje da internet, de vários blogues. “Maranhão. Região: Quinto dos Infernos. Capital: Jegue City”. “Não me espantará se num futuro próximo o Maranhão vier a ser chamado de Uganda brasileira”. “Maranhão: 120% de analfabetismo”. “Que vergonha! Maranhense é povo ignorante”. “Isso não é povo, isso é pedinte”. “O Maranhão é tão atrasado em tudo que até pra aderir à independência tardou”. É isso que dá tentar ganhar uma eleição na base do desespero e não medir as consequências de seus atos. Ao mirar contra Roseana, eles acertaram em cheio no Maranhão. Além de estimular o preconceito contra o povo nordestino. Roseana sempre foi contra este jeito sujo de fazer campanha. Mas agora é o nome do Maranhão que eles estão sujando. Sem pensar que a eleição passa, mas o prejuízo contra o Maranhão, infelizmente fica.

O excerto acima é do texto lido pela apresentadora da propaganda política (aquela guria ao menos já vota?) da candidata da oligarquia ao governo do Maranhão Roseana Sarney – os marqueteiros explicam o porquê de ela não estar usando o sobrenome do pai nestas eleições.

Este blogueiro foi procurado por diversos amigos e até mesmo por desconhecidos por telefone, e-mail, tuiter: “Teu blogue apareceu no programa de Roseana Sarney”, “É teu blogue que aparece na propaganda de Roseana Sarney?”, diziam os amigos e perguntavam os desconhecidos.

Sou um costumeiro e contumaz telespectador do horário eleitoral, mas perdi o episódio em questão. Fui ao site da candidata (que não linkarei aqui por motivos óbvios: google se interessar e quiser perder tempo). Meu blogue, de onde ela tirou a citação a Uganda, aparece aos 8’24’’ do programa eleitoral de Roseana Sarney do dia 13 de setembro. A assessoria da candidata pede atenção: “Vejam estes comentários, tirados hoje da internet, de vários blogues”. Bem, a pesquisa pode até ter sido feita, de fato, dia 13 de setembro de 2010, segunda-feira passada – data, a propósito, em que se lançava o Sétimo Mandamento – mas este texto nem meu é: o cantor e compositor Zeca Baleiro publicou-o na revista Isto é de 1º. de abril do ano passado, antes do golpe judiciário que cassou o mandato do governador Jackson Lago; este blogueiro republicou a coluna que o maranhense assina mensalmente na última página da revista semanal dia 29 de março – revistas semanais, sabemos, começam a circular numa sexta-feira, com a data da quarta-feira seguinte, da semana em que as mesmas “têm validade”.

Não fujo da discussão, não pelo fato de o texto não ser meu. Já escrevi outras vezes, posicionando-me contrariamente à mais antiga oligarquia brasileira, única ainda em voga e postar o texto do autor de Lenha neste modesto blogue é uma forma de endossá-lo. Mas não são blogueiros, tuiteiros, jornalistas, cantores, compositores ou candidatos de oposição que insuflam preconceitos contra o povo nordestino ou contra o Maranhão: são governantes que não governam. São marionetes de bigode que se preocupam tão somente em fazer propaganda e esconder o sobrenome paterno e do marido – como também o faz o doentio cunhado candidato neste pleito.

A equipe de Roseana Sarney volta à carga no programa do dia 15 de setembro (quarta-feira): inventa um “clima de revolta de milhares de brasileiros contra nosso estado” – dessa vez não trago a íntegra da fala, pregui de transcrê. A candidata reafirma seu amor pelo Maranhão, tão forte quanto o faz o pai no jornal de sua propriedade, a frase diária transcrita sobre a página 4 (expediente): amasse tanto o Maranhão Sarney seria senador pelo Amapá (que ele também não ama)?

José Sarney, a filha, o filho, o genro e sarneys outros só se amam entre si e à meia dúzia para quem governam. Brincam de ser Deus da pior maneira possível: antes fosse só a propaganda horrorosa em que a consciência “manda” o eleitor votar em Roseana Sarney (embora quem tenha consciência não o faça); mas a família tem conduzido por décadas milhões de maranhenses aos piores indicadores sociais e econômicos do país, “confinando o povo-gado à eterna miséria absoluta“. E vem posar de vítima de uma “campanha difamatória na internet”?

Blogo há seis anos e pouco. Só neste endereço já se vão pouco mais de quatro. Em geral, o assunto é cultura, mas outros temas vez por outra aparecem: direitos humanos, política, humor etc. Os poucos mas fieis leitores sabem. Não ganho um centavo com blogue (e embora não vote nem nunca tenha votado em qualquer Sarney, não estou a serviço de candidatura nenhuma, nem trabalhando em qualquer campanha eleitoral). Ao contrário deste modesto blogueiro, que aqui escreve livre e independentemente, sobre o quê e quando dá vontade, a candidata herdeira de Sarney tem um verdadeiro exército de jornalistas, blogueiros, tuiteiros e o caralho-a-quatro-e-a-quatorze para atender-lhes as ordens, a qualquer dia e hora, escrevendo sobre qualquer assunto, inclusive (ou principalmente?) aqueles sobre os quais não têm o mínimo conhecimento.

Na mentira, digo, Mirante dos sarneys, jornalismo se confunde com propaganda. Assessoria e secretaria de comunicação se confundem com redação. Candidata se confunde com governadora. Mas este humilde blogueiro não pode ser confundido com um “difamador do Maranhão”. Ao contrário: adoro meu estado e minha cidade natal, o que nem precisaria frisar aqui, e não os trocaria por lugar nenhum no mundo. Procuro apenas cumprir meu papel: divulgar-lhe o que é bom e denunciar o que está errado – para que São Luís e o Maranhão tornem-se lugares ainda melhores.

Mas nem mesmo de Roseana Sarney eu seria difamador: difamação é crime. Agora, se “a carapuça assenta na cabeça de quem usa”, como costuma dizer minha sabia avó, e “a verdade dói”, já são outros quinhentos. Espero que a oligarquia Sarney não complete um décimo disso no poder. Melhor não vermos o Maranhão se transformar na Uganda brasileira. Nós, maranhenses, não merecemos.

O MIOLO DA ESTÓRIA

Lauande Aires encena solo teatral em que apresenta denúncia social

POR ZEMA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O ator Lauande Aires, apresenta amanhã, em única sessão, o espetáculo O miolo da estória. Mas, nessa situação, chamá-lo apenas de ator é pouco: além de atuar ele assina ainda a autoria, direção, trilha sonora e cenografia. O solo teatral apresenta a vida e os sonhos de João Miolo, operário da construção civil e brincante de bumba-meu-boi, personagem que existe aos montes na realidade maranhense.

A vida de João Miolo é comum a tantos operários, aqui ou em qualquer lugar: casa humilde, vida sofrida, solidão. E esperança: no caso do personagem de Lauande Aires, a de vir a ser cantador no bumba-meu-boi em que brinca e ocupar uma posição de destaque na vida. “Trata-se de um espetáculo que apresenta o homem em conflito com a fé e suas relações sociais”, afirma o autor.

Apesar de ser um solo teatral, João Miolo não estará sozinho no palco do Teatro Alcione Nazaré, onde acontece a única sessão do espetáculo “por falta de patrocínio”: com ele, um cazumba, um amo, um curandeiro e Nego Chico. Lauande Aires e a Cia. de Artes Santa Ignorância investem recursos próprios na apresentação, que tem consultoria artística de Antônio Freire, Leonel Alves, Manoel Freitas e César Boaes.

“A estória de João Miolo foi escolhida a partir da necessidade de se montar um espetáculo que fosse ao mesmo tempo político, de linguagem popular. É um drama. Escrever essa estória e levá-la ao palco busca, acima de tudo, trazer à tona o brincante anônimo, essa maioria que constrói a nação”, explica Lauande Aires. “O público pode esperar um jogo inventivo, construtivo e poético, onde dor e sofrimento não diminuem os sonhos”, continua.

O a(u)tor revela ainda que a dificuldade, frente à falta de patrocínio e/ou não-seleção do trabalho em editais públicos dificulta sua realização, mas não diminui o ânimo de todos os envolvidos em sua produção e realização. E afirma: “Esperamos que o espetáculo possa ser incluído no circuito de festivais e mostras nacionais”.

A iluminação do espetáculo fica a cargo de Eliomar Cardoso e Jarrão. A Cia. de Artes Santa Ignorância já havia usado o teatro para denunciar mazelas sociais ao encenar A morte do boi desmiolado, de Cesar Teixeira. A apresentação de O miolo da estória acontece hoje (18), às 20h, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Os ingressos custam R$ 10,00 (metade para estudantes com carteira) e estão à venda no local. Maiores informações: (98) 9621-4934, 9962-9101.

Serviço e ficha técnica

O quê: O miolo da estória.
Quando: hoje (18), às 20h.
Onde: Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande).
Quanto: R$ 10,00 (metade para estudantes com carteira).
Dramaturgia, direção, atuação, músicas e cenografia: Lauande Aires.
Iluminação: Eliomar Cardoso e Jarrão.
Fotos: Ayrton Valle.
Treinamento de brincante: Leonel Alves.
Produção e realização: Cia. de Artes Santa Ignorância.
Consultoria Artistica: Antônio Freire, Leonel Alves, Manoel Freitas e César Boaes.


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[O Debate, hoje]

O ADVOGADO QUE (AINDA) SONHA

Advogado Gilmar Pereira Santos lança hoje O menino que sonhava, livro de contos, no Odylo.

POR ZEMA RIBEIRO
DA REDAÇÃO


[Imagem retirada do material de divulgação]

O advogado penalvense Gilmar Pereira Santos lança hoje o livro O menino que sonhava, quinto de sua lavra, com apoio do programa Cultura da Gente, do Banco do Nordeste, onde o autor trabalha. A noite de autógrafos acontece no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, na Praia Grande, a partir das 19h.

O novo livro de Gilmar reúne nove contos que retratam histórias da infância vivida por meninos e meninas no interior do Maranhão. “Ficção e realidade se misturam nos sonhos, desejos e brincadeiras infantis. A amizade entre crianças e animais é um ponto importante do livro. Em diversas brincadeiras os personagens buscam um sentido na vida. Sonham em viver em um mundo de fantasia e aventura”, revela.

Na literatura, Gilmar Pereira Santos revela especial predileção por Gabriel Garcia Márquez, autor de Cem anos de solidão e Memória de minhas putas tristes, entre muitos outros.

São Luís – Em 2005 Gilmar Pereira Santos foi um dos vencedores do Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, na categoria Bandeira Tribuzzi de Jornalismo, com A ilha encantada. Ao lado do também advogado Josemar Pinheiro, é autor de ação que tenta retirar os nomes de Edison Lobão, João Alberto e Roseana Sarney de prédios públicos. A ação foi julgada procedente pelo Tribunal de Justiça (TJ-MA), mas os réus recorreram da decisão. O processo seguirá para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Serviço

O quê: lançamento de O menino que sonhava.
Quem: o advogado e escritor Gilmar Pereira Santos.
Quando: hoje (17), às 19h.
Onde: Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande).

[O Debate, hoje]