MUDANÇA, POEMA E LOKI

Arrumando a mudança, achei este poema, que eu já havia postado aqui, impresso. Entre outros achados, uma camisa Loki, que ganhei quando comprei o dvdoc na pré-venda. É P, por isso não coube em mim. Dá em magros/as. O/a primeiro/a habitante da Ilha (para o blogueiro não ter que arcar com os custos dos correios por conta desta promo) que comentar aí embaixo vai botar Arnaldo Baptista no peito, na faixa.

ATÉ QUANDO ESPERAR?


[Divulgação]

A pergunta-título do clássico-mor da Plebe Rude (foto) finalmente será respondida ao público ludovicense: até quando esperar? Somente até sábado (3). É quando a banda brasiliense, pela primeira vez na Ilha, toca no Pub Amsterdam (Av. Mário Andreazza, Turu), a partir das 22h. Os ingressos custam R$ 40,00 e já estão à venda na Óbvio Sports (Tropical Shopping) e no local.

Após as baixas de Jander Bilaphra (guitarra, voz) e Gutje Woorthman (bateria) e atualmente formada por Philippe Seabra (guitarra e voz), Clemente (guitarra e voz), André X (contrabaixo) e Txotxa (bateria), a Plebe Rude é um dos ícones do rock nacional – com forte influência punk, mesmo após 25 anos da estreia (O concreto já rachou, 1985, reprodução da capa acima). Embora menos conhecida que grupos conterrâneos como Legião Urbana e Capital Inicial, também tem parcela de contribuição importantíssima para a consolidação da cena que se convencionou chamar de “rock brazuca”, a partir dos anos 1980.

O conteúdo das letras, ácidas e críticas, em grande parte de cunho social e político, talvez tenha colaborado para certa “impopularidade” da banda. Ser ou soar popular ou não é o que menos importa. O público tem garantia de diversão inteligente em repertório que terá, entre outras, Até quando esperar?, Sexo e karatê, Johnny vai à guerra (Outra vez), Proteção, Minha renda, Brasília, Nunca fomos tão brasileiros, Censura, Plebiscito, Voto em branco e Sem Deus, sem lei, entre outros clássicos e lados-b da banda.

A Plebe Rude é prova viva de que é possível envelhecer com coerência. Para os fãs de São Luís, a espera acabou. A postura, a atitude e a boa música da Plebe não.

DROGAS APÓS DROGAS

Há tempos o cronista tascou que “o futebol é o ópio do povo brasileiro”. Hoje, o Brasil encara a seleção chilena pelas oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul, logo mais às 15h30min. Se a seleção de Dunga ‘tá uma droga, após o jogo, licitamente drogados – vai dizer que pensava que cerveja não é uma? – não deixemos de prestigiar o lançamento de Drogas e Cultura: novas perspectivas. A obra é uma coletânea de artigos, fruto de parceria entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), que re-pensa os temas e suas interrelações. O livro terá distribuição gratuita após o lançamento, que acontece hoje, às 19h, no Restaurante Cantinho da Estrela. Leia mais sobre no Ponte Aérea São Luís.


[Drogas e Cultura: novas perspectivas. Capa. Reprodução]

A BARCA DA MARIA PREÁ

Depois de um longo período o bando da Maria Preá aporta novamente na Ilha. Laetícia Madsen (foto) e companhia vêm à São Luís onde fazem uma única apresentação dia 29 (terça-feira, feriado de São Pedro), no Arraial da Praça Maria Aragão, às 21h. De graça!

Eu poderia ter começado este aviso dizendo que a Maria Preá aportará na Ilha com suA Barca: três músicos do bando, desta feita, são do grupo, que tem feito um sério e consistente trabalho de pesquisa musical por todos os cantos deste país. Ó a banda: Laetícia Madsen (voz), Rovilson Pascoal (guitarra e violão), Henrique Menezes (percussão), Théo (percussão), André Magalhães (bateria e percussão), Renata Amaral (contrabaixo) e Lincoln Antonio (teclado), os três últimos integrantes dA Barca.

Em 2007 Maria Preá lançou um disco interessantíssimo, Avesso, quase completamente composto por repertório de autores maranhenses, entre os quais Cesar Teixeira, Erasmo Dibell, João do Vale, Josias Sobrinho e Sérgio Habibe, entre outros. Laetícia é mineira de nascimento, paulista de residência e maranhense de paixão, após ter morado e cursado Artes por aqui. Eis aí uma oportunidade rara para prestigiar ao vivo o bom trabalho desta turma: as últimas vezes em que Maria Preá se apresentou por aqui já têm dois anos.

QUESTÕES JUNINAS

Tirando uma noite em que fui ao Arraial da UFMA (para ver e ouvir Cesar Teixeira) ainda não saí neste São João. Naquela noite (9 ou 10 de junho, não lembro direito) vi ainda o Tambor de Crioula da Ivar Saldanha e o Bumba Meu Boi do Bom Jesus, gostando muito das três apresentações a que assisti.

O que estragou a noite: 1) as barracas só vendiam cerveja Nova Schin (bueno, era patrocinadora do evento e, menos mal, fui salvo por uma barraca que vendia a legítima “cachaça do Batista”) e 2) a noite terminou com um DJ (que também fez as vezes de locutor-mestre-de-cerimônias do evento) tocando o que há de pior do dito forró-de-plástico. Agradando, é claro, a comunidade acadêmica presente.

Passei, no dia seguinte, pela área do arraial, durante a tarde. Um carro tocava as mesmas porcarias, com o porta-malas aberto. Triste. Saudades de quando “ser universitário” significava bem mais, tempos que sequer vivi.

Para quem, como eu, está ainda meio perdido nestas questões juninas, agendinha cultural abaixo. A meia dúzia de artistas a seguir, essa sim merece nossa atenção. Vejam e ouçam! Vale a pena!

Anna Cláudia (a cantora paraense voltou recentemente a morar em São Luís): dia 21: Canto da Cultura, 23h > 25: Viva João Paulo, 20h.

Cesar Teixeira: dia 25: Viva Bairro de Fátima, 20h > 26: Viva Vila Embratel, 21h > 29: Canto da Cultura, 21h.

Chico Maranhão (e Trio Pirulito que bate-bate, pirulito que já bateu, quem gosta de mim é ele, quem gosta dele sou eu): dia 22: Ceprama, 21h > 26: Viva Anjo da Guarda, 21h > 27: Cohatrac, 21h.

Chico Nô: dia 24: Viva Cidade Operária, 21h.

Chico Saldanha: dia 19: Canto da Cultura, 20h > 25: Viva Vinhais, 20h > 26: Renascença, 20h> 29: Canto da Cultura, 20h.

Josias Sobrinho (e Banda Meu Boi): dia 18: Parque Folclórico da Vila Palmeira, 21h > 19: Viva Renascença, 20h > 20: Canto da Cultura, 21h > 25: Arraial da Prefeitura (Caxias/MA), 21h.

Todas as programações são gratuitas. O título do post é só por causa da Piauí.

A BRAVURA DE MANÉ

O texto abaixo acabou não entrando na edição especial do Vias de Fato que ora circula (ainda não vi), cobrindo a greve de fome do deputado federal Domingos Dutra (PT/MA) e do líder camponês Manoel da Conceição, um dos sete fundadores nacionais do PT.

Eles estão em greve de fome desde sexta-feira passada (11). A ex-deputada federal e ex-secretária de estado de Trabalho e Economia Solidária Terezinha Fernandes (PT/MA) aderiu ao gesto extremo no último dia 14. Desde a data em que foi anunciada a imposição do diretório nacional do PT, protestam contra a mesma, que impõe o apoio à candidatura de Roseana Sarney (PMDB) em detrimento à do deputado federal Flávio Dino (PCdoB), legitimamente escolhido em encontro estadual pelo PT maranhense.

O número especial do jornal Vias de Fato publicou o poema A classe, escrito por Cesar Teixeira (coordenador editorial do projeto de comunicação ao lado de Emílio Azevedo) há alguns anos, em homenagem a Mané – como Manoel da Conceição gosta de ser chamado.


[Em greve de fome desde a sexta-feira 11, Domingos Dutra e Manoel da Conceição dormem no plenário Ulisses Guimarães, na Câmara dos Deputados. Foto: Dida Sampaio/ Agência Estado]

A BATALHA DE MANÉ

Nascido em Santa Inês, na região do Pindaré, Gildomar Marinho é bancário e músico, não necessariamente nessa ordem. Artista multifacetado, lançou Olho de Boi, seu primeiro disco, em 2009. Está em Fortaleza/CE, onde ora reside por conta do ofício de bancário, em estúdio gravando Pedra de Cantaria, a ser lançado ainda este ano.

Entre as faixas deste segundo trabalho, Batalha do Cerrado, tributo a Manoel da Conceição, com música e letra bastante elogiadas pelo pequeno círculo que tem tido o privilégio de ouvi-la antes de seu lançamento (a faixa já pode ser ouvida e baixada em seu myspace). [Nota do blogue: a música foi composta antes da patacoada do diretório nacional do PT e de mais este ato de bravura de Manoel da Conceição]

Se o compositor já conhecesse a decisão do diretório nacional do PT, que oPTou, no último dia 11 de junho, por entregar o partido no Maranhão à governadora biônica, filha do presidente (do senado), certamente teria acrescido aos versos-pergunta “Me diz, ó Mané…/ o que é que tu quer?” o verso-resposta “Que o PT não se entregue para o coroné”. (Zema Ribeiro)

*

http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=11724416-965

BATALHA DO CERRADO

Gildomar Marinho

Mané anda lento
Mané vai à roça
Mané vai à luta
Mané filosofa:

Um boi, dez posseiros
Um dono, mil bois
Na luta por cerca
Não sobra pros dois

Mané fez da perna
Uma queda de braço
Um dedo em riste
Ao rei do pedaço

É da Conceição
De tantas Marias
Mané rebeldia
Mané liberdade

Mané foi chamado
De vil comunista
Mané natureza
Mané humanista

Mané quer os meios
De o pobre ser rico
De muita cultura
Pro Zé e pro Chico

Me diz, ó Mané
O que é que tu quer…

Comida pro Chico
Cultura pro Zé

Farinha de puba
Beiju e café

Futuro pro povo
La no Pindaré

A mata nativa
Do cerrado em pé

Piaba no fogo
Pimenta e chibé

Em noite de lua
Um bom cafuné

MAIS UMA TAPETADA DE SARNEY

Tá chegando a hora
a hora de derrubar
o curral da oligarquia
pro povo se libertar

Quarenta anos de fome
no Maranhão eu passei
é hoje que a vara come
no couro de Zé Sarney

(Toada de Cesar Teixeira, feita para e cantada pelo movimento Vale Protestar, de resistência e combate à oligarquia; entre seus frutos, hoje, o valoroso Vias de Fato)


[Hupper. Via Leandro Fortes]

Copa do Mundo de um lado, festejos juninos do mesmo. Como a maioria absoluta dos brasileiros, não consigo não pensar nestas duas grandes festas, embora com ressalvas.

Se para a Copa do Mundo o técnico Dunga não fez a melhor escalação possível, o que não nos faz acreditar que a selecinha traga o caneco, para o São João o governo Roseana, em ato costumeiro, amplia o volume de recursos da cultura para o período junino em ano eleitoral, numa estratégia já bastante conhecida de muitos (este ano 19 milhões de reais foram gastos no carnaval; para o São João estão previstos 20 milhões, o que supera em muito o orçamento da pasta). Batismo de bois, cooptação de grupos e artistas, com raríssimas e honrosas exceções. Se showmícios são hoje proibidos por lei, em palcos juninos o nome da governadora-madrinha é repetido exaustivamente, como a grande mecenas de São Luís. “Quem atira com a pólvora alheia não mede distância”, reza o dito popular. Mas o “novo governo” do Maranhão ainda centra os fogos na ilha capital.

O povo pinta o asfalto de verde, amarelo, azul e branco e tapa o céu com as mesmas cores, tantas são as bandeirinhas penduradas. E ainda lota os arraiais já em funcionamento na capital maranhense. Não consigo compartilhar integralmente da alegria – ou pseudo-alegria(-temporária) – por conta das ressalvas já apresentadas aqui.

Fora isso, a intervenção do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores – ainda merece ser chamado assim? – na decisão estadual pelo apoio a Flávio Dino. Lula e companhia, desrespeitando a história, estrela e bandeira do partido, representadas, com honra, pela brava figura do maranhense Manoel da Conceição – um de seus fundadores nacionais – (tenta) entrega(r) o partido em definitivo à família Sarney.

Como se o PT fosse um brinquedo, tal qual parece ser o governo do estado: ora, a filhinha mimada do coronel teve devolvido o trono do Palácio dos Leões após as manobras do presidente do senado e de Eros Grau, ministro do STF, um imortal da ABL, o outro quase. Como daquela feita, no tapetão também, agora o oligarca garante o apoio do PT à reeleição da filha.

Não sou nem nunca fui – e diante do atual quadro tragicômico posso afirmar: nunca serei – filiado ao PT, partido do qual era simpatizante de primeira hora. Não sei o que se passa na cabeça de Lula e de seus “companheiros” de primeiro escalão de partido e pouco entendo de política, ou ao menos desse pragmatismo desgraçado que tomou conta dela, mas penso humildemente que o presidente-operário não precisa(ria) do apoio do presidente-“coroné” para fazer um bom governo.

Em nome da tal “governabilidade” Lula tem ressuscitado o que há de pior na política brasileira, nomes que não citarei para não desviar o foco da espúria aliança entre “o filho do Brasil” e “o filho de Kiola”. Do que Lula tem medo? Não seria difícil ser o melhor presidente da história do país. Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, Fernando Collor, José Sarney… e continue desenrolando a lista, de trás pra frente, da frente pra trás, de onde para onde, como quiser. O homem de bigode, outrora criticado pelo homem de barba, a este se atrelou como fez com quase todos os listados, tendo estado alinhado também aos militares. Ou seja: sua ideologia é a da conveniência, pura e simplesmente.

Eleito em 2002, Lula levou às lágrimas – de emoção e alegria – milhões de brasileiros que viam, ali, a esperança vencer o medo. Um sonho acalentado pelo menos desde 1989 enfim se realizava. Reeleito em 2006, muitos destes milhões já viam em sua reeleição apenas a alternativa para não devolver o país ao tucanato vendilhão, para que os privatistas de carteirinha não terminassem de entregar o patrimônio nacional aos interesses do capital transnacional. Agora, nenhuma esperança resta e o PT do Maranhão é trocado por entre dois e três milhões de votos para a “companheira” Dilma. Ora, sobretudo graças a políticas assistencialistas que têm como carro-chefe o bolsa-família, o Maranhão é, proporcionalmente, o estado que mais vota em Lula no Brasil – e provavelmente será, idem, o estado que mais votará em sua candidata.

Lula (e Dilma) precisa(m) d(o palanque d)e Sarney, seja pai seja filha? Só se for para a manutenção do quadro de o Maranhão figurar entre os estados com os piores indicadores sociais e econômicos do país – o ciclo se repete ad infinitum: o Maranhão “ocupa a zona de rebaixamento” – para usar uma metáfora futebolística como tanto gosta o presidente –, o que lhe faz um dos estados com a maior população beneficiária do bolsa-família, o que garante reeleições (ad infinitum idem) de Lula ou de quem quer que ele decida seu/sua candidato/a, que alinhado com Sarney mantém os indicadores etc. repete tal qual terço de uma igreja política que tem um papa de bigode. O povo-gado confinado à eterna miséria absoluta: homens e mulheres que poderiam ser críticos/as do processo histórico são transformados em animais – não cabem eufemismos aqui: satisfeitos com a ração diária (embora muitos maranhenses sequer consigam-na) pouco importam as fomes de educação, saúde, cultura, justiça, participação política (crítica), dignidade, a fome de ser cidadão e cidadã, a fome de ser… humano.

A imposição ao PT maranhense de seu apoio à candidatura da filha do coronel pelo diretório nacional do partido contraria a democracia, já que a decisão do PT local, de apoiar a candidatura de Flávio Dino (PCdoB) ao governo do estado, foi legítima, decidida em votação aberta e democrática – apesar do loteamento antecipado de cargos e da tentativa ou compra dos/as petistas que estavam à venda.

Contrariados os maranhenses Domingos Dutra (deputado federal pelo PT) e Manoel da Conceição (presidente de honra do partido no estado, foi uma das sete personalidades que assinaram a sua ata nacional de fundação) estão em greve de fome no plenário Ulisses Guimarães, na Câmara dos Deputados, em Brasília/DF, desde o último dia 11.

O primeiro tem sua trajetória política estreitamente ligada ao combate à última oligarquia do país, no que outrora teve o apoio de Lula, “velhos tempos!”; o segundo, teve uma perna amputada pelo sarneysmo: ferido por um tiro da polícia do coroné, então governador do estado, Mané – como gosta de ser chamado, rima involuntária – foi atirado aos porões da ditadura militar, onde sofreu torturas as mais diversas; com a gangrena na perna, sem tratamento, não lhe restou outra opção que não sua subtração. Saiu no “lucro”: a intenção era matá-lo. De lá para cá, manteve-se firme, forte, bravo e de pé, sem medo dos poderosos, menos ainda de Sarney.

“Mané fez da perna/ uma queda de braço/ um dedo em riste/ ao rei do pedaço”, dizem os versos de Batalha do cerrado, do compositor maranhense Gildomar Marinho, faixa inédita de Pedra de cantaria, seu segundo disco, a ser lançado ainda em 2010. A homenagem a Manoel da Conceição, a que um pequeno grupo de amigos já teve acesso, soa profética. Aos versos-pergunta “Me diz, ó, Mané/ o que é que tu quer?” talvez o compositor acrescesse o verso-resposta “que o PT não se entregue para o coroné”, adivinhasse o trágico desfecho da reunião de cúpula do partido no último dia 11, à qual humilhantemente, de início, Mané teve acesso negado – entraria depois, sem direito a voz e voto, para tornar-se tão somente testemunha ocular do último prego enfiado no prepúcio do partido – tortura também sofrida por ele: “nem na ditadura fui tão humilhado”, afirmou.

Outros petistas ameaçam juntar-se a Dutra e Mané no protesto-greve de fome contra a imposição da aliança entre o PT e o PMDB de Roseana Sarney no Maranhão. Com a bênção de Lula são mais maranhenses relegados à fome por Sarney. Nem a política cachaçorum et circenses de sua filha conseguirá, com o brilho das festas juninas, disfarçar a vergonha dos milhares de cidadãos e cidadãs que ainda a têm, apesar dos sexos explícitos e das alianças espúrias, circo freak na TV – como o PT, a Ilha de Curupu e tudo o mais no Maranhão – da família Sarney.

FUTEBOL NA CONTINUUM

Vocês vão ver como é
Didi, Garrincha e Pelé
dando o seu baile de bola

Quando eles pegam no couro
o nosso escrete de ouro
mostra o que é nossa escola

(Frevo do Bi, Jackson do Pandeiro)

Com Garrincha e Pelé atuando juntos a Seleção Brasileira, nos tempos em que merecia ser grafada assim em maiúsculas, nunca perdeu uma partida. Por isso, essa foto (pescada daqui) representa tão bem o futebol (sem a necessidade de recortar, “brasileiro”…).

Bueno, se você não aguenta mais ouvir falar em futebol, copa do mundo, idem sobre maiúsculas e minúsculas, e quetais (é só no que se fala, é só o que se vê, é só o que se ouve), não me alongarei: a edição 27 da bela revista Continuum (publicação bimestral do Itaú Cultural) está recebendo matérias e trabalhos sobre… isso mesmo!: futebol. Os selecionados serão publicados em agosto.

A seção Deadline é dedicada exclusivamente para estudantes de graduação em qualquer período e curso. A Área livre é aberta, espécie de “cartas” da revista. Regulamento, ficha de inscrição, convocatória e maiores informações no site do Itaú Cultural. Participem!

FILME DE AMOR HOJE

Júlio Bressane pensou em chamar de Filme de pornografia o seu Filme de amor, história de três amigos, Hilda (Bel Garcia), Matilda (Josi Antello) e Gaspar (Fernando Eiras), que resolvem se encontrar um fim de semana em um apartamento pequeno e pobre no centro da cidade para fugir de seu cotidiano idem, conversar, beber e sentir prazer.

Filme de amor será exibido hoje (9), às 19h, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM), dentro do projeto Cinema no Museu, parceria da casa com o Cineclube Casarão 337, que acontece mensalmente.

O MHAM fica na Rua do Sol, 302, Centro. A sessão é aberta e gratuita. O auditório dispõe de 80 lugares.

CINEMA, CONTRACULTURA E HISTÓRIA(S)

E-mail do amigo Wagner Cabral me avisa da I Mostra de Filmes sobre Contracultura, que acontecerá no Auditório Mário Meirelles (A) do CCH/UFMA.

As exibições acontecem sempre das 18h às 21h e serão acompanhadas de debates, de segunda (14) a sexta-feira (18) que vem (exceto terça-feira, quando a seleção brasileira, em minúsculas mesmo, estreia na copa do mundo, idem, que quando a convocação é ruim só se pode prever o pior).

A realização da I Mostra de Filmes sobre Contracultura é do Grupo de Estudos sobre Contracultura e a participação é aberta (não restrita a estudantes da UFMA) e gratuita, com certificação (a quem participar da exibição de pelo menos três filmes, isto é, 75% da carga horária).

Serão exibidos os filmes Easy Rider (Sem destino), Quadrophenia, Gimme Shelter e Zabriskie point, cujos cartazes ilustram este post (as sinopses dos filmes serão apresentadas antes de suas exibições, mas o blogue adianta o serviço: leiam-nas clicando sobre seus títulos).

De acordo com a organização da mostra, esta “quer ser um espaço de reflexão, em âmbito universitário e extrauniversitário, sobre a contracultura na década de 1960, a partir da discussão sobre os filmes que serão apresentados durante a mesma”.

PIRULITO QUE BATE-BATE, PIRULITO QUE JÁ BATEU, QUEM GOSTA DE MIM É ELE, QUEM GOSTA DELE SOU EU

Blogo há seis anos e pouco. Só neste endereço já se vão pouco mais de quatro anos. Pouco ou muito, sabe-se lá… mas este talvez seja o maior título de post até aqui jogado na blogosfera por este que vos tecla. Se não o maior, certamente um dos maiores.

Pois bem, meus poucos mas fieis leitores (e poucas mas fieis leitoras para ser politicamente correto): Pirulito que bate-bate, pirulito que já bateu, quem gosta de mim é ele, quem gosta dele sou eu é o nome do trio formado por Márcio Glam (guitarra), Mauro Izzy (contrabaixo) e Thierry (bateria), que acompanhará, na temporada junina o compositor Chico Maranhão (veja agenda na imagem ao fim do post).

O repertório de Maranhão para o período será composto por suas criações pautadas pelos ritmos da cultura popular típicos dos festejos juninos no estado que lhe dá o sobrenome artístico e no Brasil: toadas de bumba-meu-boi e tambor de crioula, quadrilhas juninas, frevos, além de uma homenagem a outro compositor maranhense: Catulo da Paixão Cearense. Com sua Luar do sertão Maranhão encerrará suas apresentações.

Entre os temas, Gritos do silêncio (inédita), “uma toada reflexiva sobre a cultura maranhense”, segundo o compositor, Este é meu destino (recém-gravada por Sérgio Reis e Renato Teixeira), Cheguei, garota (do disco Só carinho, também gravada por Fátima Passarinho em Voos), A saga de mestre Quirino (de São João, paixão e carnaval), Quadrilha (de Quando as palavras vêm) e Pastorinha (de Lances de agora), além de outras de sua vasta lavra.

Chico Maranhão, arquiteto formado pela USP na mesma turma abandonada por outro Chico, o Buarque, ocupado com a academia (é mestre em Desenvolvimento Urbano pela UFPE e é professor do curso de arquitetura de uma faculdade particular na ilha), tem se apresentado muito raramente. Por essas e outras, vale a pena escolher uma das datas e locais abaixo e vê-lo/ouvi-lo cantar. Erivaldo Gomes, outro compositor forjado pelos becos e vielas madredivinos, atesta: “Chico Maranhão nunca fez uma música feia”.