VILA DE SARTORI

Compositores mogianos ganham de Mateus Sartori belas interpretações para suas obras, em Barroco, disco que inaugura o projeto Vila de Sant’Anna.


[Barroco. Capa. Reprodução]

Paulista de Franca, Mateus Sartori é cantor de raro talento ainda não descoberto pelo grande público. Em 2007 dedicou o ótimo 2 de fevereiro ao repertório de Dorival Caymmi (1914-2008), disco em que cantava acompanhado apenas de violonistas, um time de primeiríssima linha que incluía nomes como Chico Saraiva, Edmilson Capelupi, Guinga, Mário Gil, Paulo Bellinati e Webster Santos, entre outros.

Barroco [2009, independente, R$ 15,00, com frete incluso, pelo site Vila de Sant’anna], seu terceiro disco – estreou em 2006 com Todos os cantos – inaugura o projeto Vila de Sant’anna, cujo propósito é o registro de compositores de Mogi das Cruzes, onde Sartori passou a viver ainda na infância. A ideia surgiu em 2003, quando o cantor apresentou o espetáculo Cenas lá de casa, com repertório exclusivo de compositores nascidos em “rio das cobras” – significado do termo indígena que batizou a Vila de Sant’Ana de Mogi das Cruzes, surgida em 1601 –, os mogianos.

A pesquisa de Sartori já ultrapassa 400 títulos, dos quais 12 estão registrados em Barroco, que tem realização, produção, direção musical e projeto gráfico assinados por ele mesmo, que divide os arranjos com o violonista Jardel Caetano (outro nome em 2 de fevereiro). O dinheiro arrecadado com as vendas dos discos do Vila de Sant’anna será usado na gravação de outros títulos do projeto.

Singela, a torre da Igreja Matriz Nossa Senhora de Sant’Anna bem traduz o agradável clima do que se ouve em Barroco, com destaque para os sambas clean selecionados por Sartori entre o vasto material acumulado. Além de sua voz – é um disco de intérprete – sobressaem-se violões (sobretudo os de Jardel Caetano), em registros enxutos, embora o artista não se repita. Há percussão, mas ela é sutil, e flautas, bandolins, cavaquinhos, contrabaixos e acordeom aparecem aqui e acolá.

Cabe frisar que as composições registradas em Barroco têm em Mogi das Cruzes apenas um recorte geográfico, não temático. Não é um disco realizado, por exemplo, para reverenciar a cidade, ou não apenas para isso – a única faixa, aliás, que cita Mogi explicitamente é a que encerra o disco, Samba no pé, sertão no sangue e Mogi no coração (Paulo Henrique (PH)/ Pedrão/ Carlinhos Sampaio/ Roberto Ribeiro), samba-enredo que homenageia Luis França, personagem do carnaval que segundo a letra, veio da Paraíba para Mogi das Cruzes.

[E essa saiu ontem, 25/4/2010, na Tribuna Cultural, Tribuna do Nordeste. Quer dizer, essa e a abaixo, devem ter saído ontem e domingo passado: não cheguei a ver os jornais]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

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