BRINCOS PARA PENDURAR NOS OUVIDOS

[Hoje no Jornal Pequeno]

Novo disco de Rosa Reis revisa música produzida no Maranhão nas últimas cinco décadas.

POR ZEMA RIBEIRO*
ESPECIAL PARA O JP TURISMO


[Foto: Márcio Vasconcelos]

O novo belo disco de Rosa Reis já nasce clássico. Brincos [2009] repagina parcela importante da musica popular produzida por maranhenses desde a década de 1960, embora não se pretenda antologia de nada.

No projeto selecionado via edital público pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), dentro do Projeto Pixinguinha – o que fez a cantora retirá-lo da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), onde o trabalho também havia sido aprovado, em edital do plano fonográfico, ano passado –, Rosa Reis revisita diversos clássicos da música maranhense.

Cesar Teixeira, Chico Maranhão, Chico Saldanha, Erivaldo Gomes, João do Vale, Josias Sobrinho, Mestre Leonardo, Sérgio Habibe, Ubiratan Souza, Zé Pereira Godão e Zeca Baleiro, além da própria Rosa Reis, de temas recolhidos nas festas do Divino Espírito Santo maranhenses e doutrinas do Baião de Princesas compõem o finíssimo repertório, por que a cantora desfila – o projeto gráfico dos irmãos Vasconcelos, Cláudio, Márcio e Maurício, com fotos do do meio, também merece aplausos – com elegância e o acompanhamento magistral de Jayr Torres (há muito seu diretor musical, violão e guitarra), Jonas Torres (baixo), Carlos Pial (percussão), George Gomes (bateria), João Neto (flauta) e Rui Mário (sanfona), entre outros.


[Brincos. Capa. Reprodução]

Músicas conhecidas têm mais chance de virar hit. Mas essa também não parece ser a única preocupação de Rosa Reis, que vai além: no medley de Boi de haxixe (Zeca Baleiro) com Esqueça (Oberdan Oliveira/ José Raimundo Gonçalves), ela dá a versão definitiva à toada de acento “brega”, de versos tão bonitos quanto doídos como “esqueça que você me amou/ esqueça esse amor que foi seu/ esqueça que já me beijou/ esqueça que já me esqueceu”, sempre tão maltratada em gravações anteriores. A tuba de George do Trompete em Gabriela (Chico Maranhão), dá à música um tom interiorano, de banda tocando em coreto, um clima saudosista.

Dedicado a Nelson Brito, companheiro falecido em janeiro passado (que ainda chegou a colaborar no projeto), Brincos é um disco alegre – quiçá uma forma de a cantora (tentar) superar a grande dor da perda. A propósito, o que parece mesmo anunciar-lhe é uma faixa de sua segunda metade: Alvorada, um dos temas de domínio público recolhidos nas festas do Divino Espírito Santo do Maranhão. A letra diz: “o cantar das alvoradas/ é um cantar excelente/ acordai quem está dormindo/ alegrai quem está doente”. Como o próprio novo belo disco de Rosa Reis. Brincos para pendurar nos ouvidos e acionar o modo repeat.

*ZEMA RIBEIRO escreve no blogue http://www.zemaribeiro.blogspot.com

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SERVIÇO

Brincos, de Rosa Reis, o show

A cantora Rosa Reis lança o disco Brincos em três shows, patrocinados pela Fundação Nacional das Artes (Funarte):

Dia 25 (sexta-feira): Praça Nauro Machado, Praia Grande
Dia 26 (sábado): Concha Acústica de São José de Ribamar
Dia 2 de outubro (sexta-feira): Praça da Matriz, em Alcântara

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

5 comentários em “BRINCOS PARA PENDURAR NOS OUVIDOS”

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