AGENDA

O Seminário Circuito em Construção para a Auto-sustentabilidade Cineclubista será realizado em São Luís, hoje (29) e amanhã, das 14h às 19h, no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (Rua do Giz, Centro). A ideia é reunir representantes das associações do gênero e demais interessados em cinema para discutir o fomento e a divulgação do audiovisual em circuitos alternativos, nos âmbitos estadual e nacional.

O evento é organizado pela ONG Cineclube Tela Brasilis, do Rio de Janeiro, com recursos do Fundo Nacional de Cultura, e está sendo realizado em todos os estados brasileiros. A etapa local do seminário é organizada em parceria com o Cineclube Casarão 337, de São Luís, que representou o Maranhão no Seminário Nacional Circuito em Construção, ocorrido em 2008, no Rio de Janeiro, que congregou representantes de cineclubes de todo o Brasil.

Até aí, trechos do release recebido por e-mail. A seguir, o serviço a programação completa idem.

SERVIÇO

O quê: Seminário Circuito em Construção para a Auto-sustentabilidade Cineclubista
Quando: 29 e 30 (quarta e quinta-feira) de abril de 2009
Horário: 14h às 19h
Local: Auditório da Casa da FÉsta, do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (Rua do Giz, Praia Grande)
Entrada franca. Todos os participantes vão receber certificado.

PROGRAMAÇÃO

Dia 29

14h Credenciamento
14h30min Abertura: Apresentação do Projeto Circuito em Construção, com Eduardo Ades, representante da ONG Tela Brasilis
15h Mesa-redonda – Cineclubismo no Maranhão: Troca de Experiências
Mediador: Augusto Maia – advogado e cineclubista
– Eduardo Júlio– jornalista e cineclubista – Cineclube Casarão 337;
– Gisele Bossard – jornalista e cineclubista – Cineclubes da Baixada;
– Júnior Magrafil– cineclubista – Cineclube Estação (Caxias-MA);
– Emilie Jacament– Diretora da Aliança Francesa (São Luís – MA), Cineclube Aliança Francesa;
– Alexandre Bruno Gouveia – Diretor do Núcleo de Audiovisual – Cineclube Cufa – MA.
16h15 Debate
17h Palestra – Cineclubismo no Brasil e ações do Conselho Nacional de Cineclubes, com o Presidente do CNC, Claudino de Jesus
18h Exibição do Filme Pelo Ouvido e discussão acerca do processo de produção do filme, com o diretor Joaquim Haickel

Dia 30

14h30min às 16h30min Oficina – Formatação de Projetos, com Daniel Moura Costa
17h Palestra – Redes Locais de Parceria e Direitos Autorais, com Eduardo Ades, representante da ONG Tela Brasilis
18h Mesa-redonda – Circuito Alternativo de Exibição
Mediadora: Luana Camargo, jornalista, cineclubista e pesquisadora.
– Renata Figueiredo – representante do projeto Maranhão na Tela;
– Mauro Santos – representante do projeto Cine Estrada;
– Betânia Pinheiro – representante do SESC/MA.
19h Encerramento

*

Amanhã (30) o cineasta Murilo Santos lança, em sessão no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), às 19h, o filme Tambor de Crioula – 1979, rodado entre 1977 e 1978. O curta tem roteiro de Valdelino Cécio e Roldão Lima e sua restauração e lançamento marcam o início dos projetos de salvaguarda relacionados ao tambor de crioula no estado, após seu registro como patrimônio cultural brasileiro, pelo IPHAN, em 2007.

Ao filme, que registra personagens históricos da manifestação, como Dona Áurea e os mestres Felipe e Leonardo, entre outros, foram acrescidas cenas extras, um novo documentário: Afinado a fogo: o Tambor de Crioula revisitado, além de 80 fotografias feitas por Murilo Santos.

*

Conjuntura política atual do Maranhão: desafios e perspectivas. Este é o tema de debate promovido pelo curso de especialização em Sociologia das Interpretações do Maranhão, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e do Grupo de Estudos Sócio-Econômicos da Amazônia (GESEA). Acontece nesta quinta-feira (30), às 18h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da UEMA (Rua da Estrela, 472, Praia Grande). Debatem Arleth Borges (professora do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA), Zulene Muniz Barbosa (professora do Departamento de Ciências Sociais da UEMA), Luis Alves Ferreira (médico, professor da UFMA e coordenador do CCN/MA) e José Jonas Borges (membro da Coordenação Estadual do MST) sob mediação de Helciane Araújo (professora do Centro de Estudos Superiores de Santa Inês – CESSIN/UEMA).

*

Paulinha Lobão não aguentou a pressão pediu penico.

TRIBUNA CULTURAL

Tribuna do Nordeste, Domingo, 26/4/2009

A GRAFIA NÃO-PORNÔ DE GOMBROWICZ

Polonês-argentino fez de seu penúltimo romance, trama bem construída de desfecho inesperado.


[O autor…]

Um crime de execução aparentemente bastante simples resume o enredo do ótimo Pornografia [Cia. das Letras, 2009, 205 páginas, tradução de Tomasz Barcinski, R$ 42,00], penúltimo romance de Witold Gombrowicz (1904-1969), escrito em 1960 pelo polonês que passou seus últimos 24 anos de vida na Argentina – dele, a Companhia das Letras publicou também Ferdydurke, em 2006.

Apesar do título, a obra nada tem de tão explicitamente pornográfico, dividindo-se em duas partes. A primeira trata da admiração sensual de Fryderyk e Witold – este, narrador do livro, é o próprio autor, tornado personagem (de ficção?) –, intelectuais e boêmios (a vida real?), pelo jovem casal formado por Karol e Henia, noiva de Waclaw.


[… e a obra. Imagens: divulgação]

Na segunda parte, o par de “velhos” segue admirando o jovem casal, de conhecidos desde a infância, mas a trama ganha força e velocidade no planejamento de um assassinato, que acaba num desfecho completamente inesperado, para surpresa e prazer dos leitores.

Prazer que qualquer outra pornografia dificilmente seria capaz de proporcionar.

SEMANA MARANHENSE DE DANÇA ADIADA

Caros Amigos,

O Teatro Arthur Azevedo através de sua Comissão Artística segmento dança, avisa que a IV Semana Maranhense de Dança, programada para acontecer de 27 de abril (segunda-feira) a 03 de maio de 2009, em comemoração ao Dia Internacional da Dança (29 de abril) fica adiada, a princípio, para o período de 11 a 17 de maio.

O adiamento do evento é devido à mudança executiva/administrativa do Governo do Maranhão e, consequentemente, do titular da Secretaria da Cultura, órgão que promove o evento.

O Teatro Arthur Azevedo e a coordenação organizadora da Semana Maranhense de Dança aguarda um sinal positivo por parte do novo Secretário da Cultura para a realização do evento em sua quarta edição. Tão logo isso aconteça, estaremos enviando comunicado.

Agradecemos a atenção e compreensão de todos os nossos espectadores e frequentadores de nossas programações realizadas por este Teatro.

Obrigado

Teatro Arthur Azevedo

*

Acima, íntegra de comunicado enviado por e-mail pela assessoria de comunicação do Teatro Arthur Azevedo. Ao menos para este blogueiro, a notícia soa péssima: traduz, por antecipação, o retorno da gestão – cultural – do estado para o império do revanchismo. Observem: a nota é bastante explícita ao dizer os reais motivos do adiamento e afirma que a semana está “adiada, a princípio”, isto é, nem mesmo a comissão organizadora do evento tem certeza de que este irá (algum dia) acontecer.

A Semana de Dança, evento já consolidado no calendário cultural do Estado, era (ainda é?) uma das ações anuais promovidas pela Secretaria de Estado da Cultura, via Teatro Arthur Azevedo, onde ficava clara a preocupação com a descentralização do acesso aos bens culturais: a exemplo da Semana do Teatro – que teve a sorte de acontecer ainda antes da re-entronação da “nova” governadora – atingia diversos municípios maranhenses com espetáculos gratuitos.

Voltará o Maranhão a ser reduzido à São Luís e esta ao seu centro (histórico)?

Maranhão, os velhos tempos (e práticas) estão de volta.

MÚSICA, VINHO E PAPO…

Como já sabem os poucos-mas-fiéis leitores deste humilde blogue, recentemente passei, a trabalho, uma semana em Brasília. Dos únicos poucos momentos de lazer – a jornada de trabalho era intensa – merece destaque (e compartilhamento) a roda de violão organizada por meu amigo Glauco Barreto, no prédio em que mora, para me recepcionar [sexta-feira, 17/4/2009]. O “Homero da Paraíba” é um anfitrião e tanto.

Também compareceram ao encontro etílico-musical, regado a bom vinho, bom papo e boa música, os amigos Nelson Oliveira, Paulão Sá e sua esposa Fátima, Roberto Homem, Clodo Ferreira e Noélia, entre outros e outras, cujo nome até ouvi, mas agora não recordo.


[Da esquerda para a direita: Clodo, o blogueiro, Roberto Homem e Glauco Barreto]

Personagens especiais daquela noite, fiquei muito contente em conhecer pessoalmente Clodo (com quem já trocava e-mails e sobre cujo mais recente bom disco, dedicado à obra de Sinhô, já escrevi), compositor de diversos sucessos gravados por Fagner – Revelação, Cebola cortada, Ponta do lápis, Ave coração etc., etc., etc. – na década de 70, mas não só: o piauiense agora está “letrando” sambas e boleros de Evaldo Gouveia e nos apresentou dois frutos dessa parceria inédita, além de uma letra que fez para o pouco conhecido Lembrando Chopin, choro de Waldir Azevedo. Coisa fina!

Noélia é a musa do Liga-Tripa, grupo brasiliense sempre tão bem falado por aqui. Para quem não conhece o original, vá lá: a Legião Urbana, gravou Travessia do Eixão (cujo título original é Nossa Senhora do Cerrado) em seu disco Uma outra estação: é a dos versos “Nossa Senhora do Cerrado/ protetora dos pedestres/ que atravessam o Eixão/ às seis horas da tarde/ fazei com que eu chegue são e salvo/ na casa da Noélia”. É ela, a Noélia.


[As irmãs Noélia e Fátima]

Do Liga-Tripa ainda tentei, em vão, ver um show na Torre de TV, pouco antes de meu embarque de volta à São Luís, no sábado. A apresentação já havia acontecido e mais uma vez não coincide uma visita minha à capital federal em dia de rara aparição do grupo de Carrapa do Cavaquinho e cia.

Como não podia deixar de ser, lá pelas tantas ouvimos a já clássica – ao menos entre nós, e só não o é mais por Nelson não tê-la incluído em seu LinguagensAlba, poema de Ezra Pound com música do jornalista mineiro, ele cantando com Glauco ao violão.


[Nelson Oliveira e Ângela]

Só me resta agradecer por ter essa pá de amigos gentes boas na BSB de tantas siglas, “cidade que um dia eu falei que era fria/ sem alma, nem era Brasil/ que não se tomava café numa esquina/ num papo com quem nunca viu”, como bem cantou Sérgio Sampaio.


[O Liga-Tripa interpreta Labareda (Nonato Veras), no Clube do Choro de Brasília]

PARCERIAS

Em São Luís, só me resta sentir uma saudável inveja de quem poderá presenciar estes debate-papos. Torço para que os mesmos sejam gravados (áudio, vídeo) e disponibilizados depois. Mais uma grande ideia do genial Ademir Assunção, em cujo blogue você pode ler mais detalhes.

O SISTEMA ROSA-CHOQUE

Há muito tempo venho questionando o jornalismo praticado por alguns veículos de comunicação do nosso Estado (se é que ainda podemos chamá-lo de “nosso”). A pergunta é: a que estão se resumindo esses profissionais, que vem prestando desserviços à população?

Tenho alguns amigos e conhecidos trabalhando como funcionários do Sistema Mirante de Comunicação (ou Sistema MC Sarney), e sei que a grande maioria está ali por falta de opção, porque precisa daquele emprego. Mas há também os que, vergonhosamente, vestem a camisa do Sistema, exercendo um jornalismo tendencioso e imoral.

Semana passada, um fato (entre muitos) culminou na indignação que me levou a me manifestar, como cidadã e como escritora. No telejornal das sete, a apresentadora caras & bocas teve o despudor de afirmar que o jornalismo feito pelo Sistema MC Sarney é “isento e imparcial”. Eu entendi mal ou ela falou que o Sistema respeita a democracia e a liberdade de expressão? Deboche, cinismo, ou mais uma jogada para driblar a inteligência do público telespectador? Desliguei a tv, com ânsia de vômito.

Ninguém ignora que eles tem o poder de manipulação da notícia, mas (ainda) não tem forças para fazer a censura ressurgir das cinzas. Ainda bem. E que bom que os meios de comunicação não se restringem ao Sistema. A Internet hoje é uma arma poderosa, para o bem ou para o mal. Através dela, podemos enviar notícias do mundo de cá para pessoas de todos os cantos do planeta: artistas, escritores, jornalistas, intelectuais, formadores de opinião, enfim.

Liberdade de expressão é o que estou exercitando agora, no espaço que me cabe e que ninguém me toma. Democracia é respeitar o voto popular, é saber perder com dignidade, sem revanchismo.

Eu não morava no Maranhão em 2006, quando o legítimo governador foi eleito, e fiquei surpresa com tamanha conquista. Enfim, a democracia havia suplantado a oligarquia. Uma verdadeira revolução para o nosso Estado. Óbvio que “eles” não iriam deixar barato uma derrota estupenda como essa.

Será que o povo já esqueceu que, em 2002, a novíssima governadora (ou usurpadora?) foi impedida de concorrer à Presidência da República devido ao escândalo do “Caso Lunus”, onde ela e seu comparsa receberam inocentes “doações para a campanha eleitoral”? Na época, a notícia estampava os principais jornais do país. Claro que o Dono do Mar deu um jeitinho de apagar o incêndio, com águas de obscuras profundezas.

Então, quem são os imaculados que acusaram o governador eleito pelo povo de “abuso de poder”? Quem mais usa e abusa do poder do que o tirano-mor e sua cria, a ditadora rosa-choque? Após a páscoa, sobrou para os maranhenses, cristãos ou não, a ressurreição da profaníssima trindade: pai, filha e espírito de porco.

Falando em páscoa, cabe lembrar que a campanha da fraternidade deste ano tem como tema Fraternidade e Segurança Pública, e lema “A Paz é Fruto da Justiça”. Que paz será possível então para nós, peixes fora d’água no enlameado Mar do Dono? Como falar em segurança num lugar onde a polícia só engoma a farda e monta em sua imponente cavalaria para proteger o palácio e sua corte? Que fraternidade onde vinganças pessoais se sobrepõem à vontade do povo?

Antes que alguma voz se levante, considero tacanho defender interesses particulares em meio a tamanho desrespeito à verdadeira democracia.

Não defendo ninguém, uma vez que não sou advogada. Como cidadã que acredita e espera por uma nação mais viável, defendo que se faça justiça (cedo ou tarde), palavra pouco conhecida no corrompido dialeto político do nosso país. Até lá, os que merecem a pena máxima continuarão arbitrando por aí.

E já que a ditadora rosa-choque se apropriou indevidamente das rédeas deste pégaso, deixemos que ela brinque um pouquinho com o prometido e ansiado presente do seu papai. Uma hora ela cansa e vai pedir a ele um brinquedo maior.

Enquanto isso, ficamos com a nossa liberdade de expressão. Se não temos democracia, se não detemos o poder soberano, façamos valer o nosso Poder e a nossa intransferível Liberdade.

*

Artigo da minha querida poetamiga Lúcia Santos, recebido por e-mail e enviado às páginas de opinião de alguns jornais ilhéus. Os grifos são dela.

Apostam quanto como vai aparecer algum babaca aí na caixa de comentários dizendo que Lúcia “não pode” dizer nada por conta de seu parentesco com Aziz Santos, ex-secretário de Jackson Lago? Ou que eu mesmo, na condição de ex-assessor da Secretaria de Cultura também não posso fazê-lo?

*

Em seu artigo de segunda-feira no Jornal Pequeno, Joãozinho Ribeiro (ex-secretário de Cultura) também não poupa a rosácea apresentadora de TV do anagrâmico sistema.

*

Não estava em São Luís quando Roseana Sarney tomou “seu” trono de volta. Isso, em parte, explica meu silêncio até aqui. Mas a pena já ‘tá coçando. Por enquanto, vou observando o movimento e penso que Paulinha Lobão na secretaria da Mulher é uma piada de tremendo péssimo gosto. Entre outros/as, né? Em breve tornaremos ao assunto.

(MEIO-)DIÁRIO

13/4/2009

Parece bastante apropriado ouvir A voz do Brasil na capital federal, ainda mais em pleno engarrafamento. Assim fomos recepcionados, no aeroporto, pelo amigo Fernando Santos, eu e os colegas de trabalho que vieram à Brasília para uma semana de treinamento, sobre as novas atividades que iremos desenvolver em um projeto.

Há pouco, eu oscilava entre cochilar – havia acordado cedo – e terminar a leitura de Leite derramado, o novo do Chico. Pronto, já tinha assunto para a próxima coluna no jornal. Chico continua em forma, é o que penso, não sem tentar comparar este mais recente volume com Budapeste, o anterior, ou mesmo Benjamim e Estorvo, que li há mais tempo (e preciso recomprar).

No Centro Cultural Missionário, acabei temporariamente sozinho num quarto e, após o jantar, fiquei observando a movimentação.

Senhoras e senhores, com ares de padres e freiras, mas não em trajes de, circulavam em todos os ambientes: na recepção, pelos corredores e escadas e a nos oferecer frutas após a refeição. Uma placa no balcão, fora do refeitório, anunciava, simpática: “Nesta casa se come e se bebe, mas também se lava a louça”. Um grupo de origem não identificada – comitivas de vários países participavam dos mais diversos eventos ou simplesmente se hospedavam ali – se divertia entre jogar dominó, ouvir música desconhecida (e em língua desconhecida) e, penso, aporrinhar uns aos outros.

Subi ao 306, cansado, li uns capítulos de Pornografia, de Witold Gombrowicz, recebi um telefonema de trabalho e amizade e troquei SMSs com minha esposa, de quem já morria de saudades.

Dormi tão cedo que nem vi sua última mensagem. Fui acordado pouco antes de meia noite, por batidas à porta do quarto: minha surdez no ouvido direito (espero que temporária) ainda me permitiu duvidar: serão aqui essas batidas?

Era um baiano com quem dividiria o quarto e com quem ainda troquei duas ou três sonolentas frases antes de um boa noite e do retorno ao travesseiro.

14/4/2009
Manhã

Era engraçado, no início do curso, ver o palestrante dizendo, em vez de GT, abreviando, ou Grupo de Trabalho, dizer GT de trabalho. Por vezes tive que conter o riso.

Após o almoço, subi ao quarto com duas ideias: cochilar um pouco e ler mais um capítulo de Pornografia, o que fiz.

Após escovar os dentes, vi no espelho e tive a impressão, ou confirmei a impressão, não sei, de ter a orelha direita (a do algodão), maior que a esquerda.

14/4/2009
Noite

É noite enquanto escrevo, após ter jantado e falado com minha mulher ao telefone e por internet. Dessa forma por pouco tempo, já que continuamos com problemas com a Velox em nossa residência. Fiquei um tempo no computador, resolvendo umas pendências à distância, e poderia ter passado a limpo trecho do diário, ou mesmo postado um trecho, fazer um meio que diário meio que ao vivo. Mas fui vencido pelo cansaço. Se der, ainda leio um ou dois capítulos do Gombro, se não, é boa noite mesmo!

15/4/2009
Manhã

Hoje é aniversário de Cesar Teixeira.

Amanheço surdo e só aos poucos vou melhorando. Acho que o algodão fica encharcado e vai secando aos poucos.

15/4/2009
Relato do sonho

Pedro Luís autografa meu Ponto enredo, disco mais recente de sua banda, A Parede. Acabo atrapalhado com algum outro compromisso e perco o show do Monobloco, mas à noite, jantamos juntos e tomamos umas.

Sonhei com isso, talvez por ainda não crer que finalmente o Monobloco vai à São Luís. Mas tinha que ser justo quando eu não estou na Ilha?

15/4/2009
Tarde

Chove pela primeira vez desde nossa chegada. E eu, além de surdo de um lado, começo a pensar que gripei de tanto fungar o nariz, além de meu olho esquerdo coçar um tanto.

17/4/2009
Manhã

Diários acabam me enchendo o saco. Não sei por que nunca enjoei de blogar, já que a dinâmica é quase a mesma. Talvez pela simples diferença: desaprendi a escrever à mão, minha letra é horrível e eu sei que terei dificuldades em entendê-la ao passar isso a limpo – para o blogue.

Se não escrevi ontem, ao menos avancei bastante na leitura do ótimo Pornografia – ótimo, mas nada pornográfico, apesar do título –, e o excesso de trabalho tomou conta de todos os que estavam participando do seminário Reciclando Vidas, homônimo ao projeto em que estamos trabalhando, desde já. Integrando o GT de Comunicação, desenvolvemos um blogue, o Transbordo, como exercício para o período de treinamento.

Ontem à noite, via SMS, Graziela me avisava da “disgrassa”: a bigodama voltou. Ela e seu vice 90% honesto, três vezes merda, três vezes “disgrassa”.

Não sonhei, mas antes de dormir, a leitura de Pornografia se misturava em minha cabeça com personagens não do livro, mas uma mulher de bigode e um velho decrépito e barba imunda, sua barba depilada a fogo, uma ficção que não escrevi.

17/4/2009
Manhã

Soube de minha esposa por SMS que o governador não deixaria o palácio e lamentei não estar na Ilha para acompanhar, ao vivo, este momento histórico.

*

[transcrição integral de diário de viagem, escrito por ocasião de minha passagem por Brasília, semana passada]

NÃO CHORE O TÍTULO

Leite Derramado não adianta chorar: melhor ler o novo bom romance do compositor Chico Buarque.


[Leite derramado. Capa. Reprodução]

“Há um escritor novo de que gosto muito: o João Paulo Cuenca”. É mais ou menos isso o que disse Chico Buarque sobre o autor de Corpo Presente e que este usou na contracapa de O Dia Mastroianni – infelizmente, em viagem a trabalho, estou sem meu exemplar em mãos para checar se a frase com que abro esta coluna está certinha. Bom, mas ao menos seu sentido está e é o que nos basta.

Há ecos de Cuenca em Leite Derramado [Cia. das Letras, 2009, 195 páginas, R$ 36,00 em média]: nomes de personagens se repetem – na estreia do carioca mais jovem, todos os homens se chamavam Alberto e Carmen era o nome de todas as mulheres – e a trama tem fôlego: é daqueles livros que você só larga ao chegar à última página – como a literatura de Cuenca. Coincidência? Ou Chico se assume ainda mais fã – e influenciado – pela literatura do rapaz?

O narrador da obra é muito velho e está em fase terminal, internado no leito de um hospital. Aristocrata, põe-se a narrar à filha, parentes que o visitam, enfermeiras, médicos – alguém está a escrever-lhe as memórias (?) –, de forma propositalmente embaralhada, feitos de sua biografia, às vezes realizados por outros galhos de sua árvore genealógica. Se o compositor-escritor não supera Budapeste – na modesta opinião do colunista seu melhor livro, até aqui – chega bem próximo.

[Tribuna do Nordeste, Tribuna Cultural, ontem]

POSTAL

Termina daqui a pouco a tarefa que viemos fazer em Brasília: uma semana de planejamento de atividades para um projeto que estamos iniciando agora. Sem mais detalhes, já estamos a maioria pelas tabelas. Ontem consegui rever amigos e ficamos tomando vinho até pouco mais de duas da manhã. Cedo, já estava de volta ao trampo, que nos consumiu bastante ao longo dos últimos dias. Ainda bem que temos um feriado semana que vem. Enquanto não voltamos à agenda normal de posts por aqui, colo a imagem abaixo, que roubei quando uma das baianas (a equipe de trabalho tem também paraenses e maranhenses) pediu que eu descarregasse as imagens de sua máquina num pen-drive usando o laptop de onde teclo, ao tempo em que acontece a última atividade.


[Parte da equipe de trabalho durante mística de abertura das atividades de 17/4/2009. O blogueiro, barbudo e despenteado, é o último à direita]

Daqui a pouco é chopp-pré-aeroporto, avião e casa. Aí voltaremos com mais tempo, detalhes e novas informações. Até!

SONHANDO…

Pedro Luís (foto) autografa meu Ponto Enredo, disco mais recente de sua banda, A Parede. Acabo atrapalhado com algum outro compromisso e perco o show do Monobloco, mas à noite, jantamos juntos e tomamos umas.

Sonhei com isso, talvez por ainda não crer que, finalmente, o Monobloco vai à São Luís. Mas tinha que ser justo quando eu não estou na Ilha?

*

Trecho de diário de viagem. O link não é sonho: é real.