WADEANDO

A primeira lembrança que tenho de Wado é de Cinema auditivo, disco que milagrosamente consegui comprar em alguma finada loja de discos em São Luís (se você mora na capital maranhense e tem – ou tinha – o hábito de comprar discos, sabe do que estou falando).

Lembro da dúvida: seria ele pernambucano?, por conta da música que evocava o mangue(-beat), mas não entregava o ouro. Não se tratava de mero discípulo de Chico Science e cia., mas foi certamente influenciado por ele(s). Wado, descobri tempos depois, é catarinense de nascimento, há muito radicado em Alagoas.

Há quase três anos, nos topamos num encontro do Overmundo, quando éramos “correspondentes” do site em nossos estados. Fizemos amizade. De uns dias para cá não sai do cd-player seu Terceiro mundo festivo, mais recente trabalho do moço, disponível, como todos os seus outros títulos, para download em seu site.


[o blogueiro tietando, após a passagem de som. Foto: Danielle Moreira]

Mas o que já é muito bom em disco, ganha ainda mais força ao vivo, deixemos meus preâmbulos de lado. A apresentação de Wado e banda, ontem (22), na programação cultural do Laboratório Internacional de Mídias Livres foi simplesmente sensacional. Música dançante aliada a letras inteligentes, coisa cada vez mais rara na dita eme-pê-bê.


[Terceiro Mundo Festivo. Capa. Reprodução]

Wado ficou contente com o convite e eu, como membro da Comissão Organizadora do Laboratório, também curti a disponibilidade, a seriedade do trabalho, a postura do moço, cuja formação – o compositor é jornalista – por si só já justificaria sua participação na programação. Músicas como Reforma agrária do ar (Wado/ Adriano Siri/ Pedro Ivo Euzébio), que versa protesto contra “o latifúndio das ondas do rádio”, como diz a própria letra, mais ainda.

Uma inversão o fez subir ao palco antes das atrações locais – Lena Machado e Choro Pungado e as bandas, que não vi, Pedra Polida e Kazamata: Wado sairia literalmente voado pelo circuito palco/autógrafos-hotel-aeroporto. Seu voo de volta a Alagoas não demoraria a decolar, ele já precisava estar no trampo hoje, não deu para negociar outra folga. Tipo o blogueiro.

Sobre as duas apresentações que presenciei, só ouvi elogios: a caixa de comentários aí embaixo está aberta, não só a eles, à vontade.

Numa das músicas que Wado cantava sem tocar, deixei um bilhete sobre a guitarra, no chão do palco. Lembrava-lhe de anunciar que estava com discos para vender – só R$ 5,00 – e dos downloads em seu site. Uma amiga, também jornalista, se/me perguntou: “ele é jornalista, vende discos a cinco reais e os discos podem ser baixados de graça. Ele vive do quê?”.

De nos fazer felizes, resposta possível. Para quem perdeu o imperdível, outra chance de ver algo imperdível, reforço: hoje tem Fino Coletivo, depois do DJ Pedro Sobrinho (20h; “obrigado pelo Wado, Zema!”, ele me disse), Erivaldo Gomes, Didã e Cesar Teixeira – também compositor jornalista.

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

6 comentários em “WADEANDO”

  1. Que energia esse rapaz tem em cena.Que força o conjunto da banda mostra no palco. O show foi simplismente maravilhoso e vc como bom blogueiro descreve muito bem a incrivel noite do dia 22 de janeiro de 2009.

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