chorinhos e chorões

(ou: desalinhadas impressões sobre ontem)

Batizado pelo aniversariante de ontem, o Instrumental Pixinguinha – sem Zezé, que se recupera de uma cirurgia, e com um pandeirista “reserva” – abriu as comemorações do Dia Nacional do Choro, no Teatro João do Vale.

Sem atrasos e com pequenas falhas que em nada diminuíram o brilho da celebração, diversos nomes do choro maranhense subiram ao palco e mostraram o melhor de seus conhecimentos. Ali estavam professores e alunos da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa.

Um bêbado cabeludo subiu ao palco, declamou uns versos sem microfone e depois começou a “rodar o chapéu”, pedindo um trocado para “interar trinta cachaças”. Diante da insistência (tornou a subir no palco, atrapalhando o início da apresentação de um segundo grupo), foi retirado por policiais que ocupavam o trailer da Praça Nauro Machado, ao lado do teatro. Depois, do nada, surge o poeta Paulinho Lopes, que atravessa toda a extensão do palco, na frente dos músicos que tocavam. Ninguém entendeu, mas como ele não declamou, não incomodou tanto.

Arrepiava-me a cada música. Entre as pequenas falhas, a não-identificação das músicas e/ou autores tocados. O que eu ia identificando, sussurrava ao ouvido de minha namorada: um Jacob do Bandolim aqui, um Waldir Azevedo ali, um Pixinguinha acolá. Gênios compositores, gênios executando suas peças: impagável o momento em que Rui Mário dividiu o palco com outros alunos (incluindo um de violoncelo e uma de violino) para tocar Lamentos” (do homenageado maior de ontem). Desculpem-me não identificar mais nomes, o bloquinho não estava à mão, a preguiça era maior e maior ainda era a vontade de só ver, ouvir e me emocionar.

Reuniões familiares – Osmar e Osmarzinho, pai e filho, integrantes dos cinco companheiros, e Luiz Jr. e Zé Luiz, seu pai – deram um clima ainda mais informal à grande festa, o que era pretendido pela produção, como bem disse ainda no início o professor João Soeiro, que atacou de mestre de cerimônias e se revezava entre o microfone, chamando as atrações e, por vezes, ao violão, tocando, entre outros, com o grupo Chorando Calado, de novíssimos talentos.

Emocionante ver também Luiz Jr. dividindo o palco com o garoto Robertinho Chinês, de apenas 14 anos, que trocou o seu cavaquinho de origem por um bandolim e mostrou-se hábil também no instrumento que acabou por re-batizar o vascaíno Jacob: mandaram ver um choro que não consegui identificar, emendando com o Brasileirinho de Waldir Azevedo, numa pacífica guerra de instrumentos que, como em outros momentos da apresentação, arrancou aplausos de todo o bom público presente.

*

Iuri Rubim escreveu no Blog das Ruas um bom texto sobre o garoto Robertinho. Clique aqui para ler.

*

Um grupo de paulistas, de passagem por São Luís, capturou em uma câmera portátil, imagens de canja de Lena Machado, acompanhada do grupo Um a Zero, numa segunda-feira chuvosa no Bar Antigamente (Praia Grande). Para ver a interpretação da moça e dos rapazes para o “Banho cheiroso” de Antonio Vieira, clique aí.

*

Não podendo ser dois, não consegui ver o lançamento de “Em busca da imagem perdida”. Alguém aí conta sobre?

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s