gracinha

o gracinha aí não é por causa da foto da hebe camargo (avisando da festa de hoje) ou do post anterior tratar de humor. graça sem graça é o que conto aqui.

fui pagar duas prestações na gabryella, dois produtos diferentes, dois carnês. uma das parcelas venceria somente dia 11 de maio. paguei os r$ 172,90 do boleto, sem desconto nenhum. a segunda conta havia vencido dia 26 de abril. paguei por ela r$ 147,05, sendo que deste total, r$ 4,15 eram encargos, por conta do atraso.

avizevedo

amanhã. quem manda avisar é o bruno azevedo, que vai discotecar.

uma dele, ontem, na banca de revistas de daço (é assim que se escreve?), no estacionamento da praia grande: “a gente precisa respeitar o pstu. é o único partido que consegue colocar sua música na abertura da novela da globo“. figura!

os olhos de takai reinventando nossos ouvidos


[onde brilhem os olhos seus. capa. reprodução]

O de sempre: todo mundo falando bem e eu me demorando a tirar a prova, ouvir com os próprios ouvidos. Até a Associação Paulista de Críticos de Arte deu: melhor disco de 2007. Nem assim me convenci.

Depois, uma insuspeita amiga assinava no orkut: “Ádila – quero os cds de Vanessa da Mata e Fernanda Takai”. Eu já tinha ouvido “Sim”, o tal bom disco mais recente de Vanessa da Mata, aquele em que ela divide vocais com Ben Harper em “Boa sorte/Good luck”. Faltava eu ouvir “Onde brilhem os olhos seus”, o tal APCA de melhor disco do ano passado.

Corri. Ouvi. E digo: Takai conseguiu se equilibrar na sambalançante corda bamba entre a velha bossa nova e nova fossa velha. O disco não é chato em momento nenhum, e a vocalista do Pato Fu correu esse risco: o trabalho-solo poderia soar antiquado demais ou modernoso demais. Nem uma coisa nem outra: sua voz suave por natureza – canta como quem nina – ajuda a re-interpretar o repertório de Nara Leão, com quem a mineira pode ser confundida, como aconteceu quando ela surgiu à frente do grupo onde continua, cuja crítica quis, à época, reduzi-los aos “novos Mutantes” ou algo que o valha.

Ouvindo “Onde brilhem os olhos seus” não posso deixar de lembrar quando ouvi Pato Fu pela primeira vez, com doze, treze anos. A graça que eu achava nas letras, nas entrevistas e a beleza que eu via (e ainda vejo) em Fernanda Takai. Impossível não lembrar também a minha “revolta” quando o grupo passou a cantar “coisas sérias”. “Preferia o Pato Fu do início de carreira”, desabafava aos amigos, mesmo admitindo achar lindas coisas como “Canção pra você viver mais”, entre outras.

Sério é este disco solo de Takai. Sério e bonito. Merecida homenagem a uma artista inteligente por outra, Nara e Takai. Mãe e filha ou irmãs atemporais? Talvez ídolo e fã, só sei de mim, fã dessa moça Fernanda…

medusas no chico

a maioria das pessoas não vê o que está acontecendo à sua volta. esta é a minha principal mensagem para os escritores: pelo amor de deus, mantenham seus olhos abertos (william burroughs).

o mandamento acima está na colagem “dez coisas para não se esquecer de lembrar quando for fazer poesia”, do poeta-mestre ademir assunção.

o texto está no “ano um número sete outubro-novembro 99” da “medusa – revista de poesia e arte”, exemplar que comprei (deixei outros por lá) quando fui devolver uns dvds no chico.

luto

“sei que amanhã quando eu morrer/ os meus amigos vão dizer/ que eu tinha um bom coração/ alguns até hão de chorar/ e querer me homenagear/ fazendo de ouro um violão/ mas depois que o tempo passar/ sei que ninguém vai ser lembrar/ que eu fui embora/ por isso é que eu penso assim/ se alguém quiser fazer por mim/ que faça agora/ me dê as flores em vida/ o carinho, a mão amiga/ para aliviar meus ais/ depois que eu me chamar saudade/ não preciso de vaidade/ quero preces e nada mais”

valho-me dos versos dos falecidos nelson cavaquinho e guilherme de brito para dar a triste notícia. a música brasileira está de luto. perdeu um de seus maiores gênios, o homem que literalmente tocava violão pelo avesso. faleceu canhoto da paraíba, o chico soares que paulinho da viola um dia abraçou.

aos admiradores do talento do gênio autor de coisas como “escadaria”, “pisando em brasa”, “tua imagem” e outros clássicos do choro, gênero que ajudou a “nordestinar”, meus pêsames, choremos juntos. aos que não o conheceram em vida, nem sei o que dizer: nunca é tarde? difícil achar seus discos por aí, aviso, tão poucos ele gravou. a todos, um vídeo, tardio e modesto tributo deste blogue, onde canhoto toca, de sua autoria, “todo cuidado é pouco”. e um abraço como quem diz um “sinto muito” a um familiar de alguém que sobe.

hora dessas, a roda deve estar animada, canhoto entre cartola, adoniran barbosa, cristóvão alô brasil, além dos dois com que abri o post. cá embaixo, vou ali enxugar umas e afogar as mágoas.

stockada

paulo stocker é foda! um gênio, posso dizer. ok, sou repetitivo: foda(m)-se! sabem de duas coisas, entre algumas outras, que me deixam feliz? uma: ser amigo do cabra que desenha coisas como a tira que penduro abaixo, tirada de seu blogue. outra: já fui imortalizado pelo traço do homem. boas gargalhadas geralmente garantem um ótimo dia. divirtam-se!

chorinhos e chorões

(ou: desalinhadas impressões sobre ontem)

Batizado pelo aniversariante de ontem, o Instrumental Pixinguinha – sem Zezé, que se recupera de uma cirurgia, e com um pandeirista “reserva” – abriu as comemorações do Dia Nacional do Choro, no Teatro João do Vale.

Sem atrasos e com pequenas falhas que em nada diminuíram o brilho da celebração, diversos nomes do choro maranhense subiram ao palco e mostraram o melhor de seus conhecimentos. Ali estavam professores e alunos da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa.

Um bêbado cabeludo subiu ao palco, declamou uns versos sem microfone e depois começou a “rodar o chapéu”, pedindo um trocado para “interar trinta cachaças”. Diante da insistência (tornou a subir no palco, atrapalhando o início da apresentação de um segundo grupo), foi retirado por policiais que ocupavam o trailer da Praça Nauro Machado, ao lado do teatro. Depois, do nada, surge o poeta Paulinho Lopes, que atravessa toda a extensão do palco, na frente dos músicos que tocavam. Ninguém entendeu, mas como ele não declamou, não incomodou tanto.

Arrepiava-me a cada música. Entre as pequenas falhas, a não-identificação das músicas e/ou autores tocados. O que eu ia identificando, sussurrava ao ouvido de minha namorada: um Jacob do Bandolim aqui, um Waldir Azevedo ali, um Pixinguinha acolá. Gênios compositores, gênios executando suas peças: impagável o momento em que Rui Mário dividiu o palco com outros alunos (incluindo um de violoncelo e uma de violino) para tocar Lamentos” (do homenageado maior de ontem). Desculpem-me não identificar mais nomes, o bloquinho não estava à mão, a preguiça era maior e maior ainda era a vontade de só ver, ouvir e me emocionar.

Reuniões familiares – Osmar e Osmarzinho, pai e filho, integrantes dos cinco companheiros, e Luiz Jr. e Zé Luiz, seu pai – deram um clima ainda mais informal à grande festa, o que era pretendido pela produção, como bem disse ainda no início o professor João Soeiro, que atacou de mestre de cerimônias e se revezava entre o microfone, chamando as atrações e, por vezes, ao violão, tocando, entre outros, com o grupo Chorando Calado, de novíssimos talentos.

Emocionante ver também Luiz Jr. dividindo o palco com o garoto Robertinho Chinês, de apenas 14 anos, que trocou o seu cavaquinho de origem por um bandolim e mostrou-se hábil também no instrumento que acabou por re-batizar o vascaíno Jacob: mandaram ver um choro que não consegui identificar, emendando com o Brasileirinho de Waldir Azevedo, numa pacífica guerra de instrumentos que, como em outros momentos da apresentação, arrancou aplausos de todo o bom público presente.

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Iuri Rubim escreveu no Blog das Ruas um bom texto sobre o garoto Robertinho. Clique aqui para ler.

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Um grupo de paulistas, de passagem por São Luís, capturou em uma câmera portátil, imagens de canja de Lena Machado, acompanhada do grupo Um a Zero, numa segunda-feira chuvosa no Bar Antigamente (Praia Grande). Para ver a interpretação da moça e dos rapazes para o “Banho cheiroso” de Antonio Vieira, clique aí.

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Não podendo ser dois, não consegui ver o lançamento de “Em busca da imagem perdida”. Alguém aí conta sobre?

aços

antes de me chegar às mãos o disco de estréia do jovem bruno batista (bruno batista, 2004), pensei, por um tempo, que o trabalho se chamasse “eu não ouvi todos os discos”, título que lhe cairia bem, da faixa que encerra aquele álbum. sobre não ouvir todos os discos e traçando um pequeno e despretensioso panorama da música maranhense contemporânea, ricarte almeida santos escreveu “de zeca baleiro a bruno batista… ainda bem que “eu não ouvi todos os discos”“, que o diário da manhã publicou em 23 de maio de 2004 e eu reproduzi cinco dias depois num blogue antigo.

bruno é o convidado da 29ª. edição do projeto clube do choro recebe. um, dois links para você ler mais sobre o assunto. três, um link para você ler sobre a comemoração do dia nacional do choro, hoje, 23 de abril, aniversário de pixinguinha (e de léo jaime, que teve seqüência tocada por glaydson botelho em seu programa matinal na mirante fm, garantindo a este blogueiro boas lembranças da infância).

corra!: sendo o primeiro a comentar aí embaixo, você ganha, de presente deste blogue, o disco que tem “aço” (bruno batista), cuja letra transcrevemos abaixo, curta e vá ouvi-la ao vivo, sábado:

tá pensando que eu sou de aço?
tá pensando que eu sou o quê?
tá pensando em deixar-me em pedaços…
tá pensando que eu sou de aço?
tá pensando que eu sou o quê?

se te quero tango em barranquilha
és noiva na quadrilha do ipê
e se te quero franco, és picasso
onde te quero régua, compasso
quando te quero, queres o quê?

sou vazio por falta de espaço
tá pensando que eu sou de aço?
tá pensando que eu sou o quê?

cineclublogue

Os filmes “A Ira”, “Flores para Os Mortos” e “Impressões para Clara”, dirigidos pelo cineasta paulista Joel Yamaji e produzidos pelo maranhense Beto Matuck, serão exibidos quinta-feira, dia 24, às 19h, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho), como parte da programação especial do Cineclube Praia Grande. Após a exibição, ocorrerá um debate com o autor Joel Yamaji e com o produtor Beto Matuck.

E tem mais: um dia antes (quarta-feira – dia 23), às 19h30, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão (Rua do Sol – Centro), Beto Matuck e Joel Yamaji realizam a apresentação de lançamento do documentário “Em Busca da Imagem Perdida”, gravado no Maranhão, com patrocínio da Petrobrás, Iphan, Paço Imperial e Ministério da Cultura.

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trecho de “cineclube praia grande promove mostra de curtas de beto matuck”, post de hoje no blogue do cineclube praia grande, já devidamente linkado ao lado. para mais, vá !

obrar


[foto: rodrigo dai, no blog das ruas]

há certas cagadas que são verdadeiras obras de arte. e há certas obras de arte que são verdadeiras cagadas. nada de novo, nada de mais, não é? mineiros resolveram aliar as coisas e, vá lá: transformaram, digamos, uma mijada, em uma visita ao museu. “de grandes novidades”, como cantava cazuza. saiba mais aqui, via iuri rubim.

boladas


[tira de stocker publicada em seu blogue]

Jaguar e Ziraldo vão receber mais de um milhão de reais, cada, de indenização retroativa por questões da época da ditadura militar. Os dois ficarão recebendo ainda uma pensão superior a quatro mil reais mensais, fora o valorzão anterior. Se é justo ou não, se o valor é alto ou baixo, não entrarei no mérito da questão. Tampouco sei com o quê os velhinhos torrarão suas granas.

Eu, daqueles que querem ganhar na mega-sena sem jogar, ficaria bem feliz com um troco desses no bolso. Nem que fosse para ficar pobre de novo. Burrice? Talvez. Vejam só: se eu fosse um dos ex-Pasquim, agora milionários, relançava o jornal, clássico absoluto já com dois volumes reeditados pela Desiderata.

Sei lá quanto tempo ia durar, mas vejam a lógica óbvia: apesar da possibilidade do milhão acabar, eu ainda teria uma pensão gordinha para me manter. Risco total, fosse eu, correria. O que mais poderia sacudir o cenário jornalístico-humorístico brasileiro contemporâneo?

Como já “viajei na maionese” mesmo, até aqui, sugerindo coisas que não sei para gente que não conheço, vou além: até agora, até aqui, nenhum jornal brasileiro teve a manha de descobrir o nem tão encoberto assim, meu amigo Paulo Stocker. Gênio dos desenhos, das tiras, dos quadrinhos etc. e tal, eu penduraria coisas dele nas páginas dO Pasquim. Talento não lhe falta.

Mas, ei!, a terra chama e eu preciso atender: enquanto não relançam O Pasquim, que tal um jornal que já circula dar uma stockada na mesmice?

ligeiras

depois de séculos eu encontraria novamente fred e carol. no bar do léo ele me fala que havia descoberto tardiamente o maior cantor brasileiro em todos os tempos. “quem?”, pergunto. “orlando silva”, ele me diz, cantarolando alguma música dele que eu não conhecia. ele me dá a boa notícia: estava blogando.

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e dessa eu já sabia há alguns dias, via sahea: quem também bloga é tom zé.

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nando reis e zeca baleiro, juntos, em são luís, dia 25. mais, conto depois, que eu mesmo ainda não sei.

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depois eu co(me)nto sobre uns filmes que vi no fim de semana. não, juno ainda não. volto em breve. deixa ver se me animo um pouco. até!