você é um "cu-de-boi"?


[reprodução pôster]

Guiado pelas lembranças de quando era criança e o pai levou-lhe ao cinema para ver um filme de Mazzaropi, Quinzinho (Mateus Nachtergaele) deseja fazer o mesmo com Neco (Vinícius Miranda), seu filho. Assim, sai da casa tranqüila, do cotidiano pacato da roça onde mora, no interior de Minas Gerais, acompanhado de sua mulher, Zulmira (Gorete Milagres), a quem ele carinhosamente chama de Zuri, e do burro Policarpo. Enfrentam uma verdadeira aventura, como peregrinos devotados em romaria: chuva, comida por quilo, gozações de vendedores e o completo desprezo de donos de cinema, que pouco se lixam para os desejos de Quinzinho. Ou que pouco se importam com a qualidade daquilo que exibem em suas salas, enxergando apenas cifras. Ficção? Não.

“O cinema virou igreja evangélica. Não dava lucro, vivia vazio. A igreja só vive cheia, o povo paga para entrar”, afirma um personagem – fictício? –, enquanto Quinzinho avança rumo a mais uma “cidade grande” procurando realizar o sonho de mostrar Mazzaropi ao menino.

São fortes cenas como a execução de Mané Charreteiro num acampamento do MST – ficção? – e o reencontro de Quinzinho e Neco, após um desencontro provocado pela truculência de policiais no citado acampamento. “Tapete Vermelho[Comédia, 100 minutos, Brasil, 2006. Direção: Luiz Alberto Pereira], o filme, é belo e engraçado – mas não engraçadinho – o tempo todo. Nachtergaele em mais um show de interpretação apropria-se dos trejeitos do ídolo, seja para cantar [Renato Teixeira assina a música do filme], seja no andar, mas não faz de si mera caricatura ou cópia de Mazzaropi. Saga de fã em busca de ídolo pouco provável de ser vista hoje em dia, tempos de cada vez mais efemeridade nas “artes”, o próprio filme indo na contramão disso.

Quem ainda não viu, é um “cu-de-boi”, apenas para citar um xingamento que aprendi vendo Quinzinho bradar contra aqueles que não queriam ver seu sonho realizado.

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

6 comentários em “você é um "cu-de-boi"?”

  1. Ei Zema tá passando no cine praia grande é? desculpe estou desinformada e me interessei em assistir ao filme.Abraços.

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