da véspera de são pedro

hoje é dia de são pedro, então, se eu não aparecer aqui no blogue até segunda-feira, os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue já saberão o porquê.

abaixo, os dois textos que pendurei na tarde da véspera. o jornal só volta a circular no primeiro dia útil de julho.

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Feira de Economia Solidária acontecerá em Vargem Grande

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura

No próximo dia 25 de julho acontece, em Vargem Grande/MA, a I Feira Municipal de Economia Solidária e Agricultura Familiar, na Praça da Matriz. As atividades começam às 9h e seguem até 17h. Neste período, 17 grupos/comunidades comercializarão diversos produtos baseados nas perspectivas da Economia Popular Solidária.

Na feira poderão ser adquiridos produtos artesanais (bijuterias, bolsas etc.), agrícolas (farinha, feijão, macaxeira, fava etc.) e do extrativismo (mel de abelha, babaçu, andiroba etc.). Os 17 grupos solidários envolvidos integram o projeto Rede Mandioca, desenvolvido pela Cáritas Brasileira Regional Maranhão, que consta de uma articulação de entidades, cooperativas, associações e grupos produtivos formais e informais em torno da cultura da mandioca no Maranhão.

“Esta feira se constitui em um espaço importantíssimo para abrir a oportunidade de promoção de outras feiras, em outras cidades e regiões do Maranhão, pautadas nas perspectivas da economia popular solidária, uma alternativa de inserção de pequenos produtores em um mercado cuja lógica nos faz crer que só grandes produtores e grandes comerciantes têm vez. É também o início de uma prática de comercialização entre os produtores e o consumidor final, sem a figura do atravessador, cara a cara”, aponta Jaime Conrado, Assessor Técnico da Cáritas.

A I Feira Municipal de Economia Solidária e Agricultura Familiar de Vargem Grande tem promoção da Cáritas Brasileira Regional Maranhão (que na ocasião lançará cartilhas com o resultado de discussões travadas no município sobre a questão do combate ao trabalho escravo), Projeto Trilhas de Liberdade, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Vargem Grande, Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Vargem Grande e Secretaria de Estado de Trabalho e Economia Solidária.

Maiores informações: (98) 3221-2216 (Jaime Conrado, Cáritas), 3461-1669 (Maria Helena, Vargem Grande) ou jaime@caritasma.org.br

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No ar, a TV do Bispo

Ok, se você pensou em Edir Macedo (da Igreja Universal) ou em algum bispo da Igreja Católica, nós profanamente perdoamos você. A maioria dos entrevistados em um vídeo da TV do Bispo também se remete imediatamente a alguma dessas figuras. A câmera passeia entre ruas e gabinetes, e rostos incrédulos e opiniões idem, demonstram total desconhecimento da editora capitaneada por Pinky Wainer e Xico Sá, que já publicou obras deste [Catecismo de devoções intimidades e pornografias], de Paulo César Peréio [Por que se mete, porra?] e Jonathan Swift [Manual para fazer das crianças pobres churrasco], entre outros.

Atuando nos segmentos sexo, drogas, rock’n roll e religião, a Editora do Bispo lançou sua tevê, via Youtube, site de compartilhamento de vídeos recentemente vendido ao Google por US$ 1,65 bilhão.

Se você ainda não conhece as publicações Do Bispo, não perca tempo. Aperitivos: TV do Bispo, site da editora (onde o “Catecismo” pode ser baixado gratuitamente) e blogue. (ZR)

d’a tarde d’ontem

relendo o texto abaixo, achei-o meio confuso. tipo, eu não disse (nele) se o disco é bom ou não. é bom, sim. eu gostei bastante da idéia e do resultado. quando digo que é “incompleto”, é simplesmente por ser um recorte de 15 faixas num universo de mais de 70.

nem tudo que tenho publicado na tarde tem vindo reproduzido cá pro blogue.

de ontem (27), o texto abaixo, particularmente, perde uma foto de zeca (que, no impresso, junta-se à reprodução da capa do cd) e ganha detalhes (entre colchetes e em itálico).

leiam o texto, ouçam o disco. não necessariamente nessa ordem.

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Os lados zês do Baleiro

Inusitada coletânea é o novo lançamento do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro.

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura

A graça de “Lado Z” [MZA, 2007, R$ 32,90, em média] reside em não se tratar de mera coletânea de grandes sucessos. Zeca Baleiro, sem dúvidas um dos maiores trabalhadores da música popular brasileira contemporânea, repesca em seu “baú de alheios”, diversas faixas que nunca entraram em discos seus, mas que contam com sua interpretação única.

São 15 faixas [veja listagem completa aqui] tiradas de discos de terceiros, parceiros, tributos, songbooks e lados-b (ou z?) que acabaram por não entrar em discos seus [ops, o vacilo da repetição]. O cd lembra um antigo disco de vinil, inclusive na cor preta. Um luxo!

Reúne, entre os compositores, nomes como Odair José [Eu, Você e a Praça], Waldick Soriano [Meu Coração Está de Luto], Lobão [Uma Delicada Forma de Calor], Martinho da Vila [Salve a Mulatada Brasileira], Vanessa Bumagny [Radiografia], João Bosco [Das Dores de Oratório], Moreira da Silva [Na Subida do Morro, parceria com Ribeiro Cunha], Sérgios Sampaio e Natureza [Roda Morta], Rolando Boldrin [Onde Anda Iolanda], Tom Zé [Menina Jesus], o português Sérgio Godinho [Coro das Velhas], além do próprio Zeca Baleiro [Não Tenho Tempo e Forró no Malagueta]. Lobão [na faixa de sua autoria], Jards Macalé [em Na Subida do Morro], Martinho da Vila [na faixa de sua autoria], Fagner [em Não Tenho Tempo], Tião Carvalho [em De Teresina a São Luís, parceria de João do Vale e Helena Gonzaga], Rolando Boldrin [na faixa de sua autoria], Vanessa Bumagny [idem], Forroçacana [em Forró no Malagueta] e Sérgio Godinho [na faixa de sua autoria] são os intérpretes que participam do disco, em que Zeca Baleiro é o convidado especial, se é que vocês me entendem. Baladas bregas (das antigas e atuais), música eletrônica, samba (inclusive de breque) e forró estão entre as vertentes por que Zeca e seu(s) time(s) passeiam com desenvoltura.

Como toda coletânea, “Lado Z” é incompleta [vide “explicação” pré-textual]. A seleção de repertório, assinada por Marco Mazzola, Rossana Decelso e pelo próprio Zeca, não deve ter sido fácil. Em dez anos de carreira (aqui contados a partir do lançamento de seu primeiro trabalho, “Por onde andará Stephen Fry?” em 1997), o maranhense já fez mais de 70 gravações fora de seus discos de carreira. Tomara que isso prenuncie o lançamento de um “Volume 2” num futuro breve.

batendo na(s) mesma(s) tecla(s)

este artigo inspirou-me este texto. josé teles, em sua coluna “toques“, no jornal do commercio, publicou, hoje (27), o que segue abaixo, que eu não poderia deixar de (re-)publicar aqui:

Forró não é para tirar pé do chão

Dois anos atrás vi Marinês no Sítio da Trindade, cantando para uma platéia apática. Achei que aquilo se devesse ao fato de Marinês ter feito sucesso nos anos 60 e a maioria do público ser formado por pessoas com menos de 30 anos. Ela desfiava uma série de clássicos, Peba na pimenta, Balanceiro da usina, Ouricuri, Pisa na fulô, Siriri sirirá, e o povo nem aí. Um ou outro casal arriscava um arrasta-pé. Este ano vi Dominguinhos, no mesmo Sítio da Trindade. Choveram aplausos quando ele apareceu no palco. Mas durante o show, novamente, pouquíssimos casais dançavam. E olha que Dominguinhos tem mais espaço na mídia do que o que se dedicava a Marinês em seus últimos anos de vida. Tenho sede, Só quero um xodó, Sala de reboco, participação de Jorge de Altinho, músicas de Luiz Gonzaga, e nada, o público permanecia apático.

A razão? Os mais jovens estão condicionados a só dançar se tiver um cantor/professor no palco, comandando a aeróbica. Sem um “Tira o pé do chão, Recife!”, “Quero ver os bracinhos no ar!”, ninguém se mexe. É preciso recondicionar o pessoal a responder a outros estímulos e distinguir música de qualidade de volume de som. É a síndrome da axé music. As bandas de fuleiragem music, as bandas de calypso e zouk do Pará valem-se dos mesmos artifícios das bandas baianas. Precisa o povo aprender, pois que forró não é para tirar o pé do chão. Pelo contrário, é para arrastar o pé no chão, na base da chinela!

José Teles

sobre liberdades e diversidades

a liberdade de expressão é um direito, e como tal, não deve ferir outro. até ler o artigo que cito no texto abaixo, não tinha parado para pensar nisso, ao menos não de forma mais séria e/ou profunda, sei lá. e pensar nisso só me fez aumentar o não gostar dessa “música” (?) a que chamam forró (gonzagas, jacksons, joões do vale e marineses devem remexer-se em seus túmulos). a música é ruim, as letras piores ainda. uma verdadeira desgraça, praga que se multiplica infinita e rapidamente, esgotos a céus e porta-malas abertos, com outros “malas” ao(s) volante(s).

não, não há aqui preconceitos (conceitos, eu diria que sim, mas isso é julgamento que não me cabe fazer) nem desrespeito à(s) diversidade(s) cultural(is).

o tema merece debate. sério, diga-se.

abaixo, nosso texto na tarde de ontem.

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Liberdade de expressão tem limites

Liberdade de expressão em debate: um direito humano não pode violar outro.

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura

O artigo “Expressões ilimitadas e liberdades tolhidas: um olhar crítico sobre a “liberdade de expressão””, assinado por Sheila Bezerra, mestra em Antropologia (UFPE), publicado na Revista do Terceiro Setor acende um debate interessante sobre a indústria “musical” brasileira e preconceitos por ela incitados.

Um dos sucessos do momento, em ônibus, esquinas e porta-malas abertos é “Bomba no Cabaré”, de um tremendo mau gosto – péssimo, eu diria. Trechos da letra: “jogaram uma bomba no cabaré / voou pra todo lado pedaço de mulher / foi tanto caco de puta pra todo lado” e tome aberrações a torto e a direito. E este é apenas um exemplo do que se ouve ininterruptamente por aí, dia após dia.

Sheila Bezerra diz em seu artigo: “A questão que se aborda aqui nesse espaço, não está mais na limitação ditatorial do que é pensado, mas, no seu extremo, aos abusos porque a liberdade de expressão vem passando e quais os caminhos a serem trilhados no combate aos mesmos, uma vez que direito à liberdade de expressão não pode ferir outros direitos humanos”.

A questão merece profundo debate, para além da clássica pergunta-faca de dois gumes: o povo tem que se contentar com as porcarias que as rádios tocam ou as rádios tocam porcarias para satisfazer o gosto popular? A questão é batida, sei. É necessário que se garanta o acesso do povo a obras de qualidade, entendendo a cultura como um direito humano fundamental, em vez de mera “mercadoria” – mercadoria, aqui, entre aspas, podendo ser entendida como o eufemismo dominical, também batido, sempre usado por Fausto Silva.

É questão complexa, obviamente [, repito]. Mas é urgente que comecemos uma mudança. E pensar sobre o tema já é um bom começo. Como nos diz Oscar Wilde em determinado trecho de “A alma do homem sob o socialismo” [L&PM Editores, R$ 9,90 em bancas de revista]: “A arte nunca deveria aspirar à popularidade, mas o público deve aspirar a se tornar artístico. Há nisso uma diferença muito ampla”. Nosso papel deve ser o de garantir essa aspiração ao público. E não ser entendido aqui, como mero preconceituoso.

pasquim, 2

enquanto ainda me delicio com o primeiro volume da antologia do pasquim (que ganhei de presente de aniversário no finalzinho do ano passado), a segunda já chega às livrarias. abaixo, a notinha que publiquei ontem (25) na página 5 do jornal a tarde:

Jornalivro*

Aguardado segundo volume da Antologia O Pasquim chega às livrarias.

A Editora Desiderata bota de novo o bloco na rua e o segundo volume da antologia “O Pasquim” [R$ 74,90] chega às livrarias. Com uma capa verde, esta edição abarca um número menor de edições que a primeira coletânea (que ia do número 1 ao 149; esta, do 150 ao 200).

A obra acabou por tornar-se um clássico, um best-seller nacional deste início de século. Mas como não ser um sucesso se o jornal era? Sem medo de errar, opinião endossada por inúmeros profissionais e apaixonados: O Pasquim foi o maior fenômeno do jornalismo brasileiro. Sem redação fixa, sem colunas fixas e sem muitos dos padrões jornalísticos conhecidos. O jornalista Xico Sá, dizia sobre o primeiro volume: “É desses livros que valem por uma faculdade inteira”. Opinião provavelmente mantida sobre o segundo volume.

Sobre o jornal, nos tempos áureos (foi reeditado como O Pasquim 21, já nos anos 2000), Nelson Rodrigues, um de nossos maiores cronistas, dizia que “parece parede de mictório”, cada um ia lá e escrevia o que queria. Era uma tentativa de colocar ordem no caos. Mas o caos prevaleceu, graças a Deus. Talvez seja exatamente a graça que (nos) falta no jornalismo brasileiro de hoje. (ZR)

[*na edição, o título acabou ficando Jornal Livro]

junho

finalmente foi para as bancas o mais novo número do almanaque jp turismo. o texto abaixo não tem nada a ver com o período junino. é meu “quintal poético” da edição, que ainda não cheguei a ver. foi escrito em uma tarde entre sol e chuviscos, após uma caminhada pela rua grande até o trabalho, de onde tirei várias das reclamações abaixo, além de uma de paula brito, colega de trabalho. e você? reclama do quê?

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Rabugices do nada

por Zema Ribeiro

É quase uma hora da tarde, o calor é de rachar e a maior via comercial da cidade é toda – ou quase toda – minha. Ando pelo meio dela, ali pelos paralelepípedos, onde ninguém anda. Todos querem um pedaço da pouca sombra a essa altura do campeonato. O suor escorre e eu, duas mãos ocupadas, não posso apanhar o lenço no bolso. Uma mão carrega uma pasta, a outra o guarda-chuva, que nestes tempos loucos ninguém sabe quando é que o tempo vai virar. Ando apressado, aperto o passo na tentativa de recuperar o tempo perdido, o atraso. O óculos começa a escorregar – o suor – por sobre o nariz e com a mão ocupada pelo guarda-chuva, no mesmo braço que leva o relógio, consigo ajeitá-lo, e depois vejo as horas, o atraso, o atraso. Vejo pessoas reclamando do calor, as mesmas pessoas que reclamam quando chove. Os paralelepípedos passam, os minutos passam, tudo passa, só não passa o meu amor por você. Penso num poema que ainda não escrevi e que provavelmente nunca escreverei, já que, com as duas mãos ocupadas, não anoto esta – que eu julgo – boa idéia e até chegar ao trabalho já terei esquecido do poema que não escrevi. Meus melhores poemas são os não escritos, é só com eles que me satisfaço. O sinal está fechado para os pedestres e eu vejo pessoas reclamando. As mesmas pessoas que, dirigindo, reclamam quando o sinal está aberto para os pedestres. As faixas cortam o asfalto, uma amarela, outra branca, amarelo, branco, a calçada do outro lado, um prédio a querer cair. Pessoas reclamando do risco iminente de desabamento e do descaso do poder público. As mesmas pessoas que reclamam quando um tapume ocupa o espaço da calçada, obrigando-as ao meio da rua, mesmo que veículos não trafeguem naquela rua. Desço uma ladeira e uma pessoa reclama que aquilo bem poderia ser uma escada. Há uma escada ao lado, por detrás da praça. Lá, certamente as pessoas reclamam que aquela escada – ao lado da ladeira – bem poderia ser uma ladeira. As mesmas pessoas que nunca estão satisfeitas com nada. Sigo meu caminho, tentando não reclamar de nada – embora só esteja realmente satisfeito contigo. Silencio. Contento-me em ouvir as reclamações dos leitores, que me acusam – justamente, é certo – de dizer nada.

ao te ver, emoção

“Bom te ver”, de Francisco Colombo, integrou mostra retrospectiva durante a 30ª. edição do Festival Guarnicê de Cine-Vídeo, encerrada domingo passado.

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura


[ana rodrigues em cena de “bom te ver”; ao fundo, uma de suas telas retrata um fofão e uma casinha da roça, personagem e elemento típicos do carnaval maranhense. foto: reprodução filme – divulgação]

Bom te ver” [2005], título tirado de uma saudação comumente utilizada pela atriz, traz uma despudorada Ana Rodrigues, pintora, artista e “louca”, não necessariamente nessa ordem.

Acrescento-lhe o último epíteto, entre aspas, por ser assim a personagem reconhecida por parcela daqueles que lhe esbarram em becos, ladeiras e esquinas ludovicenses.

Sim, a artista mostrada ali, em cores vibrantes, como é ela própria, nasceu na capital maranhense. Entre sua voz, auto-considerada sexy, suas gargalhadas e músicas que relembram uma boemia que talvez tenha ficado só na saudade – como um grande amor do passado, de que nos faz íntimos e cúmplices – Ana Rodrigues nos diverte, enquanto isso for sinônimo do contágio pela alegria e felicidade.

A Turma do Quinto, um dos maiores patrimônios culturais do boêmio bairro da Madre Deus, encravado na região central de São Luís, venceu mais um carnaval. Ana Rodrigues nos lê um poema. Pulsa ali, emoção, vibração. As cores vivas de uma Ana Rodrigues que nos faz crer que apesar da falta de trabalho – ela mesma (sobre)vive de bicos e da venda bissexta de uma ou outra tela – vale muito a pena viver.

Sua porção atriz – Ana Rodrigues é muitas – nos conta de peripécias entre testes para filmes pornô e participações em filmes, peças e novelas. Os closes – bastante e bem usados ao longo do diálogo travado com o telespectador – desnudam-na, criando um clima de total intimidade. É como se já a conhecêssemos há tempos e fôssemos cúmplices de cada história contada.

Aos 62 anos, Ana Rodrigues diz ainda “sentir o sangue pulsar nas veias”, traduzindo nisso alguma esperança, num cenário onde é famoso quem não necessariamente o merece. Em “Bom te ver”, Ana Rodrigues faz nosso sangue pulsar nas veias. De emoção. Na tela ou nas ruas, ninguém passa im(p)une por essa mulher.

Um breve bate-papo com Francisco Colombo

A mostra retrospectiva procurou mostrar ao público da 30ª. edição do Festival Guarnicê de Cine-Vídeo o que de melhor rolou nas mais recentes edições do festival. “Bom te ver”, do maranhense Francisco Colombo é o perfil de uma atriz também maranhense. Colombo foi o único maranhense selecionado na categoria audiovisual da mais recente edição do Programa BNB de Cultura e gravará seu novo curta no segundo semestre. Enquanto isso, ele divide o tempo entre as atividades na Assessoria de Comunicação do Ministério Público Estadual e o ofício de professor universitário na Universidade Federal do Maranhão e Faculdade São Luís. Sobre “Bom te ver”, a reportagem de A Tarde conversou rapidamente com o cineasta.


[o cineasta durante a entrevista. foto: zema ribeiro]

A Tarde – Qual a tua principal idéia ao fazer “Bom te ver”?

Francisco Colombo – Era fazer um filme sobre a pessoa, a atriz Ana Rodrigues mesmo. Uma pessoa curiosa, cheia de vida e histórias, experiências interessantes para contar. Ela também estava muito ansiosa por isso. Queria compartilhar tudo o que viveu.

A Tarde – Há a idéia de fazer documentários-perfis com outras “personalidades” maranhenses?

Colombo – Há sim. Mas tenho uma maneira muito peculiar de pensar personalidades. Não tem nada a ver com o critério que os meios de comunicação têm para elegê-las.

A Tarde – Entendendo que o filme fica entre os destaques das últimas edições do festival, como foi revê-lo dentro de uma retrospectiva do Guarnicê?

Colombo – Para mim foi muito interessante. E a maneira como as pessoas o viram… Ver o filme em projeção 35 mm é sempre diferente… (ZR)

[jornal a tarde, 20/6/2007]

a tarde de ontem sobre a tarde/noite de anteontem (ou: ainda tambores)

Ainda se ouve o ecoar dos tambores

Grande festa, ímpar e inédita, marcou o reconhecimento do Tambor de Crioula maranhense como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura

Talvez algum leitor já ande de saco cheio deste jornal tanto falar de Tambor de Crioula, dada sua curta – até aqui – existência [do jornal]. Mas diante da importância de tal acontecimento, seria no mínimo irresponsável ou desonesto trabalharmos a divulgação e não fazermos aqui uma pequena prestação de contas pelo acontecido: festa ímpar e inédita marcou para sempre a vida cultural deste Estado. Também corremos, é verdade, o risco de não conseguir retratar (em texto e/ou nas fotos que ilustram esta matéria) o que aconteceu ali. Como disse um passante: “Se um tambor de crioula já é muita vibração, imagine esse monte de tambores juntos. É energia pura!”.

Perto das 16h de ontem (18), sob o fino chuvisco que São Pedro mandava – certamente apenas em saudação ao colega São Benedito – era grande o número de pessoas que se amontoava em frente à Casa das Minas, onde acontecia a 53ª. reunião do Conselho Consultivo do IPHAN, que reconheceria oficialmente o Tambor de Crioula do Maranhão como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

A Rua de São Pantaleão transformou-se em belíssima passarela, enfeitada com retratos de personalidades da manifestação maranhense. Uma placa no começo da rua anunciava o nome de mais de 100 grupos. Mais de 50 tocavam, muitos deles simultaneamente, no espaço compreendido entre a Casa das Minas e a Fábrica das Artes, onde estão instalados o Museu do Tambor de Crioula e a Capela de São Benedito, para onde sua imagem seguiu, em procissão acompanhada pelo grupo ilustre que participava da reunião, os grupos que tocavam e dançavam, fiéis protegidos pelo santo, populares e a imprensa.

“Acho que nunca vi tanto tambor de crioula junto”, dizia, admirado, um dos milhares de curiosos ali presentes. “Eu tenho certeza”, respondia outra. “É muito tambor, muito fotógrafo, muita polícia”, concluía um terceiro. Era um resumo da festa ao ar livre que estava acontecendo. Saias rodavam, cantorias animavam a tarde daquela segunda-feira toda especial. Comprados em botecos próximos ou sabiamente trazidos dos diversos bairros de onde vinham os grupos, conhaque e cachaça apanhavam ao longo do longo corredor onde era possível ver (e sentir) também (a fumaça das) muitas pequenas fogueiras – para afinar os instrumentos. A turba de jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos de imprensa – a grande maioria dos que estavam ali – perdia esses pequenos grandes detalhes ao tempo em que se posicionava estrategicamente esperando unicamente a saída do Ministro Gilberto Gil, que participava da reunião.

Um foguetório anunciando o fim da reunião e início do cortejo não conseguiu encobrir o batuque. A imagem de São Benedito, em um andor, conduzia a multidão, seguida de perto pelas autoridades, protegidas por um cordão de isolamento policial. A noite se aproximava e aos sons e cores se uniam as luzes. Pela rua e dentro da Fábrica das Artes, incontáveis grupos de Tambor de Crioula seguiam em suas apresentações, enquanto eram anunciadas as falas dos que compunham a mesa da solenidade, rodeadas pela imprensa (de um lado) e mestres do Tambor de Crioula (de outro).

Durante sua fala, o Ministro Gilberto Gil fez agradecimentos aos ancestrais. A dança de raízes africanas, para o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, percorreu um longo caminho: foram mais de dois anos de pesquisas e inventário, sobre as origens da dança, o número de grupos existentes no Estado, importância e expressividades, que vieram a compor um dossiê que foi analisado nas aproximadamente 3h de reunião, ontem.

Joãozinho Ribeiro, Secretário de Estado da Cultura do Maranhão, frisou a importância do interior do Estado nesse processo. “É das muitas comunidades remanescentes de quilombos existentes no interior do Maranhão que pulsa a nossa verdadeira cultura”, afirmou. Durante a solenidade oficial ocorreu ainda o lançamento de selo e carimbo dos Correios, saudando o agora brasileiro Tambor de Crioula. Desfeita a mesa, já noite, Mestre Felipe saudou os presentes comandando, sobre o palco, uma grande roda de tambor. Em paralelo, dentro da Fábrica das Artes e ao longo da Rua de São Pantaleão ainda era grande o número de grupos que se apresentavam. “Isso tá com cara de que vai amanhecer”, prenunciava um brincante, ao se servir de mais um copo de cerveja.

De acordo com estatísticas da Polícia Militar, mais de 3 mil pessoas participaram da festa. Sem dúvidas, uma grande festa popular. Viva São Benedito! Viva o Tambor de Crioula do Maranhão! Viva o Tambor de Crioula do Brasil!

[a tarde, 19/6/2007; sobre o assunto, fotos, posts abaixo]

propaganda

[interrompemos nossa programação para um brevíssimo intervalo comercial]

lanches e coquetéis para todos os tipos de festa (casamentos, aniversários etc.) e eventos em geral (congressos, seminários, reuniões, workshops etc.). este blogueiro atesta qualidade, sabor e preço. ligue agora mesmo para rafaela ou heider: [98] 9903-3904 e/ou 9944-9214. em breve estarei distribuindo seus cartões de visitas, mas este blogue dá em primeira mão. experimente(m)! e ajude(m) a divulgar.

[em breve voltaremos com nossa programação (a)normal]

foi bonita a festa…

São Benedito passeia por São Pantaleão

Após o tombamento do Tambor de Crioula como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, mais de 50 grupos seguirão em cortejo pela Rua de São Pantaleão, que virou uma passarela especialmente para a festa.

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura

A Rua de São Pantaleão, na divisa geográfica entre os bairros do Centro e Madre Deus, amanheceu com um clima diferente na manhã de hoje. E não somente por São Pedro ameaçar mandar água, com um rápido chuvisco que obrigaria donas de casa mais precavidas a tirar as roupas do varal.

Desde ontem, o trânsito na São Pantaleão estava interditado, da esquina do Beco das Minas (Rua Lucas e Baldez, que a Casa das Minas rebatizou) em diante, no sentido Centro-Madre Deus. Toda uma estrutura com obras de fotógrafos e artistas plásticos maranhenses ganhou a rua, fazendo dela uma imensa passarela com motivos que lembram grandes mestres do Tambor de Crioula, uma de nossas mais genuínas tradições e manifestações culturais.

Mestre Filipe, Dona Terezinha Jansen, Clemente e Apolônio, entre outros, têm seus rostos em grandes fotos que tomaram a mão dupla que conduzirá os mais de 50 grupos de Tambor de Crioula de São Luís que seguirão em cortejo da Casa das Minas até a Fábrica das Artes (Madre Deus, ao lado do Ceprama) após o registro no Livro das Formas de Expressão do tombo do Tambor de Crioula maranhense como Patrimônio Cultural imaterial brasileiro.

O tombamento se dará em solenidade que marca a 53ª. reunião do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que em 70 anos de existência do Instituto raramente realizou cerimônias fora de sua sede no Rio de Janeiro – esta é a terceira vez que isso acontece. A reunião acontecerá às 15h, a portas fechadas, e contará, além dos conselheiros do IPHAN, com a presença de alguns convidados: o Ministro da Cultura Gilberto Gil – que anunciou que fará o percurso do cortejo descalço –, o Governador do Estado do Maranhão Jackson Lago, o Secretário de Estado da Cultura Joãozinho Ribeiro, o Presidente da Fundação Municipal de Cultura Adirson Veloso e a Prefeita Municipal de São Luís em exercício, Sandra Torres – Tadeu Palácio estará em Kazan, na Rússia, participando do Encontro Mundial da Organização das Cidades Patrimônio Mundial, representando a capital maranhense, que este ano completa dez de elevada à condição de. As autoridades serão recebidas por Dona Denil e Dona Celeste, moradoras da Casa das Minas.

Na Fábrica das Artes, onde está montado o Museu do Tambor de Crioula e há uma capela para louvores a São Benedito, santo padroeiro da festa e de seus brincantes, acontecerá um grande baile regado a fogo (para aquecer os tambores), murro (para que soem os tambores), coro (o canto de tocadores e coreiras), cores (o esvoaçar das saias das coreiras) e muita animação. O Tambor de Crioula é o décimo primeiro registro nos quatro livros de tombo do IPHAN e o primeiro maranhense. O complexo cultural do bumba-meu-boi está sendo analisado e deverá ser tombado em breve.

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acima, texto meu para o jornal a tarde de ontem (18). os leitores do vespertino e deste blogue já devem estar de saco cheio de tanto lerem falar de tambor de crioula. tomem mais, pois: a tarde de hoje (tenta re)conta(r) a festa de ontem. coisa bonita! coisa linda! se você não era uma das aproximadamente 3 mil pessoas (de acordo com estatísticas da polícia militar) presentes, nem meu melhor texto (estou longe disso) nem minhas melhores fotografias (idem) conseguirão recontar a energia pura, vibração total, “aquilo”, simplesmente, ontem. o que era aquilo, meu são benedito?! o que era aquilo, meu deus?! coisa bonita!, coisa linda!, repito. valei-me! a festa foi linda, é o que posso dizer.

abaixo, algumas das imagens que fiz em minha tosca máquina fotográfica. mais que nunca estou convencid(íssim)o de que preciso trocá-la. as fotos abaixo não tiveram nenhum tratamento (cortes, edição ou coisa que o valha). são o que minhas lentes captaram. [fotos: zema ribeiro]


tocadores por detrás do esvoaçar das saias das coreiras


fogueiras eram acesas para “afinar” os instrumentos


multidão na porta da casa das minas, onde o conselho consultivo do iphan estava reunido


primeira aparição do ministro gilberto gil após o fim da reunião


uma coreira equilibra uma lata de brahma na cabeça (a lerdeza do fotógrafo pegou o exato instante em que ela arrumava a latinha)


enquanto outra segura a imagem do santo de devoção


multidão que lotou a fábrica das artes, onde estão instalados o museu do tambor de crioula e a capela de são benedito


observado pelo ministro gil, coral dos correios canta o hino de são luís no encerramento da solenidade; na ocasião, foram lançados selo e carimbo com temas do mais novo patrimônio cultural imaterial brasileiro


mestre felipe, um dos homenageados de ontem, comanda grande roda de tambor, saudando autoridades e todo o público presente à grande festa.

são benedito na são pantaleão

[mestre felipe, um dos importantes personagens que compõem a decoração da são pantaleão. foto: zema ribeiro]

logo mais, às 15h, na casa das minas (rua de são pantaleão, 857, centro), o tambor de crioula do maranhão será reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro, em reunião do conselho consultivo do iphan, que acontecerá a portas fechadas e terá a presença de, entre outros, gilberto gil, ministro da cultura, que anunciou que fará o cortejo pós-reunião até a fábrica das artes (rua de são pantaleão, ao lado do ceprama) descalço. mais de 50 grupos de tambor de crioula de são luís desfilarão pela bela passarela em que se transformou a são pantaleão. sobre o acontecimento escrevi (novamente) para o a tarde de hoje (nas bancas, logo mais). na fábrica das artes está instalado o museu do tambor de crioula e grande festa marcará o encerramento deste evento ímpar. apareça!


[vista da decoração da são pantaleão, rua que virou passarela. foto: zema ribeiro]

zema no etc. e tal, vol. 3

abaixo, minha fala no “etc. e tal” que foi ao ar na última sexta-feira (15) pela rádio univima. a apresentação é da zina nicácio.

é brega, piegas, ambas as coisas e mais um pouco. mas o amor não é isso (também)?

*

alô, ouvintes da rádio univima! eu sou zema ribeiro e é sempre um prazer estar aqui com vocês.

então, o dia dos namorados passou. o que você deu? o que você ganhou? em rádios, jornais, revistas e tevês, diversas matérias mostraram que a data é a terceira melhor do ano para o comércio, perdendo apenas para o dia das mães e o natal.

bom, comercial ou não, quem é que não gosta de ganhar presentes? de estar abraçadinho de seu amor? que seja eterno enquanto dure, já nos diria o poetinha, que de poetinha nada tinha, era um poetaço, vinícius de moraes.

parece impossível falar de amor sem ser piegas, não é mesmo? concordo plenamente. o amor é brega e isso nada tem de ruim. todas as cartas de amor são ridículas, nos diria um outro poeta, o português fernando pessoa.

então, como o nosso tema hoje é o dia dos namorados, a gente vai ouvir um brega da mpb, se é que podemos falar assim. uma singela canção que fala de morar junto, de estar junto e essas coisas que os casais apaixonados tanto gostam.

a estes tantos casais, e em especial à minha namorada, a gente oferece a canção de hoje, do belíssimo “de uns tempos pra cá”, mais recente lançamento do compositor paraibano chico césar.

bela música, bela letra, como são belos os casais apaixonados, a gente ouve agora, com chico césar, “por que você não vem morar comigo?”. um grande abraço e até a próxima!

reza, é como os amigos carinhosamente o chamam…

com minha ida para o a tarde, não teve texto meu no jornal pequeno de ontem, como já era costume, minha coluninha ali ao canto inferior direito da página primeira classe. no jp de ontem, o jornalista e poeta paulo melo souza publicou uma entrevista com o poeta e jornalista antonio rezende, alvo também da coluna alça de mira, editada também pelo primeiro para o mesmo suplemento semanal jp turismo.

um poema do rezende, para que vocês não fiquem se indagando “sim, mas do que é mesmo que estamos falando?” e saberem que o cabra é bom:

ensaios de adeus

6

aceita o meu amor já carimbado
e o meu dinheiro minguado

agora, baby
tem que ser assim

não queira mais
do que eu te der de mim

mais um? pois não:

consulta

sabe, doutor…
eu vim aqui
pra ver se há cura
pra espasmos de ternura

com a mesma foto [divulgação] que ilustrou a resenha que fiz pro jp da sexta-feira anterior (8), saiu na tarde de anteontem, a entrevista abaixo, que este nem jornalista (ainda) nem poeta fez com o vocês já sabem antonio rezende.

mais uma vez, lá, o texto saiu sem assinatura.

*

Poesia na medida (a)certa(da)

O poeta tocantinense Antonio Rezende lança “Acerto de contas”, volume de poemas, em noite de autógrafos, logo mais, na Livraria Poeme-se (Praia Grande).

Antonio Rezende é um dos cinqüenta poetas-músicos-artistas que participaram do livro-disco “Música”, do poeta maranhense Celso Borges, lançado ano passado. Resgatando poemas escritos desde a década de 80, quando morou em São Luís e chegou a integrar a Akademia dos Párias – que causou algum barulho na cena poética da Ilha, à época – é a vez do tocantinense acertar contas poéticas com o público ludovicense. O livro tem os endossos (orelhas e textos de apresentação) de Fernando Abreu e Zeca Baleiro, além, é claro, do próprio Celso Borges. 112 páginas em papel reciclado – o que demonstra o compromisso do homem com questões que vão além do nada simples “fazer poesia” – trazem amostras de Rezende: o poeta se mescla com o fotógrafo e o resultado é este belo “Acerto de contas”. A noite de autógrafos acontece às 19h na Livraria Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande). “Poeme-se”, aliás, é poema de uma linha, “Palavra de ordem”, escrito a quatro mãos com Ribamar Filho, o Riba do Poeme-se, proprietário do hoje famoso misto de sebo e livraria. A reportagem de A TARDE conversou com Antonio Rezende.

A Tarde – Rezende, conte-nos um pouco da fase em que tu moraste em São Luís.

Antonio Rezende – Morei em São Luís na década de oitenta, época em que a cidade não tinha o aspecto metropolitano de hoje. Aqui vivi momentos interessantes, sobretudo no aspecto cultural. Nas universidades e nas ruas, percebia-se a efervescência dos movimentos estudantil e artístico. Era um tempo de muita produção e engajamento, fundamental na construção do pensamento que tenho hoje a respeito do que é a poesia.

A Tarde – O que você vê de diferente entre aquele momento e hoje?

Rezende – O fato de ter deixado a cidade no início dos anos 90 é um inibidor de resposta minha nesse sentido, embora eu tenha acompanhado, ao longo dos anos, a evolução em todos os aspectos. Sempre vim a São Luís, geralmente a passeio ou para participar de alguns eventos. Tenho São Luís como minha segunda cidade, depois de Araguaína, que é onde nasci. Aqui fiz e mantenho muitas amizades. Sinto-me como se estivesse em casa toda vez que chego aqui. Hoje, a cidade é outra, bem diferente. Cresceu muito e passou por transformações que saltam aos olhos da gente, por mais imperceptíveis que pareçam aos olhos de quem vive aqui, enfrentando as correrias do cotidiano. Vejo uma São Luís com graves problemas sociais e infra-estrutura, que precisam ser resolvidos. Vejo poucas mudanças nas esferas de poder, principalmente nos aspectos políticos e de controle da mídia.

A Tarde – Como você resumiria “Acerto de contas”?

Rezende – Acerto de Contas é um livro que já deveria estar publicado desde os anos 90. Ele reúne um pouco do que produzi ao longo destes últimos vinte anos. É um livro de cunho existencialista, de auto-afirmação como poeta, que resgata um pouco dessa produção e marca um novo momento em minha vida como poeta e jornalista. Tenho alguns projetos de livros em andamento, de poesia, prosa e fotografia. Precisava fazer um acerto de contas com o meu passado de militância poética, sobretudo em São Luís, onde participei de vários movimentos. Sempre trabalhei com publicações coletivas, mas não tinha ainda um livro publicado. Agora tenho.

A tarde – Como no livro há poemas da década de 80, como foi chegar à seleção que o compõe? E quanto às fotos, foi fácil selecioná-las?

Rezende – O tempo esmerila bem a gente. A escolha e produção de poemas para um livro é sempre um parto difícil, quando se quer um resultado mais apurado, mais essencial, necessário. As fotos que ilustram o livro fazem parte de um acervo de imagens que tenho, com fotografias feitas em vários lugares do Brasil e que servirão de fonte para um livro que estou produzindo sobre peculiaridades dos lugares e do povo do nosso país.

A Tarde – O que significa para você o endosso de poetas do naipe de Celso Borges, Fernando Abreu e Zeca Baleiro ao teu trabalho?

Rezende – São poetas contemporâneos, que têm um compromisso maior com a palavra, com a poesia enquanto instrumento de culto da vida e do belo, mas também como instrumento provocador de mudanças na vida em sociedade. Além de amigos, com os quais convivi em momentos de parceria e produção literária, são figuras que representam algo de novo no que se faz em termos de poesia atualmente. Eu tenho um gosto enorme pela poesia falada e suas experimentações sonoras. Isso nos une. Acho que são bons parceiros e importantes expressões artísticas do Maranhão.

A Tarde – Lendo os textos de apresentação de teu livro, descobri que atuas como jornalista em Palmas/TO. Depois de abandonar três cursos na UFMA, você voltou à faculdade? Se sim, o que você percebe de diferente após ter passado por ela? Se não, voltaria a ela um dia?

Rezende – Retomei o estudo acadêmico de Jornalismo em Palmas, em 2005, mas tranquei o curso novamente. Trabalhei na área por muito tempo, atuando em redação de jornais e TVs. Mas hoje estou mais é empreendendo, trabalhando com assessorias e marketing político. Sinceramente, penso que se criou no país uma enorme indústria de diploma superior em quase todas as áreas, entre elas o Jornalismo. Sou dos que defendem a formação acadêmica, mas acho que diploma não é critério decisivo na essência do que é ser jornalista. A imprensa no Brasil é uma boneca fardada, com a maioria dos veículos nas mãos de grupos poderosos, situação em que o que prevalece é a linha editorial dos veículos. Muito pouco se faz de imprensa autêntica, libertadora e alternativa.

A Tarde – O que você espera desta noite de autógrafos, hoje? O que vai rolar, efetivamente?

Rezende – Esta noite de quinta promete. É um dia especial para mim, de reencontro com o público maranhense, de muita alegria e poesia falada, naturalmente.

a(s) tarde(s)

todos sabem que ando sem tempo, vez em quando reclamo (por) aqui.

mas topei fazer a página de cultura do jornal a tarde, que começou a circular ontem em são luís do maranhão. dirigido por luis cardoso (ex-diário da manhã), o jornal vai para as bancas e residências de assinantes no turno vespertino.

abaixo, nosso primeiro texto, no primeiro número do jornal (13/6/2007). acabou saindo sem assinatura. a foto é de gilson teixeira, da assessoria de comunicação do governo do estado.

hoje à tarde tem mais.

*

São João

Baile no Ceprama marcou o lançamento oficial do festejo junino.


[Joãozinho Ribeiro, Jackson Lago e Tadeu Palácio abriram o São João do Maranhão]

São João das MaranhenCidades. Este trocadilho com o tema do São João promovido pelo Governo do Estado – o São João da Maranhensidade – marcou a apresentação das peças publicitárias do primeiro consórcio intermunicipal de cultura consolidado no Maranhão: o da região do Munim, que integra as cidades de Rosário, Axixá, Humberto de Campos, Icatu, Presidente Juscelino e Morros [errata: faltou citar o município de Cachoeira Grande].

O anúncio foi realizado ontem [12], durante o lançamento oficial do São João, que contou com as presenças do Governador do Estado Jackson Lago, do Prefeito de São Luís Tadeu Palácio, do Secretário de Estado da Cultura Joãozinho Ribeiro, do Presidente da Fundação Municipal de Cultura Adirson Veloso e dos Secretários Estadual e Municipal de Comunicação, Zeca Pinheiro e Andréa Viana, respectivamente.

Estes apresentaram ao bom público presente ao Ceprama, as peças publicitárias que integram a campanha de mídia que será veiculada ao longo de todo o período junino, valorizando nossas tradições, das brincadeiras populares à culinária maranhense.

Números – Com algumas atrações prévias, a exemplo do cortejo Desterro-Praia Grande, às sextas-feiras, a partir das 19h, a programação oficial do São João acontecerá entre os dias 22 de junho e 1º. de julho. Na capital, serão 29 arraiais sob o comando do Governo do Estado e 10 da Prefeitura Municipal em diversos bairros. 517 brincadeiras e 160 shows passarão por seus palcos, em um orçamento que chega aos R$ 10 milhões.

Maranhão – A Secretaria de Estado da Cultura recebeu 161 projetos de prefeituras do interior para a realização dos festejos juninos, número que já supera o de inscritos para o Carnaval. Os projetos estão sendo analisados criteriosamente por uma equipe e os contemplados começarão a receber as verbas a partir do dia 15 de junho. Cada projeto receberá entre R$ 8 mil e R$ 80 mil, o que levará em conta as necessidades do município, população, IDH, inclusão promovida e tradição das manifestações, entre outras.

Baile – Após a fala das autoridades, o palco foi tomado pelo baile popular (com entrada franca) que deu o pontapé inicial dos festejos juninos de São Luís. O animado grupo de Raimundinho brindou os presentes com genuíno forró pé de serra. Depois foi a vez do tradicionalíssimo Tambor de Crioula de Dona Teresinha Jansen. “Isso aqui é Fé em Deus, não é brincadeira não!”, disse.

A festa prosseguiu sem que São Pedro mandasse água. Pelo palco passaram ainda o forró pé de serra de Nunes do Acordeom e o Bumba-meu-boi Encanto da Ilha (orquestra).

Tambores – Na próxima segunda-feira, São Luís receberá o Ministro da Cultura Gilberto Gil, que em reunião com o Conselho Consultivo do IPHAN, reconhecerá o nosso Tambor de Crioula como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro; no dia seguinte, a Tocha Olímpica dos Jogos PanAmericanos passa por aqui, fazendo um percurso de 25km.

“Quem sabe ela não venha prenunciar que o Maranhão será o campeão do São João do Brasil”, brincou o Secretário Joãozinho Ribeiro. A depender do que foi mostrado ontem, somos favoritíssimos.

viva o forró, porra!

Recebi alguns e-mails elogiando, outros criticando, os comentários que fiz, recentemente, aqui no JC, sobre a produção atual do forró dito pé-de-serra. Os que criticaram, sugeriram que eu fizesse o mesmo com os discos das bandas, ditas de forró eletrônico. Do forró, dito pé-de-serra me ocupo, porque gosto, foi a música com a qual cresci. O forró dito eletrônico, assim como disco de Zezé di Camargo & Luciano, Leonardo, sertanejos em geral, Calypso e bregas em geral estão acima da crítica. Saia Rodada, Cavaleiros do Forró, Forrozão Chacal, Mulheres Perdidas, Aviões do Forró, etc. etc., não é forró. Pelo contrário, prejudica o forró, porque tem público. E tem o mesmo público que teve o gosto musical embotado pela axé music. Para este o que vale é a multidão, a turba. Podem botar um poste em cima de um caminhão, em silêncio que eles vão atrás.

Estas bandas são mais um fenômeno sociológico* do que musical. Aliás, a música é uma mistura de lambada com a coreografia aeróbica da axé, letras de música sertaneja, no início – e hoje de um erotismo grosseiro, com trocadilhos infames e de mau gosto.

Embora se digam de forró, a sanfona está ali apenas para justificar o “forró” no nome do grupo, o que sustenta as melodias pobres e repetitivas, são os sopros e metais, estes muito bons, tocados por músicos calejados. Como elas são as preferidas das prefeituras onde há grandes arraiais, a tendência é o forró continuar perdendo espaço para as bandas.

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o texto acima é do sempre lúcido josé teles, de sua coluna “toques”, no jornal do commercio, de pernambuco. quem me enviou, por e-mail, foi o amigo glauco barreto, que recentemente passou pela ilha.

os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue sabem o que penso sobre o assunto. e preferia que músicas (?) como esses pseudo-forrós não tocassem em ambientes que freqüento. mas é quase impossível escapar disso: ônibus, bares, lares, é uma praga.

que não me contagie! amém!

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[*escatológico, eu diria.]