o mundo acabou! e isso é bom!

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje; nota: este blogueiro chegou a fazer curso de datilografia na cruz vermelha brasileira]

Alberto Villas remonta sua infância em rico panorama cultural dos anos 60.

por Zema Ribeiro*

Entrei outro dia numa farmácia e, enquanto esperava ser atendido, corri os olhos nalgumas prateleiras. Deparei-me com embalagens “coloridinhas” – e provavelmente “perfumadinhas”, penso, pois não cheguei a constatar – da famigerada Emulsão Scott. Lembrei-me imediatamente do fedor daquele remédio, cuja única coisa que me agradava era a ilustração, na parte de trás da embalagem, em alto relevo de um pescador com um peixe tão grande quanto ele. Outra lembrança indissociável era a mistura da tal emulsão com Biotônico Fontoura e ovos de pata, cuja finalidade não lembro – ou nunca soube.

A cada dia que passa, acreditamos estar vivendo num mundo cada vez pior. Que histórias teremos para contar para nossos netos? – se é que teremos netos –, parecemos nos perguntar, ao ouvir as (quase sempre) deliciosas histórias de nossos avós. Balela! Todos teremos, de um jeito ou de outro, histórias para contar num futuro não muito distante.

Alberto Villas reuniu suas histórias e memórias sentimentais de infância em “O mundo acabou![Editora Globo, 2006, 306 páginas, R$ 38,00], livro recheado de “personagens” que povoam a lembrança do escritor, a maioria, hoje, só existentes ali.

Em verbetes como bomba de flit, Repórter Esso, sapato Vulcabrás, papel almaço, dedal, penico, suco de groselha, Zebrinha do Fantástico e muitos outros, o escritor leva seu leitor a sentir saudades de um tempo que às vezes nem viveu. Ah!, que vontade de escrever este texto em uma máquina de escrever!

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

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