prêmio: um showzaço de jair rodrigues

antes, uns toques.

amanhã e depois: uma linda quase mulher.

hoje: lançamento de música, livro-disco de celso borges, na albatroz letras e café, renascença, às 19h.

*

ontem:

apesar de não ter sido convidado para a festa, consegui, aos 47 do segundo tempo, um par de convites para “a maior premiação da música maranhense”, a décima edição do prêmio universidade fm, promoção da rádio homônima, que este ano prestava homenagens ao festival “viva” de música maranhense (realizado em 1985), inclusive reproduzindo o show da grande final, ocorrida em 26 de julho daquele ano, que teve como grande vencedora a música “oração latina”, de cesar teixeira, na interpretação de gabriel melônio e cláudio pinheiro. a música viria a se tornar um dos maiores hinos de protesto de que se tem notícias por estas plagas e é até hoje entoada em greves e similares.

interessante ver a reconstrução do repertório do “viva” (hoje, provavelmente o festival se chamaria “vivo”) por jayr torres e “sua” banda, que acompanhou nomes como fátima passarinho, alê muniz (que representou césar nascimento, que, morando no rio de janeiro, não pôde participar da festa), gerude, rosa reis, george gomes (este, baterista da banda da noite, substituiu, com rosa, fauzi beydoun, em turnê internacional com a tribo de jah) e os já citados cláudio e gabriel, entre outros.

a decoração do teatro arthur azevedo, na noite de ontem (14), era um capricho: do teto, no palco, pendiam capas de vinis amarrados por fitas coloridas. ali estavam pequenos capítulos da história da música popular brasileira, algo assim meio bar do léo: maria bethânia, moraes moreira, roberto carlos, josias sobrinho, gabriel melônio, ney matogrosso, a trilha sonora da novela global roque santeiro, além de diversas coletâneas de gêneros diversos, entre outros nomes.

o telão, abrindo a noite, exibia um recorte da história dos festivais e mostrava, além do “viva”, nomes famosíssimos como o ministro gilberto gil, caetano veloso, nara leão, chico buarque, os mutantes, tetê espíndola etc., etc., etc.

além de penetra(s), folgado(s). com dois convites para o balcão, ouvi(mos) um “já tá liberado para a platéia” e não tive(mos) dúvidas: fomos nos sentar lá. azar o nosso: ao lado do radialista e cantor césar roberto, que gritava, batia palmas fora de hora, assobiava (alto), tentava anunciar vencedores (quase sempre errando) e retrucava falas de outra chata não identificada, sentada na fila de trás, além de, ao menos por três vezes, pedir para passar (estávamos próximos do corredor lateral).

o blogueiro, em falha jornalística imperdoável, não levara uma caneta, um bloquinho de papel, um gravador, nada. até aqui e daqui pra frente, memória (gracias, regyanne farias, pela consultoria, lembrando-me uns itens que teimavam em me escapar). cervejas, só após o fim da premiação, após o memorável-inesquecível-tudo de bom (que sem um termo “da moda” não dá…) show de jair rodrigues. mas não estraguemos as coisas, não quebremos a ordem dos fatos. ou melhor, quebremos: como eu nada anotei, vou tentar lembrar aqui a premiação, do quesito 29 ao primeiro, ordem inversa à do post de anteontem (veja abaixo, se interessar).

inútil e desnecessária a premiação de nan souza – o dono do brisamar hotel – numa trigésima categoria do prêmio, inventada sabe-se lá para quê: “personalidade cultural”. certo, era ele o secretário de estado de desportos e lazer (sic) quando da realização do “viva”. modesta opinião deste torto e míope blogueiro: não fez mais que a obrigação. retruca alguém daí: “e depois, zema, quando é que rolou outro festival, em âmbito estadual, com o mesmo porte?” (foram 380 canções inscritas). eis o resultado da política que pensa a secretaria de cultura (e não mais desportos e lazer, ao menos um avanço, viva!) como mero departamento de marketing da administração, só atentando para grandes eventos, leia-se, carnaval e são joão.

à premiação, pois, com alguns comentários, caibam eles ou não. lembrando: a que vai aqui, não é a ordem em que a premiação foi apresentada ontem pelo professoramigo adalberto melo (da equipe da rádio universidade) e val monteiro (idem).

29, destaque técnico de gravação e mixagem, carlão, pelo cd “the mads”. quando vi os atuais “queridinhos” do jornalismo cultural maranhense – os estreantes the mads (não, nada tenho contra os rapazes) –, engomadinhos, julguei que eles seriam os grandes nomes da noite. enganei-me, ainda bem (você).

28, destaque músico tecladista, henrique duailibe, pelo cd “momentos da noite”. dos três finalistas dessa categoria, só ouvi o “canção de vida”, que merecia, por parte da rádio universidade, uma “explicação”, já que se trata de um projeto especial etc. ao longo da noite, nunca se soube quem canta no cd ou do que se tratava.

27, destaque músico baterista, george gomes, pelo cd “negro encanto”, de luiz carlos guerreiro. fosse eu membro da comissão organizadora da festa, teria “escalado” uma banda menos premiada/premiável, leia-se: só com músicos que não estivessem concorrendo a prêmios. (george gomes tocou no show reprodução de “viva”, onde a cada três premiações, um intérprete cantava uma das dez finalistas do festival que completou 21 anos, e não “23, 24”, viu, seu nan?; o músico também acompanhou jair rodrigues, sobre o que a gente fala já já).

26, destaque músico percussionista, carlos pial, pelo cd “canção de vida”, aqui eu “explico” (embora isso seja dispensável aos leitores deste blogue): disco comemorativo dos 50 anos da cáritas brasileira, com dez canções (brasileiras) interpretadas por lena machado. pial estava na banda da noite, idem e, ibidem, acompanhou jair rodrigues.

25, destaque músico guitarrista, jayr torres, pelo cd “reflection”, do músico americano radicado no estado desunido do maranhão jim howard. o irmão de neném, baixista da banda da noite, tocava guitarra e era responsável pela produção musical da reedição de “viva”.

24, destaque músico baixista, serginho carvalho, pelo cd “o som do mará”. eu (ainda) não ouvi o disco. eu não ouvi todos os discos, bruno batista, outrora revelação, nalguma edição passada do prêmio.

23, destaque músico violonista, luís jr., pelo cd “canção de vida”. corporativismos à parte, merecidíssimo prêmio, quem já ouviu a fera (que acompanha de cesar teixeira a tom cléber) sabe do que estou falando.

22, talento da noite, milla camões. na porta do teatro, ao fim da premiação, ela cumprimentou-me: “zeeeeeeema!”, “o que foi que eu te disse?”. milla, via msn, confessava-se nervosa, por concorrer com lívia amaral, grandessíssima amiga etc. e tal. eu tentava acalmá-la e chutava que ela sairia premiada.

21, revelação, the mads. embora eu preferisse lena (que gravou “canção de vida” em duas sessões apenas), já sabia para quem iria o quadro com a reprodução do vinil “viva” nessa categoria.

20, melhor música instrumental, “elegante”, do instrumental pixinguinha. não acho “elegante” a melhor música de “choros maranhenses”, disco de estréia da turma do professor zezé alves. mas é sim, uma música muito bonita e o prêmio é merecido.

19, melhor cd instrumental, “choros maranhenses”, do instrumental pixinguinha. foi engraçado vê-los subir ao palco, receber este prêmio e voltar para receber o anterior (no texto), imediatamente.

18, melhor pop-rock, “o encontro de chico mendes e lampião no dia de são sebastião”, da nego ka’apor. aí uma agradável surpresa. embora tenha “votado” nela, achei que fosse dar the mads. minha namorada, que havia saído momentaneamente para atender ao celular, viu patricinhas torcendo narizes e bicos: “eu nem conheço essa música”. deveriam, mocinhas (e mocinhos), devem.

17, melhor cd de pop-rock, “nego ka’apor”. aqui outra agradabilíssima surpresa. embora eu tenha diminuído o ritmo, a freqüência, a assiduidade, acompanho o trabalho da banda desde os primórdios, tenho diversas demos em casa (modéstia à parte, inclusive alguns registros de shows que nem mesmo beto ehongue, o vocalista, tem) e sei que o prêmio é merecidíssimo, fruto de um grande esforço que começa a dar frutos, com toda a redundância que aqui se permite.

16, melhor reggae, “a paz”, da banda legenda, que tem entre seus integrantes, músicos da banda da noite.

15, melhor música carnavalesca, “elétrica”, do bicho terra.

14, melhor cd de música carnavalesca, “na onda do bicho”, do bicho terra.

13, melhor música folclórica, “índia bailarina”, de chiquinho frança. era o segundo prêmio da noite para o segundo maior premiado da história do prêmio universidade, que chegou ontem ao décimo troféu.

12, melhor cd de música folclórica, “sotaques sobre toadas volume dois”, de roberto ricci, que não apareceu para receber o prêmio, que “será entregue em outra ocasião”, conforme anunciaram os apresentadores.

11, destaque cantador de toada de bumba-meu-boi, humberto, do boi de maracanã. não sei se estou enganado, mas ele venceu todas as edições do prêmio, que instituiu essa categoria em 2000.

10, melhor cd de bumba-meu-boi, “do maranhão para o mundo”, do boi da maioba. menos que a premiação de humberto, esta me parece um tanto quanto “carta marcada”.

9, melhor projeto gráfico de cd, joacy jamys, pelo cd “nego ka’apor”. a julgar pelas capas (sei que projeto gráfico vai além), é indiscutivelmente o melhor. homenagens de beto ehongue (ontem) e deste blogue(iro) (agora) a joacy jamys, que tem estado de saúde complicadíssimo. torcida e orações pela melhora rápida.

8, destaque diretor musical de cd, marcos lussaray, pelo cd “o som do mará”.

7, melhor cd, “tião canta joão”, de tião carvalho. esta, a última premiação da noite.

6, destaque produtor musical de show, fernando de carvalho, ruber e moraes jr., por “sobre todas as coisas, brasileiro”, do primeiro.

5, melhor show, “solos”, de chiquinho frança, o show de gravação de seu primeiro dvd. ele ainda subiria ao palco, na noite de ontem.

4, melhor interpretação, “mar de rosas”, com flávia bittencourt. fevers requentado, mas com classe. canta muito, essa menina! aliás, entre as três concorrentes da categoria, somente “milagre”, de cesar teixeira, na interpretação de fátima passarinho, era inédita. “palavras”, com que concorria zeca baleiro, é regravação de sucesso da dupla roberto/erasmo.

3, destaque compositor, carlinhos veloz por “jóia rara”, gravada por alcione. aí uma injustiça: “flanelinha de avião” (de cesar teixeira) é a melhor.

2, destaque cantora, alcione. depois de levar prêmio nacional (não lembro agora qual, nem vou procurar), fica difícil não levar este, estadual.

1, destaque cantor, tião carvalho. com duas réplicas do vinil esta noite, recebidos pelo sobrinho bráulio carvalho, o cururupuense cidadão paulistano começa a escrever seu nome na história do prêmio universidade.

terminada a premiação, era hora do show pelo qual ninguém estava dando muita coisa, o que inclui este blogueiro. “ah!, eu até ganhei ingresso, mas dei, por não curtir jair rodrigues”, dizia um, “vale a pena?”, perguntava outra. embora eu nunca tenha “ligado” muito para o trabalho do pai de jair oliveira, outrora o jairzinho da dupla com simony em tempos de balão mágico e depois, sabia que ele é importantíssimo capítulo da história da música brasileira, principalmente em se tratando de(os grandes) festivais, mote da festa-premiação de ontem à noite.

firme e divertido, jair, honesta malandragem, “enrolou” a platéia – com classe, diga-se – enquanto os músicos “se ajeitavam” para acompanhá-lo. e que músicos! e que show!

jair rodrigues contou histórias e tirou sarro da própria cara, como bom brasileiro que é. cantou um repertório basicamente composto por grandes músicas dos grandes festivais de outrora – viva! – e brincou com a platéia. “pra não dizer que não falei das flores” (geraldo vandré), “ponteio” (edu lobo e capinan) – “essa música é do edu lobo e capinan, uma coisa assim”, anunciava um jair que fingia-se esquecido dos compositores da música, cuja letra ele esqueceu de verdade, recomeçando-a –, “arrastão” (edu lobo e vinícius de moraes). defendeu-se como precursor do rap e rodou a platéia do teatro, cantando e botando alguns para cantar. sambalançando, pisou numa pedaleira, que emitiu um ruído estranho, feio, agudíssimo, mas que não tirou o rebolado de “seu” jair, que teria que pegar o vôo de volta na madrugada de hoje, pouco depois deste blogueiro ter chegado em casa e decidido ir dormir, adiando para agora este texto já longo e aborrecedor demais como não foi a noite de ontem.

fazendo o que se gosta, na companhia de quem se gosta, o tempo passa ligeirinho, hein?… já acabou?

não.

jair rodrigues orientou a platéia: “eu vou sair e vocês começam a bater palmas e gritar “parou por quê?, por quê parou?”, obedecido por todos os presentes, entre palmas e sorrisos. jair rodrigues, que já havia pedido para elis regina descer (e eu sei, ela obedeceu a ordem-convite e encarnou em seu par de bossa), voltou ao palco para encerrar a noite cantando “majestade o sabiá” (roberta miranda). interrompeu a interpretação, com os músicos continuando no acompanhamento. “você gosta de poesia?”, perguntou a alguém na platéia, com um sim como resposta. “e você?”, perguntou a outro. “todo mundo aqui gosta, né? pois eu vou dizer uma poesia que vocês vão chorar: “hoje é festa lá no meu apê / pode aparecer / vai rolar bunda-lê-lê””. era o recado de jair rodrigues para as rádios brasileiras, infestadas de m**** sonora até o pescoço.

um senhor de óculos e longos cabelos brancos numa das frisas, já havia recebido um bem-humorado “você é muito nervoso! se acalme!” de jair rodrigues, por pedir insistentemente que ele cantasse “upa neguinho” (edu lobo e gianfrancesco guarnieri). jair não se furtou ao rogo e, literalmente, pulou do palco à frisa, para cantar e dançar, simulando um jogo de capoeira com aquela versão magra do papai noel.

de volta ao palco, a platéia acompanhou-o na continuação de “majestade o sabiá”.

sem dúvidas, uma noite para entrar nas histórias, não só do homem da frisa, que feliz, ainda rebolava n”a vida é uma festa”, mas de todos os ali presentes. sem dúvidas, uma noite para entrar na história.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

9 comentários em “prêmio: um showzaço de jair rodrigues”

  1. Tem de quebrar essa panelinha que existe e dar premios a artistas que batalham muito mais que esses que ja estão feitos.Todo ano é a mesma coisa,procurem pesquisar mais,andar mais nas noites lusitanas,pedir opiniões do publico e fazer a diferença premiar gente nova.

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