Convite em forma de breve memória

[Diário Cultural de hoje; a diagramação do Diário da Manhã acabou incluindo trechos de minha coluna anterior, entre o fim do texto e o “Serviço”. Aqui vai, reproduzido como deveria ter sido publicado]

Paisagem feita de tempo. Capa. Reprodução

Ao completar 51 anos de idade, Joãozinho Ribeiro bota no mundo um filho já maior: nesta sexta-feira autografa Paisagem Feita de Tempo, longo poema-lembrança dos logradouros ludovicenses de sua infância/adolescência. Como já dito anteriormente pelo colunista: “Escrito em 1985, ‘Paisagem Feita de Tempo’ insere-se, de já, no panteão sagrado da poesia capaz de fotografar locais de um modo peculiar. Nada deve a um ‘Poema Sujo’ de Gullar, a‘O Cão Sem Plumas’ de João Cabral, ou ao Nauro do ‘Pão Maligno Com Miolo de Rosas’. É, por isso, desde sempre, um poema universal”.

Posso lembrar o dia em que conheci Joãozinho Ribeiro pessoalmente. Foi em março ou abril de 2003, no auditório do Sindicato dos Bancários. Ele, capitaneando um grupo para reivindicar algo pela cultura do Maranhão. Coisa que faz até hoje, incansável. Lembro também da ligação que fiz para Chico Saldanha, dias antes, que me deu o telefone de Joãozinho. Eu precisava de alguma informação para o jornalismo informal que eu cometia à época – nesse aspecto, pouca coisa mudou.

À época, Joãozinho estava envolvido com o projeto Samba da Minha Terra, que tentava democratizar o acesso à boa música comunidades ludovicenses afora. Dezoito locais foram contemplados com o melhor show daquele ano. Ao menos foi o que atestou a Rádio Universidade FM, no maior prêmio da música do Maranhão. O quixotesco projeto levou ainda os prêmios de melhor músico violonista (Celson Mendes, diretor musical do espetáculo, e Francisco Solano) e melhor produção (Vanessa Serra). O escriba aqui, dada a empatia imediata – pelo sobrenome há quem pense que somos parentes biológicos; mais que isso, somos parceiros de copo e alma, um brinde, João! –, assumiu o posto de Assessor de Imprensa do projeto e deu suas modestas contribuições para estampar o “Samba” nas páginas dos cadernos culturais dos jornais de São Luís.

O circuito musical alternativo, que teve o patrocínio da Caixa Econômica Federal, foi um dos raros momentos em que Joãozinho Ribeiro mostrava-se artista para a Ilha pela qual, de certa forma, deixou a carreira artística em segundo plano. Por uma boa causa, é claro: a militância cultural. Militância esta que permitiu que João visse artistas repartindo o pão e a poesia, seja enquanto presidente da Fundação Municipal de Cultura, seja enquanto cidadão comum, “rapaz latino-americano sem dinheiro no banco”, como diria outro compositor.

Para termos uma idéia da importância de discussões sobre cultura e política cultural na vida do poeta Joãozinho – o mesmo moleque do Desterro, técnico da Receita Federal e Professor Universitário: ele agora está à frente da Coordenação de uma pós-graduação em Gestão Cultural, na Faculdade São Luís, onde dá aulas no curso de Direito. Por essas e outras, seu livro Paisagem Feita de Tempo, escrito em 1985 e, portanto, já maior de idade, somente será lançado agora.

Um longo poema, bonito, sincero, relato da infância e adolescência do poeta por logradouros – outrora mais inocentes – da Ilha de São Luís, capital do Maranhão, cidade que pariu o poeta pro mundo, que Joãozinho é isso tudo, sem restrições geográficas.

Nesta sexta-feira, 28 de abril, às vésperas de completar 51 anos – idade emblemática para amantes da boemia – Joãozinho Ribeiro autografa sua Paisagem Feita de Tempo. A festa tem início às 20h, na Casa do Maranhão (Praia Grande) e espera ter o caro leitor como personagem nesta vasta e bonita paisagem.

Com a palavra, o próprio João, em versos do livro: “O que já não me cabe / Está exposto, / Assim como uma culpa, um estandarte, / Que faz da minha vida a minha arte, / E da tua vida / A minha outra parte”.

Serviço

O quê: Noite de autógrafos do livro Paisagem Feita de Tempo
Quem: Joãozinho Ribeiro
Onde: Casa do Maranhão (Praia Grande)
Quando: sexta-feira, 28 de abril, às 20h

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

8 comentários em “Convite em forma de breve memória”

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