Duas boas notícias e um texto (nem tão bom assim)

A primeira é sobre Paisagem Feita de Tempo, o livro de Joãozinho Ribeiro, do qual já falei tantas vezes aqui (e ainda vou falar muito ao longo dessa semana): na gráfica, tudo certo. Lançamento sexta, vide convite, posts abaixo.

A segunda é sobre o, também tantas vezes já falado por cá, Colunão. Acabei de receber uma ligação de Walter Rodrigues. O número um do semanário independente já está na gráfica e sai amanhã. Então, a partir das 10h, você já poderá comprá-lo na sua banca ou jornaleiro preferido. Ou se quiser, pode clicar aí no blogue do Walter (link ao lado) e ver como assinar.

O texto abaixo, do blogueiro aqui, era para sair nessa edição inaugural da nova fase do Colunão. Por conta de espaço e do corre-corre desses problemas todos, fica de fora. Em tempo: Mainardi publicou, em sua coluna de ontem, uma tréplica ao Franklin Martins. Como ele não responde ao desafio proposto por aquele, não perderei meu tempo em comentar o que não vale a pena. No Colunão estou com outro texto, sobre O Sonhador Insone, de Sergio Cohn. Por hoje é só. E até!

As mainardices da revista (?) Veja

por Zema Ribeiro*

“Nossas cidades são as mais feias do mundo, a nossa literatura é muito pobre, a nossa música é repetitiva.” O autor dessa frase pariu quatro livros: Malthus (1989); Arquipélago (1992); Polígono das Secas (1995) e Contra o Brasil (1998). Todos com vendagem medíocre. Escreveu dois roteiros para o cinema: 16060 (1995) e Mater Dei (2001). Ambos fracassos de bilheteria. Estudou economia, levou bomba. Não é jornalista formado. Por que levar Diogo Mainardi a sério?”

O trecho acima é do texto introdutório à entrevista de Diogo Mainardi à Revista Trip (Páginas Negras, edição 118, de dezembro de 2003). Passado todo este (tanto) tempo, repito-me a pergunta: por que levar Diogo Mainardi a sério? Se aulas básicas de Sociologia no ensino médio nos garantem que “o homem é produto do meio”, podemos entender que o colunista-chato-de-galocha é o que é por escrever na/para a Revista (?) Veja. Se complicamos um pouco a questão e afirmamos o inverso, “o meio é produto do homem”, entendemos o porquê de a Veja ter chegado ao que chegou: a lastimável prática de um jornalismo (?) irresponsável, para dizer o mínimo.

Na edição 1952 de Veja, de 19 de abril de 2006, escreve Mainardi, no título de sua coluna: “Jornalistas são brasileiros”. Um título aparentemente inocente, não é? No texto: “Franklin Martins é o principal comentarista político da Rede Globo. Um de seus irmãos, Victor Martins, foi nomeado para uma diretoria da Agência Nacional do Petróleo. Os senadores que aprovaram seu nome levaram em conta o parentesco ilustre.” E mais adiante: “Ivanisa Teitelroit, mulher de Franklin Martins, também já mereceu sua parcela de cargos públicos. Deve ser a isso que Aloízio Mercadante se refere quando fala em “resistência democrática””. Assim, de saída, no primeiro parágrafo. E a insanidade de Mainardi não ataca apenas Franklin Martins. Mais: “Eliane Cantanhêde, chefe da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo, é mulher de Gilnei Rampazzo, um dos donos da GW, a produtora que cuidou das últimas campanhas eleitorais de Geraldo Alckmin e José Serra. Gilnei Rampazzi é sócio de Luiz Gonzáles, o marqueteiro escolhido pelo PSDB para coordenar a campanha presidencial de Geraldo Alckmin. Ele foi acusado pela Folha de S. Paulo de participar de um esquema de desvio de recursos da Nossa Caixa. Deve estar a maior confusão na casa de Eliane Cantanhêde. Lula Costa Pinto é outro jornalista confuso. Ex-jornalista. Ele é genro do ex-deputado Paes de Andrade e concunhado de Anderson Adauto, ministro dos Transportes lulista e receptador do mensalão. Lula Costa Pinto também se beneficiou de desvio de dinheiro público quando era assessor do deputado petista João Paulo Cunha.”

Procuradas pelo portal Comunique-se (http://www.comunique-se.com.br), Helena Chagas – “achincalhada” por Mainardi, embora o recorte acima não traga o trecho do texto – e Eliane Cantanhêde preferiram não se manifestar. A primeira afirmou que não se pode responder a sério um assunto tão absurdo; como me disse um amigo, via e-mail: “ele é o maior humorista da imprensa brasileira”. É, Mainardi é um palhaço! Pena que sem graça. A segunda, já citada pelo colunista de Veja anteriormente, preferiu não se manifestar sobre as conexões elaboradas por ele entre seu marido e o tucanato.

Da resposta de Luís Costa Pinto, ao mesmo portal, extraímos os trechos a seguir: “Ao contrário do que foi publicado na coluna “Jornalistas são brasileiros”, assinada pelo polemista profissional (se é que isso é profissão) Diogo Mainardi (se é que Mainardi tem profissão): 1- não houve “beneficiamento” de “dinheiro público” nem a mim nem a minha empresa; […] 2- não sou, não fui e jamais serei concunhado do ex-ministro Anderson Adauto; […] 3- sigo jornalista com registro profissional na Delegacia Regional do Trabalho e inscrição junto à Federação Nacional dos Jornalistas. […] Mainardi não é jornalista. Mainardi nunca conseguiu completar um curso universitário. Nem “ex” qualquer coisa Mainardi conseguirá ser. […]”

Franklin Martins, além, lançou-lhe um desafio (em resposta ao mesmo portal) intitulado “Desafio a um difamador”, trechos a seguir: “1- Não tive, em qualquer momento ou em qualquer instância, nada a ver com a nomeação de meu irmão, profissional conceituado na área de petróleo, para a diretoria da ANP. […] O sr. Mainardi não é obrigado a acreditar no que digo. […] Por isso, lanço-lhe um desafio. Se qualquer um dos 81 senadores ou senadoras vier a público e afirmar que o procurei pedindo apoio para o nome de meu irmão, me sentirei sem condições de seguir em meu trabalho como comentarista político. Pendurarei as chuteiras e irei fazer outra coisa na vida. Em contrapartida, se nenhum senador ou senadora confirmar a invencionice do sr. Mainardi, ele deverá admitir publicamente que foi leviano e, a partir daí, poupar os leitores da “Veja” da coluna que assina na revista. Tudo ou nada, bola ou burica. O sr. Mainardi topa o desafio? […] Se não topa o desafio, o sr. Mainardi estará apenas confessando que não tem compromisso com a verdade e deixando claro que não passa de um difamador. […] 2- Quanto à minha mulher, é funcionária pública há mais de 20 anos. E servidores públicos, sr. Mainardi, por incrível que lhes pareça, trabalham no serviço público. Não sei qual a razão de sua surpresa com o fato.”

Enquanto o PSDB consegue na justiça uma liminar para impedir a circulação do jornal da CUT, alegando que este faz propaganda petista, a revista (?) Veja propagandeia o tucanato (além da capa, desrespeitosa com o presidente Lula, acusando-o de pertencer a um “bando”, vide matéria “A lenta arrancada de Alckmin”, págs. 64 e 65). Revista e colunista foram feitos um para o outro, e vice-versa, se não vejamos: passa despercebida, mas uma notinha – Correções – ao fim da seção Cartas (pág. 37), na mesma edição dessas “mainardices” tod(l)as, diz: “Lula Costa Pinto é concunhado do ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (que não é acusado de ser receptor do mensalão), e não do ex-ministro Anderson Adauto, segundo informa a coluna de Diogo Mainardi desta edição”. Ora, se a revista percebe o erro antes da publicação, para quê deixá-lo sair?

O certo é que Mainardi nunca chegará a Paulo Francis – talvez seu mais íntimo sonho e frustração: até para ser chato é necessário ter talento.

Leia mais Zema Ribeiro em http://olhodeboi2.zip.net

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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