Em resposta à Piada

João Ribeiro garante que a cultura num possível governo Jackson Lago será uma forma de ampliar o social. Difícil de acreditar, levando-se em conta quem proclama isso. Joãozinho foi secretário de cultura na administração municipal de Jackson Lago, em 1996, se a memória não me engana. Nada disso ocorreu. Foi uma administração cultural pífia. A não ser que o social tenha sido o emprego da irmã no setor… financeiro.

Com o título “Piada”, a nota acima foi publicada na coluna de Roberto Kenard, fundador e diretor de redação do jornal Diário da Manhã, onde este blogueiro escreve, como é do conhecimento de vocês, na coluna Diário Cultural, aos domingos, terças e quintas-feiras. Sabedor do equívoco cometido pelo jornalista em sua nota, reservamos o espaço de nossa coluna de ontem à resposta de Joãozinho Ribeiro, que, como já dito aqui, está trabalhando para publicar sua Paisagem Feita de Tempo, longo poema escrito por ele há vinte anos. 

Interrompemos nossa programação. Por uma boa causa. Parte II

[Diário Cultural de ontem, 2 de abril, domingo]

No último dia de março, a coluna do jornalista Roberto Kenard, fundador e diretor de redação deste veículo, trazia nota equivocada acerca da gestão de Joãozinho Ribeiro à frente da Fundação Municipal de Cultura da capital maranhense. Dado o tema, reservo o espaço de hoje à resposta dele, a seguir.

Resposta

Retornei, nesta quinta-feira, 30 de março, a São Luís, após participar, na condição de convidado, de uma oficina preparatória do II Seminário de Políticas Públicas para as Culturas Populares, durante três dias, na cidade do Rio de Janeiro; oficina promovida pelo Ministério da Cultura, mais precisamente pela Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural, da qual é titular o ator Sérgio Mamberti.

De todo o Brasil, somente 34 pessoas foram escolhidas, obedecendo ao critério de articuladores culturais, pesquisadores, gestores públicos e participantes de instituições da sociedade civil, com destaque para as participações nos movimentos culturais. O II Seminário de Políticas Públicas para as Culturas Populares acontecerá em setembro próximo, de 14 a 17, na cidade de Brasília (DF), juntamente com a realização do maior evento da área em 2006, que é o I Seminário Latino Americano de Culturas Populares.

Informado por um amigo de que este respeitável jornal, em sua edição de sexta-feira passada, dia 31 de março, divulgou comentários sobre minha atuação à frente da Fundação Municipal de Cultura, quando desta fui titular por breve espaço de tempo (janeiro de 1997 a julho de 1998), li a nota atentamente e gostaria de exercer o direito de esclarecer alguns equívocos que considero importantes para restaurar a realidade dos fatos:

a) daquela época, ainda remontam todos os instrumentos jurídicos necessários à implantação de um Sistema Municipal de Cultura e imprescindíveis para a gestão pública da cultura na esfera municipal: Lei de Incentivo Fiscal à Cultura, Conselho Municipal de Cultura, Fundo de Revitalização e Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de São Luís, todos exigidos atualmente pelos requisitos estatuídos pela Emenda Constitucional nº 48, que criou o Plano Nacional de Cultura (promulgada em agosto de 2005);

b) desta referida época, além da instalação do Circo da Cidade, hoje um importantíssimo espaço cultural da capital maranhense, também procede uma das maiores experiências deste campo, que é o Fórum Municipal de Cultura, que em 2007 completa exatos 10 anos. Este espaço de debates tem sido responsável pela formulação e realização de expressivos momentos da vida cultural da cidade e do Estado, tendo contribuído com vários eventos que trouxeram para o município figuras ímpares da cultura brasileira, e decisivamente com a realização das primeiras Conferências de Cultura, Municipais, Estadual e Nacional, realizadas no ano passado. Hoje o Fórum é referência nacional, sendo sempre convidado para seminários, encontros e conferências locais (mestrado em políticas públicas da UFMA, Encontro de História das Mídias, Fórum de Desenvolvimento Municipal Sustentável, Plano Diretor, etc.), assim como para eventos de caráter nacional e internacional (Fórum Pan-Amazônico, Fórum Social Mundial, Encontro de Cultura das Cidades, I Seminário de Políticas Públicas para a Cultura Popular, Fórum Nacional de Conselhos Estaduais de Cultura, etc.);

c) com relação à referência à (im)possível nomeação da minha irmã para o setor financeiro da FUNC, é bom que se tenha um pouco de zelo por estas afirmações e principalmente com as pessoas, pois a única irmã que tenho é a Drª Graça Reis Lopes, ilustre representante da classe médica maranhense, onde há mais de 25 anos exerce sua profissão de oncologista, alvo da minha admiração e da de inúmeras famílias que têm submetido seus entes queridos aos seus cuidados;

d) quanto aos “resultados pífios” da minha administração, creio que a melhor resposta quem tem dado é a história resultante deste período, que culmina com a atribuição de vários prêmios e manifestações de reconhecimento que tenho recebido do movimento cultural de São Luís, de vários outros municípios do Estado e até de caráter nacional e internacional (faço parte da coordenação do Fórum Intermunicipal de Cultura e da Rede Mundial de Artistas em Aliança por um Mundo Responsável e Solidário, com sede em Paris). Atualmente participo intensamente da vida cultural do país, do Estado e da minha Cidade, mesmo sem possuir nenhum cargo público ou mandato político, reconhecido como uma referência na discussão da gestão pública da cultura, e atuando como consultor para o assunto, muito demandado por expressivas instituições públicas e privadas do país (Ministério da Cultura, Instituto Pólis, Prefeituras Municipais, Universidades, etc.).

Pelos motivos expostos, creio que este prestigiado órgão de imprensa fará jus a um dos direitos mais legítimos e fundamentais, consagrado por nossa Carta Magna, que é a liberdade de imprensa, publicando estas minhas breves considerações, que não desejo ver transformadas em infrutíferas e desnecessárias polêmicas. Como modesta sugestão, gostaria que este Diário abrisse, sim, as suas páginas para um necessário e decente debate sobre a agenda da cultura dos atuais postulantes ao cargo de governante do Estado do Maranhão.

Joãozinho Ribeiro

[nota minha: acato a sugestão de Joãozinho com relação ao debate]

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

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