Xico Sá e mais

Confesso: o texto do Joca no blogue dele (link ao lado) sobre a literatura de Xico Sá, me fez parar de adiar a leitura do Catecismo. Devorei-o, dum tapa. Daí fiz o texto abaixo, que mandei pro Diário da Manhã na segunda de carnaval (quando, confesso, ao contrário do Jaguar, não bebi) para ser publicado na terça de carnaval (quando, confesso também, também não bebi). O jornal acabou não circulando no período momesco (a última vez que chegou lá em casa foi no domingo, trazendo o texto já republicado aqui sobre o disco novo de “cumpade” Silvério). Deve sair amanhã, pois, que não é dia de Diário Cultural por lá, ao menos originalmente. Ou então, só domingo. Aí, adianto por aqui.

Ontem fui à Rosário ver o Mikarroça, outrora, há anos, “Espalha Merda”. Explico: como os carros alegóricos são carroças enfeitadas puxadas por jumentos, os bichos cagam (por e pra quê usar outro termo se é isso mesmo?) e os brincantes, pisando, espalham o resultado. O bloco já não tem a mesma graça: oito trios (foi o que me disseram, eu não conferi), além de carros de som menores, tocando de tudo quanto é coisa (já nem entro no mérito da “música ruim”). Enxuguei duas cervejas: uma em garrafa, outra em lata. Voltei para a casa de minha avó, e ontem mesmo à Ilha. Foi o carnaval menos etílico da minha vida, desde que me entendo por “bebedor”. E estou muito contente (feliz e outros adjetivos que caibam) com isso. Engraçado é que foi tudo tão intenso que não parece ter sido assim tão rápido quanto (este) relato aqui (ainda bem!).

Ao assunto, pois!:

Um catecismo muito apropriado

[Diário Cultural que era para ter sido da terça de carnaval, ou de hoje e que será de amanhã ou de domingo, não sei]

“Uma lady na mesa, uma louca na cama”, cantaria Elymar Santos. Para ladies e loucas, cama, mesa e banho, ou vice-versa, tanto faz a ordem e o comportamento. Barba, cabelo e bigode, para os moços. Serviço completo, que “confusão, esculhambação e bunda de mulher, só presta grande!”, como nos sopra Gildomar Marinho. Leiam, todos, o catecismo; catequizai e “orai pornô” como no título de Nani.

Catecismo de devoções, intimidades e pornografias. Capa. Reprodução

“Se Deus está morto, tudo é permitido”, diria Dostoievski. Frase apropriadíssima para figurar – e ela está lá, não poderia ser diferente – no “Catecismo de Devoções, Intimidades e Pornografias” (Editora do Bispo, 2005, 400 páginas, preço sob consulta no site da editora), do bruxo – e jornalista nas horas vagas – Xico Sá. Bruxo e, agora papa. O verdadeiro Papa Pop – ao menos da putaria, como santifica Ronaldo Bressane, outro escriba de mancheia, no posfácio do livro.

Lições ligeiras – que devem ser seguidas, amém! – como num catecismo da Igreja Católica. Catecismo e igreja esta, contestados – à maneira do velho Xico, com “x”, como no sorriso posado para retrato, não confundir com o velho Chico, o rio, e discussões acerca de sua transposição. Neste volume da Editora do Bispo – que aliás, inaugurou a casa – só há espaços para transgressões.

“Livrim metidim a fresco”, confidencia-me o autor via msn messenger – ferramenta tecnológica tratada nesse tratado de sacanagem contemporâneo. Xico se refere ao formato: 6×9 cm, capa cor-de-rosa. Pergunto-lhe se ele se considera um representante do jornalismo gonzo. “Gonzo? Não. Gozo-jornalismo”.

Obra monumental, de fazer inveja às líricas – e laricas de viver – das obras de Bukovsky e Pedro Juan Gutierrez. Homéricas phodas, com pê-agá de pharmácia, como era no Ferro de Engomar, que a juventude d’hoje não lembra. (A “esquina” de Afonso Pena com Magalhães de Almeida, em São Luís, virou restaurante).

Obra difícil, já que tudo carece classificação. Só na página de ISBN e CDD aparecem: 1. Crônicas brasileiras, 2. Erotismo, 3. Hedonismo, 4. Pornografia, 5. Prazer, e 6. Sexo. É não escolher a melhor definição. O trabalho cabe em todas essas designações e permanece inclassificável.

Mas inclassificável é o próprio Xico. Jornalista de formação, boêmio por necessidade – que também sem a cachaça ninguém segura esse rojão, como cantaria outro Chico, esse com ce-agá, o Buarque –, safado por natureza. No bom sentido, o rei da fuleiragem. Aliás, de reis, esse catecismo está repleto: Gainsbourg, Sade, Bocage, Blake, Moravia, Pedro Américo, Roberto Carlos etc. Sobra até para o papa Bento XVI e o catecismo – o “sério”! – da santa igreja.

Com passagens por Veja, Folha de São Paulo, Vip, Playboy, Bravo! e, entre outras, Trip– onde ainda escreve, freela, quando em vez –, e blogando n’O Carapuceiro (link ao lado), onde se lê parte desse catecismo e outras lições vividas, Xico Sá brinda almas carentes, outras nem tanto, com esse manual do bem viver. Nada de fórmulas prontas. Dicas, apenas, conselhos, que se fossem bons, ninguém dava de graça: primeira vez? Consulte o catecismo. Discussão de relação, a famosa dê-erre? Idem. Como lidar com a tpm, a prisão de ventre ou humores outros da mulher amada? Idem, ibidem, idem ad infinitum.

Serviço

O quê: “Catecismo de Devoções, Intimidades e Pornografias”
Quem: Xico Sá
Quanto e onde: sob consulta no site da Editora do Bispo, ou pelo telefone (11) 3064-8673.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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