Bob Dylan: “No Direction Home”

[Diário Cultural de hoje]

Em mais de três horas de documentário, o diretor Martin Scorsese mostra um Bob Dylan pouco conhecido do grande público. Misturam-se canções, depoimentos – do mito vivo e de amigos – e vasto material inédito. A trilha sonora apresenta o sétimo volume de “The Bootleg Series” e traz um punhado de canções conhecidas em novas roupagens. Não, não se trata de mero caça-níquel.

No direction home. Capa. Reprodução

É óbvio não esperar, nunca, o óbvio de Bob Dylan. E muito bem fez isso o diretor Martin Scorsese. Em “No Direction Home” (EUA, 2005) mais que um documentário. Uma bela pintura sobre a trajetória musical do “maior poeta da música popular mundial em todos os tempos”, como atesta o insuspeito bamba Zeca Baleiro.

O filme – um dvd duplo, que é muito assunto! – foca a carreira de Mr. Robert Zimmerman – nome de pia de Dylan, que assim se assumiria por causa do poeta Dylan Thomas – de seu início até o ano de 1966, quando este admite a “eletricidade” em sua música e passa a se apresentar acompanhado de uma banda, tocando guitarra e “desagradando” seu público.

“Judas!”, grita um fã em determinada cena. “Eu não acredito em você”, responde Dylan, à altura. Entrecortam-se cenas depoimentos dele, hoje, e de amigos, apresentações dele, de amigos e de ídolos. Destaque para as aparições de Joan Baez, Allen Ginsberg e Woody Guthrie, este último em imagens antigas, em p&b, um dos responsáveis pelo que Dylan iria fazer com sua música.

Histórias se misturam. Como o encontro entre Dylan, os Beatles e o poeta Allen Ginsberg num camarim. Clima sério e o autor de “Uivo” senta no colo do jovem John Lennon e logo tudo muda de figura. Ou quando numa entrevista, perguntam ao mito vivo: “Quantas pessoas estão fazendo música de protesto hoje?”, e ele sarcástico responde: “136… ou 142”. Dylan detestava o rótulo de “cantor de protesto”. Talvez por não se enquadrar em rótulo nenhum. Talvez por ir além de qualquer rótulo. Ou a gravação do primeiro disco de Dylan. Um monte de músicas conhecidas. “House of The Rising Sun” está lá. Era um Dylan intérprete, meramente. Que podia muito bem desagradar, já que sabemos, sua força está nas letras que faz, além do modo como toca violão e gaita. Mas não foi um fracasso e a carreira continuou sólida. E ele começou – e continuou – a compor. Ainda bem.

A amizade de Scorsese com Dylan ajudou bastante na realização deste filme. O segundo abriu seu baú ao primeiro, de onde saiu muito material inédito. O resultado, nada maçante, é visto em mais de três horas de uma comprida e interessante aula sobre rebeldia. Com boas causas.

A trilha sonora

Em cd duplo, um passeio musical por Bob Dylan entre 1959 e 1966. Gravações ao vivo, demos, material inédito, raridades enfim. A caixa, luxuosa, traz além dos discos, um livreto colorido com fotos inéditas, textos e detalhes sobre as gravações, em mais de sessenta páginas. Chega-se assim ao sétimo volume da série “The Bootleg Series”.

Estão lá os clássicos onipresentes de Dylan, como “Blowin’ in the Wind”, “Mr. Tambourine Man”, “Like a Rolling Stone” e “It’s All Over Now Baby Blue”, em roupagens diferentes das conhecidas, além de canções menos “populares”, como “When I Got Troubles” e “Rambler, Gambler”, entre outras.

Cds e dvds são vendidos separadamente. Levar esses Dylans para casa custa, em média, R$ 100,00. Valem cada centavo.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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