O DISCO DE OURO DE JOSIAS SOBRINHO

Texto nosso publicado no JP Turismo (suplemento do Jornal Pequeno) de hoje.

Compositor de “Catirina” recria diversos clássicos de sua autoria, reúne um punhado de bons amigos e extrai um biscoito com recheio de pérolas. Dente de Ouro é um disco de ouro, de inestimável valor para o cancioneiro popular do Maranhão.

Dente de ouro. Capa. Reprodução

O ano de 2004 foi repleto de gratas surpresas no cenário musical maranhense: foi o ano das estréias, em disco, de Cesar Teixeira, Flávia Bittencourt e Bruno Batista. Todos obtiveram no fim do ano passado o prêmio Universidade FM – o mais importante da música no estado – em diversas categorias.

Da mesma geração de Cesar Teixeira, Josias Sobrinho integra o grupo de Compositores do Maranhão – juntamente ainda com Sérgio Habibe e Ronaldo Mota – como à época foi batizado o grupo de artistas que assinavam as músicas que integravam o repertório de Bandeira de Aço, disco de Papete, hoje indiscutivelmente um clássico da música popular produzida no Maranhão em todos os tempos. Josias é autor de quatro das nove músicas que lá estão e, segundo Marcus Vinicius de Andrade, era o mais impressionante compositor do “bando”.

Vinte e sete anos depois de Bandeira de Aço, Josias reúne e recria um punhado de clássicos de sua autoria em Dente de Ouro (CPC-UMES, 2005, R$ 20,00 em média). A faixa que batiza a coleção de belas canções nunca havia sido registrada em disco por seu compositor. A produção musical, refinadíssima, ficou a cargo de Papete, responsável pela percussão, ao lado de Jeca.

Um competente time de músicos acompanha Josias Sobrinho por este passeio pelas belezas de quem traz no canto as lembranças das belezas de sua terra natal, Cajari: Leônidas Costa (arranjos, violão e pré-produção), Israel Dantas (violões), Georges Fernandes (bateria), Quirino dos Santos (cavaquinho), Ruy Mário (sanfona e teclado), Mauro Marinho (contrabaixo), Val Cunha, Mirian Reis e Daniel da Silva (vocais). Também estão presentes à festa alguns convidados especiais: Zeca Baleiro, Lenita Pinheiro e César Nascimento, além do já citado Papete.

Clássicos não faltam! De Bandeira de Aço estão lá Dente de Ouro, Engenho de Flores e Catirina. Entre outras, Josias passeia com classe por As “Perigosa”, Rosa Maria (gravadas por Ceumar em Dindinha, seu ótimo disco de estréia) e O Biltre (gravada por Rita Ribeiro também em sua estréia) entre outras. E mostrando estar em forma, lírica e melodicamente, o autor de Terra de Noel – clássico que ficou de fora – brinda o público com músicas inéditas: Trilha Sanfoneira, A Flor do Baobá e A Revolta da Asa Branca.

Um disco charmoso, resultado só alcançado por compositores que não têm medo de correr riscos. Diversas das músicas deste Dente de Ouro parecem ter versões definitivas e nele nos deparamos com outra beleza, uma maneira particular de quem revisa sua obra, sincera e despretensiosamente.

Josias Sobrinho pegou o novelo do peito – da letra da faixa-título – e teceu um caminho: Dente de Ouro já foi lançado na Capital Federal, em Mato Grosso e percorreu diversos arraiais ludovicenses durante o período junino. Um disco festivo, para durar mais que isso. “Sotaque do talento, jeito do Maranhão, cara do Brasil. Esperei (esperamos) vinte e sete anos – mas acho que valeu!”, anuncia Marcus Vinícius de Andrade, diretor artístico da gravadora CPC-UMES, no encarte do disco. Pode ter certeza que sim.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

6 comentários em “O DISCO DE OURO DE JOSIAS SOBRINHO”

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