De Moara Gamba, recebi hoje a seguinte mensagem, no celular:

 

“Cada vez que escuto esse cd que tu me deste de aniversário, acho ele mais fantástico”.

Liguei as coisas e lembrei que hoje é aniversário de Zé Modesto, compositor cujo disco de estréia, Esteio, entrou no meu top10 da música brasileira (entre 1950 e 2005), numa blogagem provocada pelo amigo Idelber Avelar (link ao lado). A Zé Modesto os sinceros votos de parabéns deste blogue.

A quem ainda não o ouviu, recomendo. E deixo vocês com a letra de Calendário, uma das belíssimas faixas do disco, parceria de Zé com o brilhante Gero Camilo (desse vocês lembram, né?):

   eu gostaria
já que é sábado de aleluia
aleluiar contigo, amor
descer Cristo da cruz
pra acabar com esta dor

já que é domingo de páscoa
quero pascoar contigo
descer Judas da corda
devolver-lhe o beijo
e pendurar seu mal
já que é terça de carnaval
pular contigo

meu deus-arlequim
teu deus-pierrô
faz que é dia seis
é dia de reis
quero reinar contigo

tocar violão na janela
derrubar vaso de flor

LINKS…

 

Dica muito útil para estudantes de jornalismo (e jornalistas!): leiam o Decálogo do Resenhista, escrito por Nelson de Oliveira. Tá lá na Cronópios (link ao lado). Do homem estou lendo O Século Oculto. Recomendo.

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Arrebatador! Pra dizer o mínimo. Tô falando de O Adeus de Camila, texto do Bortolotto(link novo aí do lado). Leiam!

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Conheci Bruno Barata pessoalmente ontem. Já o conhecia virtualmente. Mais um (alô, Rose Ferreira!), mas não “apenas” mais um. E tome link novo aí do lado!

A VIDA É (E PRECISA CONTINUAR SENDO) UMA FESTA!

 

[Antes, um aviso: isso não é jornalismo. É apenas um desabafo de quem compra esta briga e endossa este manifesto]

Há mais de três anos, dois acontecimentos culturais legitimados pelo povo acontecem semanalmente (e por que não dizer religiosamente) na Praia Grande, movidos apenas pela paixão de quem os faz e seu compromisso com a arte e a cultura popular: A Vida é uma Festa!, show musical, poético e performático capitaneado pelo multiartista Zé Maria Medeiros, sempre às quintas-feiras, e o Tambor de Crioula da Feira da Praia Grande, organizado pelos feirantes da antiga Casa das Tulhas, às sextas.

[Vejam bem, eu disse três anos, não três semanas ou três meses. Quem é que estava na administração municipal? Pois é, continua o mesmo! Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo! Pois ele (ora, vocês sabem de quem estou falando!), se não é o mesmo, fica pior a cada dia que passa.]

Há algumas semanas, numa visível atitude antidemocrática e inconstitucional, o espetáculo das quintas-feiras vem sendo ameaçado por fiscais da SEMTHURB, “cumprindo ordens de um certo Cel. Alcino”, secretário-adjunto do órgão.

Pois bem, caros amigos e leitores: a Cia. Circense de Teatro de Bonecos está devidamente regularizada, tanto do ponto de vista jurídico quanto fiscal. Os que acompanham as duas manifestações aqui citadas mais de perto sabem que, ao término do “tambor na feira”, o grupo sai para dançar em frente à Cia. Circense. Gente, isso é legítimo, o povo vai, o povo vê, o povo participa. É tradição, porque não dizer?

A gota d’água (parte um): o coronelzinho tentou proibir a realização do show de Zé Maria (e cia. ilimitada); não conseguiu, pois sua licença está em dia. Daí proibiu a realização da apresentação do tambor fora da feira (que todos sabem, também, tem hora pra fechar); eles sem autorização tiveram que deixar de realizar a tradicional (repito, tradicional!) apresentação. Agora eu pergunto: por que diabos há a necessidade de (e desde quando?) autorizações para manifestações artísticas naquela área da Praia Grande? “Obstrução da via pública”, dizem os “coronelistas” de plantão. Ora, todos sabemos que por ali não passam automóveis e nunca um pedestre teve sua passagem obstruída. Eu, por exemplo, já atravessei aquela rua quando o(s) show(s) estava(m) acontecendo. E do outro lado, bares “obstruem” a via pública com mesas e cadeiras. Engraçado, não? Contraditório, não?

A gota d’água (parte dois): A Cia. Circense (devidamente regularizada, como já dito aqui) foi pedir ao órgão (ir)responsável, autorização para que o grupo de tambor-de-crioula continuasse a fazer as apresentações ali, ao sair da feira. (Gente, que mal há em se dançar ou tocar uma guitarra ou um saxofone na porta de casa?) A resposta do “coronelzinho”: “Ah! não, aí já é demais… eu já te dei autorização, agora tu queres para o tambor? Pois a tua licença termina em julho, e por isso, eu não vou renová-la” (dirigida à Zé Maria Medeiros).

[Ontem, durante o debate “Liberdade de Pensamento e Expressão Artística”, dentro do ciclo Diálogos Interculturais, organizado pelo Fórum Cultura Cidadã, nem o apagão calou a boca dos que querem discutir para onde a atual gestão municipal está levando a cidade, principalmente no que diz respeito às questões culturais; nem o blecaute nos tirou a liberdade. Só não consigo imaginar que isso tenha sido armação para nos silenciar por ter sabido depois que a cidade toda ficou no escuro. E antes que acusem-me de levantar um falso: do jeito que anda a carruagem, isso não é nada difícil]

Hoje será lido um manifesto durante A Vida é uma Festa! Um manifesto a favor da liberdade. Mas antes de tudo, um manifesto a favor da arte. Vamos lá dizer sim à liberdade e à arte. E dizer não a quem quer nos prender, como nos versos de Cesar Teixeira. Se estamos descontentes, vamos mostrar os dentes. Mas com sorrisos, em vez de mordidas (isso é pra os do outro lado!). Podem vir armados: nós estamos com flores, palavras e notas musicais. Até os dentes!

LIVRETO E DEBATE

 

Daqui a pouco estarei na platéia dos Diálogos Interculturais. Sobre o assunto, postei nota aqui, dia 25/7. Vejam! E apareçam!

Hoje dei a última olhada para o material que virará “Uma Crônica e Um Punhado de Poemas de Amor Crônico”. Já, já, o amigo Marco Pólo Haickel começa a imprimir tudo. É uma sensação estranha, engraçada, indescritível, ininteligível.

Sobre o lançamento (data, local etc.) volto a postar por aqui, assim que eu tiver informações.

Por enquanto, fiquem com um dos poemas que está lá:

canção para juliana, prima da mulher amada

 

poema cometido na segunda-feira, de ressaca do dia das mães, quando aconteceu o encontro do poeta com a prima da mulher amada.

 

te encontro, prima,

no bar do léo.

o nosso céu

é formado por tarrafas

e capas de discos de vinil.

 

fotografias

traduzem os dias

que contam histórias.

quantas histórias

a gente contará?

 

vestes rosa,

ela, verde,

eu, amarelo.

tudo é tão belo,

brasil, mangueira.

 

e bem podia ser portela:

cartola

ou paulinho da viola.

e o som na vitrola

era elomar.

 

o grupo conversava

assuntos diversos,

e eu pensando nos versos

com que iria escrever

um poema pra agradecer

 

a tua paciência, atenção

e cumplicidade,

pois você sabe da verdade

que eu trago em cada rima

onde canto minha paixão

por tua prima.

 

9/5/2005

DEU N’O IMPARCIAL DE HOJE

 

Ontem foi dia do escritor. O Imparcial de hoje traz em texto de Eduardo Júlio, uma reflexão sobre a “profissão escritor”. Publico abaixo somente o último trecho do texto. Um pouco de autopropaganda, um pouco de preguiça de digitar.

ALTERNATIVA
Para driblar as barreiras editoriais, o estudante de comunicação Zema Ribeiro, 23, optou pelas facilidades da Vírus Editora, coordenada pelo também escritor Marco Polo Haickel, que publica livros de forma artesanal. Zema está prestes a lançar a sua primeira obra, o livro em formato de cordel, intitulado “Uma Crônica e Um Punhado de Poemas de Amor Crônico”.
Ele conta que o fator econômico determinou a escolha de uma forma alternativa de publicação. “Não teria dinheiro para bancar uma edição mais elaborada”. Ao todo, o jovem autor gastou R$ 600, para ver mil cópias do seu livreto (como prefere chamar) chegar ao público leitor. “Dessa forma ganham o autor e o leitor, porque o livro sai barato para ambos. Isso estimula a cultura literária”, conclui.

DIÁLOGOS INTERCULTURAIS, 2ª RODADA

Dando continuidade ao ciclo de debates DIÁLOGOS INTERCULTURAIS, o Fórum Cultura Cidadã discutirá na próxima quarta-feira, 27/7, às 19h, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), o tema Liberdade de Pensamento e Expressão Artística. Na mesa: palestrante: José Carlos Madeira (juiz); debatedores: Zé Maria Medeiros (músico, poeta, produtor cultural), Marília Mendonça(vereadora) e Josemar Pinheiro (advogado); mediador: Magno Cruz (engenheiro, Rádio Conquista, SMDH). Haverá apresentações artísticas. Os debates são abertos ao público e têm entrada franca.

LUÍS CARLOS PINHEIRO, DE GRAJAÚ/MA

 

Uma ótima sensação sempre me percorre quando tenho acesso a uma obra de arte inédita, discos, mais especificamente. Assim ocorreu com os trabalhos de Wilson Zara, Flávia Bittencourt, Nando Cruz, Cesar Teixeira e Nego Ka’apor (este último ainda inédito).

Dias atrás viajei até Estreito/MA, pelo projeto Imprensa Turística Itinerante, idealizado e realizado pelo amigo Gutemberg Bogéa. No meio da galera, o compositor Uimar Cavalcante. De volta à Ilha, liguei para Nando Cruz e, na conversa, soube que ele estava produzindo um disco de Jessé, cantor e compositor de Grajaú/MA.

Calma, caros leitores! Não pensem que uma coisa nada tem a ver com outra. Explico: Uimar Cavalcante é parceiro de Luís Carlos Pinheiro, compositor da mesma cidade de Jessé, seu principal intérprete. Com isso foi só juntar as informações e escrever sobre – já devia ter feito isso há tempos, mas a minha crônica irresponsabilidade não permitiu – um disco inédito – mais um, mas não “apenas” mais um – ao qual tive acesso: Luís Carlos Pinheiro.

Encherei o saco de quem me lê com mais uma observação: é de Grajaú também outro parceiro de LCP, o compositor Bebé, autor de “Fátima” (belamente interpretada por Daffé em seu “Somente Solo”) e parceiro – com Gilvandro Martins – de Zara em “Zaratustra”, belíssimas músicas que tenho ouvido bastante nos últimos tempos.

Vamos ao disco: quinze gravações “caseiras” de Luis Carlos Pinheiro, acompanhado de seu violão. Estão lá “Aboio”, “Terra” e “Bandas do Destino”, parceria com Uimar Cavalcante, entre outras. A voz grave – um bonito trovão – de LCP transita entre a alegria de Ednardo e a tristeza de Elomar. E explico: quando digo “tristeza de Elomar”, trata-se de um elogio a LCP, já que o compositor baiano é um de meus prediletos no cenário da música produzida no Brasil em todos os tempos.

Não conheço Grajaú/MA. Mas conheço, como já disse, algumas músicas produzidas lá, através de FEMUG’s (Festivais de Música de Grajaú), da passagem de Zara por lá – cumprindo punição na CEF, quando à época era funcionário da instituição financeira – e histórias contadas pelo amigo Celso Cardoso – também violonista, membro da Confraria do Bigode, que se reúne religiosamente aos sábados no bar homônimo, no Renascença – que a propósito, foi quem me apresentou o disco sobre o qual escrevo agora. Com a audição de LCP, espero visitar a cidade em breve. E espero que em breve os caros leitores deste blogue possam ouvir este bom trabalho.

IMA DISCUTE SNC

 

Segunda-feira, dia 25 de julho, às 19h, no auditório da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Maranhão (Rua do Passeio, 541, Centro), o Instituto Maria Aragão (IMA) promove debate sobre o Sistema Nacional de Cultura (SNC). Os debatedores:Joãozinho Ribeiro (poeta, compositor, professor universitário), Ananias Alves Martins(historiador, professor universitário) e Jeovah França (poeta, técnico em assuntos culturais). O evento é aberto ao público e tem entrada gratuita.

O CANCIONEIRO DE JANA CAMPOS LOBO

Link novo aí do lado. Imensa felicidade tomou conta de mim quando ela disse que finalmente estava blogando. Jana sempre me põe pra cima. Alto astral total. Energia positiva. J. M. Cunha Santos, certa vez escreveu: “mas eu não posso falar sobre essas coisas com quem nunca esteve no céu”. Mas eu posso falar disso com vocês, não? Vão!

POESIA RÁPIDA E RASTEIRA, SACANAGEM ETC.

 

Gosto de poesia rápida, poemas minutos, hai-cais, coisas ligeiras. Como os dois poemas abaixo:

para um mau entendedor
meia palavra falta
(Eduardo Júlio, em seu inédito “Alguma Trilha Além”; leia mais sobre, clicando aqui)

o ministério da saúde adverte
eu me divirto
(Renato Negrão em “Os Dois Primeiros e Um Vago Lote”, que reúne poemas de seus livros “No Calo” [1996] e “Dragões do Paraíso” [1997], além de escritos inéditos e letras de músicas gravadas por nomes da nova geração musical brasileira, com destaque para a mineira Patrícia Ahmaral, uma das musas deste blogue)

E rapidinho: link novo aí do lado. João Filho, escritor sacaneado pela Revista (In)Veja. Saiba mais clicando lá.

E outra: Marcelino Freire lança seus Contos Negreiros hoje, em São Paulo. Ele, que também foi sacaneado (gente, não há outras palavras!) pelo jornalismo porco praticado pelo veículo já citado, deu belíssimas, lúcidas e argumentadas respostas ao monstrengo.

DA (IN)UTILIDADE DA POESIA

 

De vez em quando, duvido da utilidade da poesia, talvez por nunca ter conseguido “usá-la a meu favor”, se é que vocês me entendem. E tomem um poema antigo:

poema vão

folhas vêm e vão
poemas não
o poema é emoção
é riso, choro e lamento
então
nenhum foi feito em vão

DIÁLOGOS INTERCULTURAIS

 

Como parte das atividades preparatórias para a I Conferência Municipal de Cultura, a Coordenação do Fórum Cultura Cidadã preparou uma série de debates intituladaDiálogos Interculturais. O primeiro acontece na próxima quarta-feira, dia 20 de julho, às 19h, no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Os debates, semanais, são abertos à comunidade e têm entrada franca. Em breve postopor aqui o roteiro completo. Por enquanto, informações sobre o primeiro.

Data: 20 de julho, quarta-feira
Hora: 19h
Local: Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande)
Tema: Patrimônio Cultural, Plano Diretor e Reforma Administrativa Municipal
Palestrante: Ananias Alves Martins (historiador, professor-mestre da UEMA)
Debatedores: Marcelo do Espírito Santo (Diretor do Instituto de Planejamento Municipal), Frederico Lago Burnett (Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UEMA) e Kátia Bogéa (Historiadora, Superintendente Regional do IPHAN)
Mediador: Ronald Almeida e Silva (arquiteto)

HOJE

Uma rápida observação (essa eu acho que é necessária): tô com o disco de Josias há tempos. Irresponsavelmente, nunca havia parado pra escrever sobre ele, o que fiz no fim de semana passado. E por coincidência, o JP o publicou hoje, aniversário do compositor.Josias Sobrinho, que o texto te caia como meus votos de um feliz aniversário, já que os parabéns estão dados pelo brilhante resultado do trabalho. Um abraço do blogueiro!

O DISCO DE OURO DE JOSIAS SOBRINHO

Texto nosso publicado no JP Turismo (suplemento do Jornal Pequeno) de hoje.

Compositor de “Catirina” recria diversos clássicos de sua autoria, reúne um punhado de bons amigos e extrai um biscoito com recheio de pérolas. Dente de Ouro é um disco de ouro, de inestimável valor para o cancioneiro popular do Maranhão.

Dente de ouro. Capa. Reprodução

O ano de 2004 foi repleto de gratas surpresas no cenário musical maranhense: foi o ano das estréias, em disco, de Cesar Teixeira, Flávia Bittencourt e Bruno Batista. Todos obtiveram no fim do ano passado o prêmio Universidade FM – o mais importante da música no estado – em diversas categorias.

Da mesma geração de Cesar Teixeira, Josias Sobrinho integra o grupo de Compositores do Maranhão – juntamente ainda com Sérgio Habibe e Ronaldo Mota – como à época foi batizado o grupo de artistas que assinavam as músicas que integravam o repertório de Bandeira de Aço, disco de Papete, hoje indiscutivelmente um clássico da música popular produzida no Maranhão em todos os tempos. Josias é autor de quatro das nove músicas que lá estão e, segundo Marcus Vinicius de Andrade, era o mais impressionante compositor do “bando”.

Vinte e sete anos depois de Bandeira de Aço, Josias reúne e recria um punhado de clássicos de sua autoria em Dente de Ouro (CPC-UMES, 2005, R$ 20,00 em média). A faixa que batiza a coleção de belas canções nunca havia sido registrada em disco por seu compositor. A produção musical, refinadíssima, ficou a cargo de Papete, responsável pela percussão, ao lado de Jeca.

Um competente time de músicos acompanha Josias Sobrinho por este passeio pelas belezas de quem traz no canto as lembranças das belezas de sua terra natal, Cajari: Leônidas Costa (arranjos, violão e pré-produção), Israel Dantas (violões), Georges Fernandes (bateria), Quirino dos Santos (cavaquinho), Ruy Mário (sanfona e teclado), Mauro Marinho (contrabaixo), Val Cunha, Mirian Reis e Daniel da Silva (vocais). Também estão presentes à festa alguns convidados especiais: Zeca Baleiro, Lenita Pinheiro e César Nascimento, além do já citado Papete.

Clássicos não faltam! De Bandeira de Aço estão lá Dente de Ouro, Engenho de Flores e Catirina. Entre outras, Josias passeia com classe por As “Perigosa”, Rosa Maria (gravadas por Ceumar em Dindinha, seu ótimo disco de estréia) e O Biltre (gravada por Rita Ribeiro também em sua estréia) entre outras. E mostrando estar em forma, lírica e melodicamente, o autor de Terra de Noel – clássico que ficou de fora – brinda o público com músicas inéditas: Trilha Sanfoneira, A Flor do Baobá e A Revolta da Asa Branca.

Um disco charmoso, resultado só alcançado por compositores que não têm medo de correr riscos. Diversas das músicas deste Dente de Ouro parecem ter versões definitivas e nele nos deparamos com outra beleza, uma maneira particular de quem revisa sua obra, sincera e despretensiosamente.

Josias Sobrinho pegou o novelo do peito – da letra da faixa-título – e teceu um caminho: Dente de Ouro já foi lançado na Capital Federal, em Mato Grosso e percorreu diversos arraiais ludovicenses durante o período junino. Um disco festivo, para durar mais que isso. “Sotaque do talento, jeito do Maranhão, cara do Brasil. Esperei (esperamos) vinte e sete anos – mas acho que valeu!”, anuncia Marcus Vinícius de Andrade, diretor artístico da gravadora CPC-UMES, no encarte do disco. Pode ter certeza que sim.