Dez conversas. Capa. Reprodução

DEZ CONVERSAS: POETAS QUE NÃO DESCONVERSAM

Dez conversas. Capa. Reprodução

por Zema Ribeiro

Citando o escritor gualtemateco Augusto Monterroso, Joca Reiners Terron defende, no prefácio de “Dez conversas – diálogos com poetas contemporâneos”, a entrevista como único gênero inventado pela Modernidade. Como um minucioso investigador, o jovem mineiro Fabrício Marques, autor do livro (Gutemberg/Autêntica Editores, 2004, 268 páginas, R$ 28,50, em média), consegue traçar um diversificado panorama da poesia produzida no Brasil na atualidade.

Embora por condições geográficas, a obra concentre-se nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

Dez poetas são entrevistados: os mineiros Affonso Ávila, Edimilson de Almeida Pereira, Maria do Carmo Ferreira, Ricardo Aleixo e Sebastião Nunes; os cariocas Armando Freitas Filho, Chacal e Millôr Fernandes; o baiano Antonio Risério e o pernambucano Sebastião Uchoa Leite, que se mudou definitivamente para o Rio de Janeiro aos trinta anos, aonde veio a falecer em 2003, sem ver pronta esta obra.

AS ENTREVISTAS

A garimpagem poética de Fabrício Marques – ele próprio um poeta, editor do elogiadíssimo Suplemento Literário de Minas Gerais – aconteceu entre 1997 e 2003. A idéia central da obra é a tentativa de entendimento de certa produção poética acontecida no país, de 1970 aos dias atuais. “Dez conversas” é uma edição bilíngüe – todas as entrevistas foram vertidas para o espanhol pela poetisa Prisca Agustoni – com fotos inéditas de Guilherme Bergamini.

No Suplemento Magazine, do Jornal O Tempo, e no citado Suplemento Literário de Minas Gerais – entre outros – foram publicados anteriormente, trechos da maioria das entrevistas aqui reunidas.

DIÁLOGOS

Como nos indica o subtítulo da obra, as entrevistas transformam-se em verdadeiros diálogos, nada maçantes; ao contrário, bastante inteligentes e particulares. O fôlego dos bate-papos varia de poeta para poeta; a vantagem de ser Fabrício Marques um deles é a adaptação (rápida): não há como entrevistar, por exemplo, um Millôr Fernandes, por demais conhecido, da mesma maneira que se entrevista uma Maria do Carmo Ferreira, que, apesar de ser contemporânea de Drummond, permanece inédita em livro.

Norteiam os diálogos – e isso não é nada óbvio – a poesia, seja ela a influência sofrida pelos poetas aqui reunidos, ou sua própria obra.

Apesar da característica comum – a contemporaneidade – os dez poetas divergem bastante: estilo, influências, volume da obra etc.; apesar das divergências, a obra tem unidade, sendo Fabrício Marques o cadarço que percorre os dez ilhós do tênis na capa do livro. Quando o assunto é poesia, esses onze poetas não “desconversam”.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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