29 de janeiro

para Janaína Campos Lobo,

pela passagem de aniversário

Teu Cancioneiro

Ao lado de meus extratos bancários

Me fazem crer que ainda vale a pena viver

Tua poesia, pra cima

Meu saldo, abaixo de zero

Sei que quero algo, mas não sei o que quero

Eu quero uma máquina do tempo

Pra voltar atrás e não me arrepender de algo que não fiz

Eu quero a felicidade! Não pra ser, mas para te fazer feliz

Janaína Campos Lobo é indescritível. Nos conhecemos através de uma amiga comum (Vanessa Cristine, que estagiou comigo no Banco do Nordeste); à época, Janaína – hoje estudante de Ciências Sociais na UFMA – era estagiária de O Imparcial. Por um bom tempo, ela foi uma “amiga sem rosto”. Depois nos conhecemos pessoalmente e Jana se transformou (ou assim eu a descobri) numa daquelas pessoas que me demonstram (mesmo sem querer) que vale a pena viver, que vale a pena sonhar, que vale a pena escrever poemas…



Jana, mil desculpas por tudo. Um beijão de quem te adora!



* “Cancioneiro” é o nome do zine editado e distribuído por Jana…

AO MESTRE COM CARINHO

E ontem foi aniversário dele. O homem que batizou-me Zema. Trabalhamos juntos no Banco do Nordeste; ele permanece por lá, desempenhando as funções de Agente de Desenvolvimento, na agência de Pinheiro/MA. Exímio músico, Gildomar Marinho prepara seu primeiro disco, “Olho de Boi”, que batizou uma lista eletrônica editada por mim entre outubro de 2002 e dezembro de 2003.

Com vocês, dois poemas que cometi tempos atrás.

Gildomar

Gosto de fazer

Isso que faço

Legar-te espaço

Deixar-te fluir

O sumo e o bagaço

Melaço e amargor

Agua que aplaca a sede

Riacho que não secou





Ao Mestre com Carinho

Batizado pela poesia

Sou tão filho de Deus

Quanto os que foram à pia

O padre que me batizou

Não usa saias:

É a própria poesia

Vestida de homem


Cinco homens, infinitas artes

Nadilton Bezerra

Logo mais, às 20h30min, será aberta mais uma exposição individual do artista plástico maranhense. No Brisa Mar Hotel, serão expostas doze telas na técnica acrílico sobre tela. A exposição “Corporificação da Imagem” já foi mostrada anteriormente na Faculdade São Luís e no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, durante a realização do V Fórum Municipal de Cultura de São Luís do Maranhão.

João Paulo Cuenca

Um jovem e bem sucedido escritor. Formado em economia, assina uma crônica semanal no Jornal do Brasil. Vale uma visita ao blog do autor de “Corpo Presente” (Editora Planeta).

Chico Maranhão

Abaixo há um (desalinhado) texto meu sobre “Brincadeiras de Viola”. Impressionante o retorno obtido: pessoas chamando Chico de gênio (eu sempre chamei!) e me perguntando onde encontrar a obra do moço.

O único disco de Chico disponível no mercado é “Só Carinho” (de 1997 ou 99); entre diversas belas canções (leiam no desalinhado texto citado, o comentário de Erivaldo Gomes sobre a obra de Chico Maranhão) há uma regravação de “Pastorinha”, indiscutivelmente o maior clássico de seu vasto repertório (há controvérsias zêmicas).

Quem quiser adiquirir o cd, pode me enviar um e-mail.

Glauco Barreto

Parabéns para o amigo paraibano residente em Brasília-DF por mais um aniversário (ontem, 25/1). Apaixonado por boa música, Glauco tem sistematicamente me apresentado a verdadeiras pérolas. Glauco, sucesso! Um abraço do Zema.

Gildomar Marinho

O homem que batizou-me Zema, e apresentou-me a Glauco Barreto faz aniversário amanhã (27/1). Felicidades mil, Gil!

Pergunta inevitável: quando o povo ganhará o presente de ouvir “Olho de Boi”, teu primeiro disco?

Brincadeiras de Viola

(um texto desalinhado como os cabelos de Chico Maranhão)

Do lado de fora: cerveja (em lata), dois reais. (“Vâmo tomá” duas aqui; lá dentro é dois e cinqüenta). João Madson apreça o uísque: “cinco paus num baleado? Não, baleado é três!” Canta um pedaço de seu “Frevo na Chuva”, que defenderá hoje no Festival de Música Carnavalesca.

Do lado de dentro: meu nome nos agradecimentos, emoção total. Eu não esperava.

Show:

Ê, Ponta D’Areia, há muito tempo que eu não te vejo, não! Reticências… caranguejeira namorando a parede, moça bonita desarmando a rede… só mesmo um menino como Chico Maranhão (um menino, sim!) para uma imagem musical bonita como essa. Imagem bonita como a dele: “embecado”, com os cabelos em desalinho.

Entra Cesar Teixeira. Na minha opinião (eu já disse isso, mas nunca é demais repetir) o maior compositor vivo do Maranhão, sem nenhum desmerecimento a outros tantos excelentes compositores que temos. Camiseta cavada, como em algumas farras homéricas que fizemos/fazemos juntos.

Zeca Baleiro, um capítulo a parte, um fenômeno, a vitória no sul maravilha. Um artista pop, um compositor popular.

(Ao meio-dia, entrevista com Zeca – era pra Mirante: Chico chegou cedo demais e não esperou; Cesar não apareceu.)

A banda. Outra surpresa: Luiz Cláudio, Ruy Mário, Mauro Travincas, Francisco Solano, Paulo Trabulsi e acho que estou esquecendo alguém.

(Saio de casa pela manhã para o trabalho. Com a mesma roupa, após umas cervejas no Verdão, Madre Deus, vou para o show. Andrezza, como sempre, furou; idem, Ana Paula).

(Zeca tá com a ótima idéia de trazer para São Luís, em breve, o Baile do Baleiro. E será uma espécie de padrinho do projeto “50 e tantas”, que celebrará os 50 anos de vida & arte de Joãozinho Ribeiro. O blogueiro aqui é assessor de imprensa e membro da equipe de coordenação do projeto: shows, livro, disco e dvd.)

Volta pro show:

Gildomar Marinho ao meu lado. Do lado dele, sua esposa, D. Reginalda.

“Vassourinha meaçaba, que varre o chão, varre esta saudade braba, do meu coração”. Que venham outras Brincadeiras de Viola.

pê ésses:

“Pastorinha”, de Chico Maranhão, é, na opinião do amigo Glauco Barreto, uma das três melhores músicas produzidas no Brasil em todos os tempos.

“Shopping Brazil”, disco de Cesar Teixeira que batiza este blog foi o melhor disco lançado no Maranhão (quiçá no Brasil) ano passado.

“Chico Maranhão nunca fez uma música feia”; disse-me certa vez o ótimo Erivaldo Gomes.

Para ouvir:

Shopping Brazil – único registro de Cesar Teixeira em disco;

Lances de Agora – de 1978, o disco de Chico Maranhão foi gravado na Igreja do Desterro e conta com um senhor chamado Antonio Vieira na percussão; lá estão clássicos como Meu Samba Choro (que abre o disco), Ponto de Fuga (um dos sambas mais bonitos que já ouvi na vida), Ponta D’Areia e Pastorinha. (não há reedição em cd; tenho em casa uma transcrição do vinil; deste disco Celso Borges tirou faixas para o poema “Menino”, em seu “XXI”)

PetShopMundoCão – podia ser qualquer um do Baleiro; este por ser o último.

(o ambiente de trabalho, às vésperas de mais um vestibular, e a ressaca me impediram algo melhor: eu pensei em apagar isso tudo; não sei por que não o fiz!)

Tríade Sacrossanta

E logo mais, às 22h, na Concha Acústica da Lagoa da Jansen, três monstros sagrados da música maranhense se reúnem para um grandioso espetáculo. Trata-se de “Brincadeiras de Viola”, que reunirá no mesmo palco Cesar Teixeira, Chico Maranhão e Zeca Baleiro. Imperdível! A produção é de Ópera Night. Os ingressos custam R$ 20 (vinte reais); estudantes pagam metade.

ARTISTA MARANHENSE EXPÕE NO ESTANDE DO BNB DURANTE FESTIVAL VIDA & ARTE



por Ana Paula de Oliveira Teixeira

da Assessoria de Comunicação do Banco do Nordeste

A mostra de artes visuais Nordeste: fronteiras, fluxos e personas é destaque no estande do Banco do Nordeste montado no Festival Vida & Arte, que ocorre de 19 a 23 de janeiro, no Centro de Convenções, em Fortaleza. A mostra reúne trabalhos de artistas do Nordeste e do Brasil, que discutem a diversidade da cultura nordestina através de várias linguagens. Depois do evento, a exposição será aberta no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza.

Marcone Moreira representa o Maranhão na exposição. O artista apresenta pinturas em madeira, encontradas nas carrocerias dos caminhões. São pedaços de veículos, nos quais ele interfere. Os trabalhos de Marcone têm como marca o uso de elementos da cultura popular, além de objetos encontrados no cotidiano, que podem gerar formas e cores interessantes.

A DINÂMICA DA EXPOSIÇÃO

Com curadoria de Luiza Interlenghi, a mostra Nordeste: fronteiras, fluxos e personas propõe a possibilidade de se pensar a cultura nordestina como um conjunto de diferenças, manifestas em linguagens visuais, atitudes, comportamentos e crenças em constante transformação. A exposição questiona noções de centro e periferia e observa aspectos da cultura brasileira que, das mais diversas maneiras, atravessam em duplo sentido as fronteiras da região Nordeste.

A preocupação em apresentar novos valores fez com que a exposição se transformasse em um rio de possibilidades, com a presença de diversas linguagens, entre elas monotipia, desenho, xilogravura, DVD, vídeo-instalação, fotografia, objetos e intervenção no espaço.

Ao mesmo tempo em que reafirmam a diversidade da produção contemporânea, as obras dos artistas plásticos dialogam com as tradições. Trabalhando as referências da Região a partir de um olhar crítico, a exposição incute a idéia de que não são apenas os limites territoriais que delimitam a identidade cultural de um povo. A escolha dos artistas já amplia a definição de região, uma vez que há expositores de diversos estados nordestinos, além de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A mostra reúne 20 obras de 15 artistas com passagem pelo Nordeste e que transitam ou se fixaram em diferentes estados do País. Estarão presentes na mostra: Antônio Dias (PB/RJ), Caetano Dias (BA), Euzébio (AL/CE), Gil Vicente (PE), Grupo Rasura (CE), Hilal Sami Hilal (ES), José Rufino (PB), Luiz Hermano (CE/SP), Leonilson (CE/SP), Marcone Moreira (MA/PA), Martinho Patrício (PB), Nazareno (SP), Rosana Ricalde (RJ), Transição Listrada (CE) e Tunga (PE/RJ).

OLIVAR CAMPOS EM SHOW EM SÃO LUÍS

O Bar e Restaurante Delícias do Sertão (Av. Litorânea, antigo Zanzibar) apresenta nesta sexta-feira, 14/1, às 21h, o músico maranhense Olivar Campos. Nascido em Lago do Junco, interior do Estado – está radicado emBrasília há mais de vinte anos – aprendeu ainda na infância, os primeiros acordes do violão, influência do pai, músico profissional.

Aperfeiçoou seu desempenho ao violão e chegou a estudar piano na capital federal, além de canto lírico, quando era funcionário-estudante da Universidade de Brasília – UNB, onde chegou a fazer parte do coral de funcionários. Tem dois discos autorais gravados: “Farol do Mucuripe”, em parceria com Assis Sabóia e “Néctar”, solo. Ambos os discos foram produzidos e arranjados pelo maestro José Américo Bastos, com quem tem diversas parcerias. Sua música “Queixa de Poeta”, sobre poema de Gregório de Matos, foi gravada por Papete.

Show: Olivar Campos

sexta-feira, 14/1, às 21h

Local: Delícias do Sertão (Av. Litorânea)

DEU NO JP DE HOJE

SMDH CONCEDE PRÊMIO DE MÉRITO PROFISSIONAL À RÁDIO CONQUISTA FM E À AGÊNCIA MATRACA

Por motivo de força maior, o Seminário “Direitos Humanos e Comunicação”, previsto para acontecer no dia 10 de dezembro passado, foi adiado; acontecerá em fevereiro, durante as comemorações de 26 anos da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH). Na programação do citado Seminário constava a entrega do Prêmio de Mérito Profissional, concedido a profissionais de comunicação que tenham tido atuação destacada junto à defesa e promoção dos direitos humanos ao longo do ano de 2004.

O prêmio reconhece a importância da Rádio Comunitária Conquista FM e da Agência de Notícias da Infância Matraca e será entregue na próxima quinta-feira, dia 13/01, às 19h no Auditório Che Guevara, no Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, Centro).

RÁDIO CONQUISTA

Fundada em 10 de junho de 2001, a Rádio Comunitária Conquista FM (95,5MHz) é de responsabilidade da Associação de Difusão Comunitária e Popular (ADCP) que congrega vinte organizações de vinte bairros de São Luís, entre eles João Paulo, Coroado, Coroadinho e Jordoa. A programação é feita, em sua grande maioria, por pessoas dessas comunidades e há grande inserção de temas sobre minorias como mulheres, negros, homossexuais, alcoólatras, crianças e adolescentes. A rádio consegue ainda reunir diversas religiões em sua programação semanal.

A rádio encontra-se fechada atualmente. Foi invadida no último dia 3 de dezembro pela Polícia Federal que “seqüestrou” seus equipamentos tirando-a do ar.

A SMDH reconhece, através do Prêmio de Mérito Profissional, a importância da Rádio Conquista enquanto um canal alternativo de comunicação. Ao contrário dos outros anos, e dadas as circunstâncias, não será premiado um profissional, mas um grupo de pessoas na figura da rádio.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INFÂNCIA MATRACA

Visando um mundo melhor para crianças e adolescentes maranhenses, a Agência Matraca surgiu para a consolidação de uma relação ética e transparente entre a imprensa e outros segmentos da sociedade no tocante ao seu público-alvo.

Seu principal objetivo é promover e difundir ações voltadas para a defesa de direitos de crianças e adolescentes, buscando a sensibilização e mobilização da sociedade através de ações de comunicação. Para atingir os objetivos a que se propõe, a Agência Matraca intervém na produção jornalística local, sensibilizando profissionais para uma cobertura coerente com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), trabalha com organizações da área da infância, promovendo e implementando os direitos infanto-juvenis. Envolve ainda meninos e meninas em projetos de comunicação, incentivando o protagonismo.

RÁPIDAS

Prêmio de Mérito Profissional

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH fará a entrega do Prêmio de Mérito Profissional nesta quinta-feira, 13/1, às 19h, no Auditório Che Guevara, do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol – Centro).

O Prêmio reconhecerá ações que se destacaram ao longo do ano de 2004 na defesa e promoção dos Direitos Humanos no Maranhão.

Serão premiadas a Rádio Comunitária Conquista FM (fechada de forma truculenta em dezembro passado pela Polícia Federal) e a Agência de Notícias da Infância Matraca.

Rasgação de Seda

Nesta sexta-feira, dia 14/1, a animação fica por conta da festa Rasgação de Seda, no Circo da Cidade, a partir das 21h, com as bandas Fogo, Cordas e Tarrachas, Vida de Paxá e Saint Louis Rock & Blues. Ingressos: R$ 4,00 (meia para estudantes). Participações especiais do Tambor de Crioula da Feira da Praia Grande e do DJ Marcos Vinícius. Produção: Márcio Cruz.

Assessores de Comunicação: Agentes da Ação Social

Este é o tema da oficina promovida pela Agência Matraca no próximo dia 18/1, das 8 às 12h. Será ministrada por Gisele Dias, Oficial de Comunicação do Unicef.

Inscrições gratuitas pelo telefone (98) 3254-0210.

Tríade Sacrossanta

Dia 21/1, na Concha Acústia da Lagoa da Jansen. Nada mais nada menos que os maranhenses Zeca Baleiro, Chico Maranhão e Cesar Teixeira, juntos no show Brincadeiras de Viola. Produção de Ópera Night. Ingressos à venda na Livraria Poeme-se (Rua João Gualberto, 52 – Praia Grande). Simplesmente imperdível!

Poesia Sim

O blogueiro aqui foi citado no Poesia Sim, do amigo paraibano Lau Siqueira.

Guerra (em paz)

Comentário de Carolina Libério sobre o poema “Quando a guerra é igual a paz” (leia o poema abaixo):

“Zema, eu não ligo se essa é a impressão que tu tiveste de mim… eu sou assim mesmo e não tenho problema com isso… (os outros q tem)”.

SOBRE IMAGEM LÍQUIDA

um poema de José Aloise Bahia

Lá estava, Jean Baudrillard, defronte duma

televisão que tanto desdenhava.

Na tela fria novos rumores das imagens

apontam um velho produto da publicidade.

Uma cópia do R. Mutt 1917 versão branco gelo.

Em sua pose de óculos e olhos estiolados

encontra aquela idéia que jamais pensasse

ocorrer. O R. Mutt em forma de vídeo.

Para fazer as necessidades e reflexões diárias

inventa um banheiro com uma novidade. Num

amplo espelho refletia o colossal vaso e o

cair das ruminações líquidas contaminadas

e em contato com a cor pulsante do

sanitário que agora se chama televisão.

José Aloise Bahia nasceu em Bambuí-MG e mora em BH. Poeta, colecionador de artes plásticas, pós-graduado em jornalismo contemporâneo. Autor de Pavios (no prelo pela Anomelivros).

Um poema para Carolina Libério

que eu conheci ontem, na Praia Grande

música incidental: Proibida pra mim, na gravação de Zeca Baleiro

Quando a guerra é igual a paz

O teu nariz empinado

Me fez baixar a cabeça

Tua poesia,

Boa à beça

Quase faz com que eu esqueça

Que eu também fui poeta um dia

Os paralelepípedos

Gastavam tua chinela

Minha risada amarela

No meio da noite

Sorria pra ti

Que nem me viu

Eu posso até tentar

Mas não sou eu quem vai fazer você feliz, Carolina

Guerra!

Por onde anda André Takeda?

Não posso negar que quando a vi pela primeira vez, tenha pensado em sexo. Era inevitável, e isso acontece todas as vezes em que olho uma mulher bonita. E pela beleza dessa mulher em especial, devo ter pensado em sexo umas duas, três, incontáveis vezes.

Apesar dos vestidos totalmente folgados e relaxados, num total hippie way of life, dava pra ver – e eu já me imaginava sentindo – a exuberância de seus traços sob as roupas que a cobriam.

Eu almoçava todos os dias na pousada onde ela se hospeda, e tendo feito amizade com a balconista que me atendia, tentei descobrir algo sobre aquela figura tão esplêndida, rara, única. Seu nome, origem, e otras cositas que nem me interessavam tanto assim; mas tudo muito superficial, nada do que descobri era realmente interessante, a não ser o fato dela ter uma relação muito estreita com a cultura local, sendo estrangeira – assustei-me ao descobrir esse fato: poderia muito bem passar por uma brasileira, por sua beleza e pela perfeição com que fala o português.

Um dia, após o almoço, anotei meu telefone num guardanapo e passei à balconista: “Entregue à ela. Peça que me ligue.” Total pretensão minha.

Passei uma semana almoçando e enchendo a paciência da garota do balcão, perguntando se ela havia entregue, e por que a minha musa ainda não havia me ligado. “Ela ficou imaginando, pensando em quem seria você…”, contou-me.

Dias depois, estava tomando umas cervejas com uns amigos na calçada de um bar próximo à pousada, e encorajado por elas – as cervejas – disse a mim mesmo, vendo-a passar: “Na volta eu te paro…”

Uns amigos que já sabiam da minha fascinação por aquele belo corpo aporrinharam-me, e eu não percebi quando Loreto – era como a chamavam, pelo sobrenome – passou; de repente, um dos companheiros me dá um tapa amistoso no ombro e me diz: “Viste quem passou?” Corri até a esquina, e vendo-a já longe, com seu andar que a mim parecia o de uma miss – a partir daquele dia referia-me a ela de mim para mim como Miss Loreto – corri mais um pouco até poder tornar um grito meu audível: “Loreto! Loreto!”

Ela virou-se, olhando para mim assustada e perguntando: “Eu te conheço?” “Não, mas eu te conheço. Não se preocupe.” Apresentei-me, cretinamente, tentando disfarçar o hálito, sabendo que ela era adepta ao natural, disse por que estava fazendo aquilo – apenas omiti as ereções.

Mesmo tendo ela me advertido que estava toda suada, dei-lhe dois beijos em seu rosto, e o sal me serviu de tira-gosto.

O que que o texto acima tem a ver com o título do post? Seguinte: em abril de 2002 esse texto (Miss Loreto é o título!) foi selecionado para integrar a (salvo engano) 15ª edição da ótima (e infelizmente extinta) revista eletrônica TXTMagazine, editada pelo autor do Clube dos Corações Solitários, que se propunha a revelar novos talentos que escrevem contos. Takeda, “quede” tu?

Nota (com certo atraso): o poema “A calcinha de Cassinha”, postado aqui recentemente (leia aí embaixo!) é da mesma safra desse conto, tendo sido, portanto, cometido entre o fim de 2001 e o início de 2002.

Roteiro Zêmico para quinta e sexta-feira

Hoje

19h: queimação de palhinas no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (Rua do Giz)

20h30min: A Vida é uma Festa! Primeira edição do encontro semanal com Zé Maria Medeiros e cia. No Bar do Adalberto

Amanhã

18h: Tambor de Crioula da Feira da Praia Grande

21h30min: “Samba no Canavial”, espetáculo com Pedro Salustiano. Produção do Laborarte e Página 21

23h: Show com as bandas maranhenses Nego Ka’apor e ClãNorDestino, no Bar do Porto. Produção de Vanessa Serra

Tudo na Praia Grande